As Idéias

Ligações perigosas: Tecnologia de última geração e a hipermoderna família brasileira

Parte 1 – O mundo é um mundo melhor com computadores

 

O pós-moderno nunca existiu. É o que defende Gilles Lipovetsky. Sendo ele mesmo um dos filósofos que popularizaram a idéia de pós-modernidade, afirmou recentemente que nunca houve algo parecido com o que se propunha. Na verdade, desde a década de 50, estaríamos vivendo apenas uma forma diferente de modernidade. Mais avançada. Uma hipermodernidade. Um moderno mais moderno do que nunca.

 

De 50 pra cá, a vida do homem moderno mudou sensivelmente em todos os aspectos. A modernidade nos trouxe liberdade sexual e vibradores de diversos tamanhos e cores. E o mais importante e relevante para este texto: a modernidade nos trouxe conforto através de objetos eletrônicos diversos. De liquidificadores a celulares com câmeras fotográficas embutidas, a modernidade nos trouxe até uma máquina que serve apenas para descascar frutas.

 

Mas ignorando o óbvio que é tudo isso, é evidente que toda essa parafernália eletrônica de que dispomos é de grande valor. Contudo, o que poucos percebem é que essa explosão de máquinas para usos diversos no mínimo contribui para a “burrificação” da sociedade. Não estou atentando unicamente para o fato de que na década de 50 as mulheres sabiam descascar frutas. A conseqüência é mais abrangente.

 

A parafernália veio. Mas com ela não veio o conhecimento científico/tecnológico que nos permite, por exemplo: tirar fotos dos amigos bêbados com um telefone, ou mandar torpedos com o nick “GaTiNhA_mAnHoSa”. Os eletrônicos foram feitos para leigos continuarem leigos. Você não aprende a usar um objeto, e muito menos compreende os princípios científicos utilizados na produção do mesmo. Você apenas aprende que apertar uns botõezinhos resulta num efeito útil a sua necessidade momentânea.

 

E isso é confortável. Não saber é confortável. Não ter que aprender é confortável. Foi com esse espírito que nosso mundinho ocidental entrou nessa nova fase, onde uma rede de computadores interligados pela internet tem agora a importância que a televisão já teve. Sim, foi exatamente com esse espírito de preguiça mental que nós entramos na hipermodernidade e... quebramos a cara.

 

Definitivamente os computadores não são como as outras máquinas. Com relação a este objeto, ou você sabe exatamente o que está fazendo, ou ele constitui aquilo que chamaremos aqui de “treco”. E a conseqüência direta de nossa preguiça mental é que sim, os computadores vivem dando treco.

 

Trecos são fenômenos não esperados. Os seres humanos não estão preparados psicologicamente para lidar com os mesmos. O que enche o bolso de técnicos evangélicos diversos, que consertam o seu computador e logo após instalam a mais nova versão da Bíblia on line.

 

Os números não mentem. Todas as pessoas do mundo inteiro já foram capazes de constatar o óbvio: os computadores dão mais treco do que as máquinas de lavar. O computador, além de ser algo extremamente útil também é um organismo vivo cabuloso. Esta pequena máquina à sua frente é capaz de lhe despertar o mesmo ódio que você sentia da sua Tia Alda, quando ela te obrigava a ir fantasiada de pierrô, numa festinha onde todas as suas amiguinhas estavam vestidas de oncinhas ou odaliscas.
Escrito por Srta. Quaresma às 15h10
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Ligações perigosas: Tecnologia de última geração e a hipermoderna família brasileira

Parte 2 – Neurose, a sua família ainda vai ter uma

 

Se Freud ainda estivesse conosco concordaria que agora os computadores tomaram o lugar da Igreja Católica no que diz respeito a causar um mal estar na civilização. Essa falta de informação, associada a uma necessidade extrema de se utilizar o objeto em questão é capaz de acarretar seqüelas das mais imbecis e singulares possíveis. Para explicar melhor utilizarei como exemplo algumas das neuroses desenvolvidas em uma típica hipermoderna família brasileira, logo após o uso do computador. Conheçam agora... a família Quaresma.

 

A culpa é do kazaa

P.B.A. é o padrasto da família Quaresma. Este curioso personagem desenvolveu a estranha mania de apagar o kazaa toda vez que o windows não funciona como deve. A coisa evoluiu de tal forma, que P.B.A. passou a apagar não só o kazaa e o My shared folder, como também o messenger, e qualquer outro programa que ele não soubesse pra que serve. Hoje, P.B.A. apaga todas as pastas pessoais se a internet estiver lenta.

 

Cuidado! Os vírus estão por toda parte

O interessante aqui é que frequentemente é esquecido o fato de que os vírus são tão virtuais quanto a musa da Malhação pelada no Paparazzo. Os vírus de computador causam quase tanto medo quanto o vírus da Aids. E são ótimos para explicar tudo quanto é bizarrice que o computador possa desenvolver. O episódio mais estranho foi sem dúvida o do teclado quebrado. Alguns Quaresmas juravam haver um vírus no cabo que liga o teclado a CPU. Então tá.

 

Recebi por e-mail

Outra coisa que contribui e ao mesmo tempo demonstra essa nova tendência de desinformação geral são as incríveis quantidades de spams com falsos dados sobre vírus, windows, e internet em geral, que fazem a cabeça dos internautas.
Escrito por Srta. Quaresma às 15h10
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Ligações perigosas: Tecnologia de última geração e a hipermoderna família brasileira

Parte 3 – O que os pombos têm a ver com tudo isso

 

O que as pessoas fazem não é exatamente inventar respostas quando não compreendem o que ocorre, e sim encontrar padrões em coincidências. Richard Dawkins explica isso em um de seus livros¹. Ao fazer testes com pombos dentro de uma caixa, colocou-se uma espécie de botão que, uma vez acionado, fazia cair uma recompensa em alimento. Ao bicar o mesmo local várias vezes, o pássaro entende aquilo como um padrão, e sempre que tiver fome, acionará o botão. Como o objetivo dos cientistas em questão era muito mais sarcástico, eles fizeram em outras caixas e com outros pombos, com que a comida caísse aleatoriamente a qualquer movimento do animal. Assim, alguns pássaros adquiriram manias super estranhas quando tinham fome. Um girava como um pião, outro oscilava o corpo de um lado para o outro. E um fazia ainda o que Dawkins chamou de “atirar-se para o alto”.

 

Pode parecer estranho, mas esse tipo de comportamento supersticioso é mais comum entre seres humanos.

 

Conclusões possíveis:

1. Os seres humanos são mais burros e neuróticos do que os pombos porque os últimos não usam computadores de última geração para fazer os trabalhos da universidade, e consequentemente não perdem todas as informações depois de digitar 15 páginas sobre os camponeses na China medieval.

2. Os computadores deveriam vir com manual de instruções baseado em noções de psicologia e auto-ajuda.

3. As pessoas dão mais treco hoje em dia do que na década de 80 porque em vez de computadores os “oitentistas” usavam penteados ridículos.

____________

¹ Desvendando o arco-íris – Ciência, ilusão e encantamento. Cap. 7: O desvendamento do mistério.
Escrito por Srta. Quaresma às 15h09
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O QUE CORRE EM NOSSAS VEIAS? - Parte 1

Há alguns dias escrevi por aqui sobre uma Campanha de Doação de Sangue. A idéia foi dada no Fórum de Discussão do Garotas que Dizem Ni!, sítio super divertido, que em muito me serviu de incentivo para escrever mais.

 

Uma campanha assim é uma idéia louvável, pois o Brasil é um país extremamente carente em doadores de sangue e, para mostrar isso, seguem algumas estatísticas*:

 

- No mundo, em média 3% da população é composta por doadores de sangue. Não bastasse esse número já ser baixo, no Brasil a média não ultrapassa 1,7% de doadores.

- Apenas 38% das doações anuais concentram-se no países em desenvolvimento. Ironicamente, são esses mesmos países que possuem 82% da população mundial.

- No Brasil, apenas 30% das doações são feitas de forma voluntária. O restante é composto por pessoas que fazem doações apenas quando algum conhecido está precisando.

 

Se mais brasileiros se conscientizassem da importância da doação voluntária, hoje a situação dos Bancos de Sangue no Brasil estariam em condições muito melhores.


Escrito por Muta às 21h59
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O QUE CORRE EM NOSSAS VEIAS? - Parte 2

Curiosamente, estudos realizados explicam que no Brasil as pessoas não costumam doar voluntariamente, pois nunca passamos por grandes guerras ou conflitos. Em países europeus, palco de inúmeras guerras sangrentas, a maior parte dos doadores é composta por voluntários. Por quê? Bom, pois ao ver o grande número de necessitados, envolvendo parentes, amigos, conhecidos e muitos inocentes, todos sentem-se compelidos por um forte sentimento cívico de AJUDAR AO PRÓXIMO.

 

Às vezes, fico pensando se essa explicação sobre o Brasil não pinta um quadro otimista demais. Todos os dias somos bombardeados por tragédias ocorridas de Norte a Sul, Leste a Oeste.

 

Estamos nas primeiras posições de inúmeros rankings de violência, dos quais podemos citar o número de mortes violentas entre jovens ou número de mortes em acidentes de trânsito, sem falar em violências que muitas vezes não associamos a mortes diretas, como os graves problemas educacionais, taxas de mortalidade infantil, violência doméstica, tráfico de drogas, trabalho escravo e, por que não, a corrupção que assola diversas áreas do país.

 

Será que já não basta de tragédias? Temos que passar também por guerras sangrentas para enxergarmos a necessidade de ajudar ao próximo? Em momentos como esse, chego a pensar que esse nosso povo, conhecido pela alegria e receptividade, possa esconder um coração frio e enrijecido pelas dificuldades.

 

Outro ponto importante é que temos que nos conscientizar de que ajudar alguém não é apenas entregar um punhado de moedas nos semáforos da vida. Como diz o ditado, temos que “Ensinar as pessoas a pescar, não dar o peixe!”.

 

Na maioria das vezes, a esmola, pedida com tanta eloqüência e dada com falsa caridade, torna-se o combustível para vícios que levam as pessoas cada vez mais para baixo.

 

Cada vez mais, temos que trazer à tona conceitos fundamentais, como a ética, a honestidade e a responsabilidade social, pois precisamos trabalhar todos juntos para, quem sabe assim, conseguirmos construir um país melhor.

 

Sei que muitas dificuldades existem e que ninguém é perfeito. Mas se cada um dos 180 milhões de brasileiro fizer um “pouquinho”, tenho certeza que podemos contribuir, e muito, para um país melhor.

 

Eu estou tentando, e você?

 

x – x

 

Em homenagem a todos que de alguma forma já contribuem ou pretendem contribuir pela luta por um Brasil melhor.

 

* Estatísticas obtidas junto à Fundação Pró-Sangue.

Agradecimentos ao apoio oferecido pela equipe de Comunicação e Imprensa da Pró-Sangue.


Escrito por Muta às 21h58
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Crônica às Estatuas (por Mateusa Guimaraes Rosa e Osmar Soares)

Houve um tempo em que as estátuas estavam absolutamente mudas, sim, elas não expressavam mais nada além de uma posição etérea, comprometida com o tempo, espaço, com a memória e com o estar-no-mundo estáticas – como seu próprio nome sugere. As estátuas sempre prezaram por ficar ali, paradas, frias e mudas – sem força, hemos de convir – aparentando uma força de contemplação e verdade que só os deuses do Olimpo poderiam ter. Um dia, os artesãos decidiram dizer não pra toda essa chateação de estátua parada, sem força, sem fio, sem fé, sem posição nenhuma além daquela posição tão etérea e comprometida com o tempo e o espaço. Foi algo quase de inconsciente coletivo (pra lembrar Seu Young), decidiram então, lá pelo século XVIII desenhar e formar esculturas que pudessem expressar, além da beleza e da idéia de sublimação (aquele processo em sólidos viram gás num passe de mágica que dura semanas, anos, milênios), gritos, dores, descontentamento – elas ganharam movimentos. Movimentos contíguos aos da humanidade – deixaram de participar de uma transformação condicionada de sólido em ar e passaram a estar cada vez mais fundidos a terra. Muitas estátuas se perderam: por onde anda, por exemplo, aquela que mostrava a glória de D. Sebastião ou de Duque de Caxias ou de D. Pedro ou de D. Quixote ou de Zeus ou de um monte de mentiras sobre as quais a humanidade montou como estão todas as estátuas: montadas sobre cavalos e cavalgam pela história. Ontem, uma menina mordeu um bolinho mordido – virou estátua num lixão aqui perto das casas; virou urubu – lá onde se fundem e sublimam os lixos e os restos que vão pelos ares da cidade. A menina que mordeu um bolinho mordido se chama Estátua - ela diz todo dia que a vida não tem mais nada que fazer comer e trabalhar Estátua não trabalha Estátua não vive Estátua não sai do chão em que está fundida Estátua não come nunca comida que os seres humanos devem comer. E junto de outros e outros monumentos do seu tempo, estátuas que brincam em meio a tantas casas que não são as suas Estátuas que não entendem o que vêm fazer na esquina em que são contempladas todos os dias e as janelas dos carros riem se riem por não poderem tirar da arte o grotesco - o concreto eh sempre definitivo.
Escrito por Avó Peluda às 20h46
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T o r r e n c i a L


Certa feita, no ano de 1997, tive a oportunidade de estar em uma praia.
Uma AMIGA de escola comigo também estava...
Na areia sentados, contemplávamos o mar.
Cúmulos nimbos (núvens de chuva) bailavam no firmamento; chuva de verão ameaçava desabar.
Mas ao invés de afugentar, só fez ela me inspirar:
 

 

TorrenciaL


Iniciou-se poeticamente

Branda, precedeu o poente

A aurora não se nublou

Por isso ela não hesitou

Firmou-se potencialmente

Fresca, intrigou toda gente

Ela não se explicou,

Bateu a porta, e caminhou

Direcionou-se instintivamente

Lânguida, nas curvas e tangente

Banhada pela garoa serena

Que incorporava as vestes na pele morena.

Ele, admirou-se alegremente

Ao vê-la ali, na sua frente

Não esperou,

Abraçou-a e beijou

Consumou-se magnificamente

A garoa, estranhamente

Engrossou

E chuva se tornou

O casal se beijou, apaixonadamente

Banhados pela água, ensopadamente

O poeta não continuou

E a cena se imortalizou . . .

 

 

Bruno Cesar A. Gomes. ( 03/07/97 )



No domingo último, socialmente alcunhado (denominado) 27/06/2004; tive a oportunidade de mais uma vez estar naquela mesma praia.
Desta vez com alguém ainda mais que "AMIGA"...
E eis que na areia sentados, contemplávamos o mar.
Cúmulos nimbos (nuvens de chuva) bailavam no firmamento; chuva de verão ameaçava desabar.
Mas ao invés de afugentar, só fez ela nos inspirar:

- Eu consegui concretizar (de modo involuntário" e natural) o poema "TorrenciaL", de 1997.

Evidentemente, que lembrei do mesmo... Senhores, EU VIVI o meu poema!
E agora, "na minha vez" de brincar com as letras neste espaço "virtual", eu não tenho muitas escolhas, alternativas ou vontades diferentes de registrar, meditar e dividir com vocês mais este "chiste jocoso" deste mágico intervalo compreendido entre nascimento e morte: a vida. (Sendo executada de forma TorrenciaL...)

 
Escrito por Bruce Werk às 11h47
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Os 5-S

Cursos. Cursos. Cursos e mais cursos. “Qualidade Total”, “Business Intelligence”, “Encantando o Cliente”, “Construindo um Comportamento Assertivo”, “Motivação de Equipes”...

O mundo dos negócios redescobre a pólvora. Executivos pagam caro para aprender princípios que ensinam como tratar funcionários e clientes, e talvez nem se dêem conta de que o conteúdo de alguns cursos são apenas roupagens extravagantes para aquilo que mamãe já ensinava desde o berço, como ter respeito pelos outros, não dar um passo maior do que a perna, colocar o mais importante em primeiro lugar.

Bem, talvez eles já tenham percebido isso sim, mas como ter um feixe de cursos amarrado no currículo impressiona o pessoal do Recursos Humanos e é sinal de status, algumas escolas estão ganhando muito dinheiro para ensinar o óbvio travestido de novidade.

Por falar nessas instituições, aí estão elas às centenas, espalhadas inclusive em ambiente virtual, atuando através dos célebres ‘cursos à distância’. Aliás, hoje em dia, se você quiser ter seu próprio curso virtual, basta colocar uma página na internet com o número de uma conta bancária para envio do pagamento, é claro, bem como alguns textos sobre qualquer coisa retirados de qualquer lugar. Ah, não se esquecendo da tutoria, que poderá ser feita por sua irmã ou irmão mais novo. Depois, é só esperar que os  troux..., quer dizer, os alunos, apareçam.

Não que todos os cursos à distância sejam assim. Já realizei alguns excelentes pela internet, mas eram oferecidos por uma escola de renome pertencente ao Governo Federal. Por outro lado, basta realizar uma pesquisa para encontrar facilmente na web páginas de qualidade duvidosa oferecendo os mais variados treinamentos. Recentemente, acessei um site horroroso e mal diagramado que oferecia o curso ‘Criação de páginas para a internet’.

Queridos, se algum dia precisarem aprender sobre algum assunto, antes de apelar para um curso virtual verifiquem antes se um livro da Biblioteca não resolve. Pelo menos é de graça, e o conteúdo provavelmente passou pelo crivo de uma editora e de um revisor.

Mais recentemente realizei também dois outros cursos, um presencial para formação de Gerentes e outro virtual sobre Administração. Ambos frisavam os mesmos princípios de qualidade empresarial. “O cliente em primeiro lugar”, era o que ensinavam. Aprendi que não basta realizar uma boa ‘venda’, de produto ou serviço, e que o pós-venda é igualmente importante para manter o cliente. Assim, se você vai a uma loja e compra um sapato, e depois descobre que ele possui um defeito, a loja deveria atendê-lo tão bem quanto naquele momento em que você foi adquirir o produto.

Isso foi o que eles ensinaram no curso. Já fora dele, quando foi preciso solicitar alguma coisa ou fazer uma reclamação para a escola, o pós-venda transfigurou-se em pós-parto. No meu caso, o certificado não continha uma informação básica para ser considerado válido pelo instituto onde trabalho. Até hoje não consegui que eles me fornecessem  uma declaração de que eu obtive aproveitamento.

O curso online, embora fosse promovido por uma Universidade, chegou a ser ainda pior. Os tutores eram virtuais mesmo, nem na internet eles existiam. Meus exercícios e e-mails com dúvidas nunca foram respondidos. Além disso, o certificado que deveria chegar em trinta dias demorou noventa, e só o recebi porque ameacei ir ao Procon e denunciar a escola ao MEC.

O famoso programa de educação e treinamento para a Qualidade Total denominado 5-S (senso de utilização, senso de ordenação, senso de limpeza, senso de asseio e senso de autodisciplina) na prática, em algumas escolas que se arvoram em ensiná-lo, está mais para Safadeza, Sacanagem, Sem-vergonhice, Sofrimento e Stress.


Escrito por Atena às 09h21
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DESVENTURAS NO TRÂNSITO - PARTE 1

O trânsito, ah o trânsito!

 

Eu sempre tive uma relação especial com ele. Mas quando digo especial, não quero dizer isso em um bom sentido. Na verdade, me considero um tanto perseguido, e dotado de um incrível magnetismo para problemas.

 

Já dirijo há um bom tempo e posso dizer que me viro bem neste aspecto. Na verdade, gosto mesmo de dirigir e definitivamente considero isso como uma atividade prazerosa. Acontece que os outros motoristas insistem em tentar acabar com a minha alegria!

 

O curioso, é que não bastassem os episódios tradicionais – carro batendo em carro – serem traumáticos o bastante, o destino ironicamente ainda resolve me colocar em situações um pouco mais bizarras.

 

A minha primeira batida foi com estilo: internacional. O motorista era um espanhol, que apesar de barbeiro, passava longe de ser o de Sevilha. E eu estava parado no trânsito, atrás de um Monza cheio de crianças no banco de trás, todas brincando comigo à distância.

 

O desavisado do espanhol, resolve poupar os freios e usa o meu carro como breque. É claro que além disso, fui jogado contra o carro da frente – felizmente nada aconteceu com as crianças.

Outro fato curioso foi o local escolhido: na rua do maior cemitério da América Latina.

 

Depois desse acidente, passei por muitos outros, dos quais destaco dois que guardo na memória com imenso carinho: O Caso do Trólebus e O Caso do Caminhão e da Cancela.

 

O Caso do Trólebus provocou um dos maiores sustos da minha vida!

Estava eu dirigindo pela manhã em direção ao trabalho. Nas avenidas da vida, após uma confusão entre os “ônibus elétricos” que circulavam por lá, a linha da pista onde estava entrou em curto-circuito.

 

É claro, que após isso, o fio arrebentaria. Mais claro então, seria que esse fio – ainda energizado – passasse a atingir violentamente o carro de quem?

 

Pois é...


Escrito por Muta às 03h44
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DESVENTURAS NO TRÂNSITO - PARTE 2

Anos e batidas depois, quando já não imaginava ser possível ver alguma novidade no assunto, eis que me envolvem num caso no mínimo inusitado. Foi quando aconteceu o Caso do Caminhão e da Cancela.

 

Para quem não sem lembra, cancelas são aquelas barreiras móveis, utilizadas para controlar o trânsito em ruas cortadas por linhas de trem.

 

Estava eu passando por uma que fazia parte do meu trajeto diário, quando acontece de um caminhão – dirigido por um senhor do interior – parar no meio da linha do caminho, por ter ficado assustado ao ver um trem se aproximar.

 

Dois fatos chamam a atenção:

 

1- eu estava logo atrás do caminhão;

2- o caminhoneiro ficou “travado” bem em cima da linha do trem.

 

No auge do seu desespero, o motorista fugiu completamente da lógica: ao invés de avançar resolveu dar uma “rezinha” para fugir do perigo ferroviário. Infelizmente ele devia estar já surdo de medo, pois mesmo com a minha insistente buzina em ação, ele não parou até que o meu carro estivesse preso ao gigante!

 

Moral da história: além de ele não ter conseguido sair do caminho e ter me acertado em cheio, a cena do trem parando e terceiros me ajudando a soltar o meu carro do caminhão, sob os protestos dos passageiros enfurecidos pelo atraso da viagem foi, digamos, memorável.

 

Mas quem pensa que eu paro por aí está enganado... Bem, outro dia mais um caminhão fez a sua contribuição para a minha vasta experiência com intempéries automotivas.

 

Desta vez, um caminhoneiro não deve ter ido com a minha cara e resolveu me acertar numa estrada mesmo.

 

Bom, escapei ileso – o que não posso dizer do meu pobre carro – e ainda posso dizer por aí, que sei o que fazer caso alguém resolva ter acertar em uma rodovia.

 

Sinceramente: preferia continuar ignorante no assunto!


Escrito por Muta às 03h44
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#H7D0 - Parte I

A Carta

Ano #1011010011101, a raça humana adota a base binária para melhor se comunicar com as máquinas. As bases hexa e octal também são utilizadas dependendo da grandeza envolvida. Ao contrário do que se imaginava, vivemos pacificamente com elas.

O globo esta dividido em três partes, o tratado é coerente. Elas ficam com os pólos devido à baixa temperatura e nós com a zona tropical pelo mesmo motivo além da vasta alimentação.

Em sua época essa comunicação através do tempo ainda não existe; agora existe, mas não é permitido. Não comente com ninguém, o assunto é delicado, nem todos concordam com a aniquilação delas.

Apesar da evolução vivemos como milhares de anos atrás. Nada eletrônico é permitido, assim como elas também não nos escravizam mais.

Agora somos prisioneiros do nosso planeta, nem todos concordam comigo mas mesmo assim tentarei reverter a situação.

Você é minha ultima esperaça! Por favor, leve esta carta até as coordenadas 23º32’36’’S 46º37’59’’O atuais da sua época na data anotada no verso. Lá você encontrará mais informações.

Lembre, está tudo em suas mãos, fico no aguardo.

Atenciosamente,

#H7D0

(Continua no próximo post ...)


Escrito por Agent Smith às 10h16
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#H7D0 - Parte II

Brincando com a verdade

Larissa estranha a carta, olha no verso do envolope mas não vê nenhum remetente. No verso da carta a data do dia de amanhã às 18:00 marcada juntamente com o nome Joana.

De primeira, Larissa imagina ser uma brincadeira sem graça de algum amigo da faculdade, mas como era muito curiosa corre para o seu computador para pesquisar na internet (1) de onde eram aquelas coordenadas. Para sua surpresa o local indicado é a duas quadras de sua casa.

O dia passa como todos os outros mas Larissa dorme com a grande dúvida na cabeça "Quem será o engraçadinho?". Pensando que aquela carta é brincadeira de seus amigos, Larissa vai até o local na data e hora marcadas no verso da carta. Chegando à casa de aparência antiga, Larissa tentar tocar a campanhia, mas antes mesmo que seu dedo tocasse o interruptor a porta se abre e uma senhora com um sorriso agradável diz:

- Olá Larissa, chegou cedo!?

Larissa estranha, pois além de a senhora desconhecida saber seu nome ela realmente estava 15 minutos adiantada do horário indicado na carta. Ainda com a idéia de uma brincadeira, Larissa desfere duas perguntas seguidas sem pensar:

- Olá! Como vai a senhora? Os meninos estão por aê?

- Eu estou sozinha. Você leu a carta?

- Sim, mas que brincadeira sem graça é essa?

- Não é brincadeira, você quer entrar para tomar um chá de camomila com bolochas para que possa lhe explicar tudo?

Vendo que a velha senhora não apresentava nenhum perigo e tendo a certeza que se tratava de uma brincadeira, Larissa entra na casa. Além do que, ela adorava chá de camomila, o que lhe reforçava a idéia de que alguém íntimo estava participando daquela brincadeira.

A casa era muito agradável, tudo ali fazia lembrar a casa da sua avó já falecida. Tentando descontrair Larissa dá seu primeiro chute:

- A senhora é avó do Beto?

- Não, sente aqui que vou servi-la.

A senhora responde enchendo duas canecas com o chá quente e esfumaçando. Larissa senta e ao mesmo tempo tenta imaginar quem era aquela senhora.

- Eu prefiro o meu com adoçante, tudo bem?

- Eu sei minha filha. - responde a senhora de uma forma carinhosa. - Então você pensa que a carta é uma brincadeira de seus amigos da faculdade.

- Só pode né, a senhora que é a Dona Joana?

- Sim, mas não sou nenhum parente de seus amigos, eu sou apenas um "gateway". Fui eu quem lhe repassou a mensagem de seu bisneto #H7D0.

Estranhando mais ainda a conversa da senhora e com a pulga atrás da orelha pelo assunto futurístico, Larissa não acreditando em nada da carta muito menos naquela senhora e lhe faz uma pergunta desafiadora:

- Ah é! Quer dizer que no futuro será possivel enviar mensagens para o passado. E como isso é feito?

- Bem, você ainda não tem conhecimento para entender o processo, mas vou te dar um exemplo prático. Olhe o céu, o que você vê? - A senhora fala apontando para a janela.

- Oras, eu vejo estrelas. - Larissa responde e começa a ficar inquieta.

- Pois bem, essas estrelas não existem mais, elas já viraram poeira cósmica há milhares de anos. Mesmo assim nós agora, neste exato momento, milhares de anos depois, sabemos que elas estavam ali. Percebe que mesmo a matéria delas tendo se espalhado pelo Universo nós temos a informação de sua posição que nos foi enviada através do tempo?

Percebendo que a senhora não estava completamente errada e se interessando pelo assunto, Larissa faz outra pergunta:

- É, mas isso seria do passado para o presente, que não tem nada haver com enviar algo do futuro para o presente.

- Esta é a parte que você não entenderia.

Agora mais confusa do que curiosa, Larissa toma o resto do chá em uma única golada e se levanta.

- Bem, senhora, já que a senhora não vai me falar qual é a brincadeira eu vou embora.

Larissa se dirige a porta imaginando que a senhora estava lhe acompanhando, mas ela continua sentada praticamente imóvel em sua cadeira.

(Continua na próxima semana ...)


(1) No site http://www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br existem fotos tiradas por satélites do Brasil. Você pode navegar pelos estados/cidades clicando nos mesmos até atingir um nível de detalhamento de ruas. Não da para localizar uma casa, mas falta pouco para tal.


Escrito por Agent Smith às 10h15
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Quem matou Lineu? Você tem dúvidas?


Ontem fiz uma verdadeira maratona na TV – vida de desempregado neste país é assim – e me deliciei com o penúltimo capítulo da novela Celebridade, que, aliás, nos faz até tecer comentários no Mestrado. A questão é que Celebridade realmente vale nossa vista periódica, quiçá diária. Por quê? Simplesmente pelo fato de reproduzir a cultura de massa de um país que vive a ideologia do “quero cair fora”, além do tema principal do folhetim: a busca insaciável pelos quinze minutos de fama e a efemeridade do conceito de popularidade. Mas isso é coisa pra intelectual ficar discutindo.

A verdade é que a pergunta que vai ser respondida hoje, e não quer calar, é: Quem matou Lineu? Quem? Quem? Correm os jornalistas a tecerem enquetes e pesquisas, fotomontagens que põem os suspeitos no paredão. E nos perguntamos cada vez mais ansiosos: Quem matou Lineu? Mais uma vez, vai ser alguém que ninguém imaginava, apostas vão ser ganhas – engradados de cerveja e peixadas são os prêmios –, bolões de 500 reais em repartições e tudo o que envolve o bom exercício do jogo limpo e divertido.

Durante esta semana recebi um e-mail hiper sem graça que descrevia os suspeitos – descartável. Acho que todo usuário do hotmail recebeu o spam também. O mais curioso era o fato de eles não colocarem, na lista de suspeitos, os bombonzinhos da Darlene – Darlin e Marlin; para mim e para uma legião de espectadores da novela de Gilberto Braga (que já virou festa do caqui), os possíveis assassinos são os gêmeos lindos da desnaturada Darlene - oa bombonzinhos.

Continuo achando que os vilões não podem se dar mal, como é de praxe acontecer. Se eles se dessem realmente bem, como sempre acontece com quem se aproveita da vida dos outros no País, talvez o autor mostrasse o quanto se aproximaria da realidade. É só no espaço da novela, aliás, que os mocinhos são felizes e os vilões se dão mal. No dia-a-dia é bem o contrário, ou as forças se equivalem.

Já diziam os heróis do desenhos infantis: "o bem vence sempre o mal!!" Tomara que sim!

AVÓ PELUDA
Escrito por Avó Peluda às 14h38
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SEQÜESTROU, É SUA: NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO

Foi preso ontem, nas imediações de Suzano, Jair Mello Rodrigues, mais conhecido como Xexéu, acusado do seqüestro de Janete do Carmo Dutra Aguiar de Souza e Costa, proeminente figura da alta sociedade paulistana.

 

No interrogatório, ante as evidências levantadas utilizando-se as mais recentes tecnologias forenses pelos peritos – evidências estas não divulgadas – e da descoberta das ligações de Xexéu com a dona do sítio onde se encontrava o cativeiro, o meliante não teve como negar.

 

O caso, aparentemente sem nenhuma novidade, foi se tornando inusitado, quando o responsável pelo crime acabou confessando – atrás de um atenuante, talvez – que ele próprio havia denunciado de forma anônima o seqüestro.

 

Atônitos, os policiais pediram mais explicações, ao que Xexéu esclareceu:

 

“Tudo estava indo muito bem. O plano era perfeito, o ‘cafofo’ certinho, tinha descolado uma máscara e tudo o mais. A minha besteira, foi escolher a ‘madama’ errada.

 

Olhando ‘pro’ carrão do ano e as jóias – tudo bijuteria, seu delegado – eu achei que essa dona era firmeza e seqüestrei ela.

 

A dor de cabeça começou quando fui pedir o resgate. O ‘disinfeliz’ do genro da ‘madama’ disse que não teria como levantar o dinheiro para o resgate... Acho que ele ‘divia’ de tá até rindo viu!

 

Desesperado, tentei mais algumas ‘veis’, mas num dava mais. Matar a véia eu não ia, pois nunca fui homem de ter essas coragens. E eu não agüentava mais sustentar a ‘madama’. Eu num ia deixar ela passar fome... e como comia!

 

O jeito então foi denunciar pra polícia mesmo. Afinal, como o Disque Denúncia é anônimo, achei que era uma boa idéia...”

 

Infelizmente, Xexéu não teve nenhum benefício com a história. Mas os colunistas sociais agradecem, pois agora terão assunto para vários dias, tentando entender a situação: afinal, o problema era falta de dinheiro ou falta de amor à sogra?

 

– x – x –

 

Sábado é o grande dia! Conto com a presença de todos no Pró-Sangue do Hospital das Clínicas em São Paulo, para doarmos sangue de forma voluntária!

 

Vamos todos dizer Ni! No Pró-Sangue, por uma sociedade mais solidária!

 

Mais informações AQUI.

 


Escrito por Muta às 00h19
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QUADRAS POLI-ESPORTIVAS

Ontem, num intervalo forçado do Jornal Nacional, eu me diverti com a propaganda política como nunca antes fora possível. Afinal, desde de 2002 não éramos atacados pela enxurrada de candidatos com nomes esquisitos, mídis mais esquisitas ainda e propostas de governo que até Deus duvida, como distribuição de escovas de dente e quadras poli-esportivas.

O programa era do PP – Partido Progressista, antigo PPB – e mostrava o trabalho dos seus vereadores no interior do estado do Rio. Foi muito engraçado! As figuras obviamente lêem uma dália (aquele papelzinho que a Bete fica segurando ao lado da câmera), que parece sempre estar torta, pois quanto mais lêem, mais vesgos ficam. Os olhos vesgos sempre combinam com o bigode e a cara de bebum, camisa quadriculada e chapéu, sempre o chapéu.

Outros têm uma cara óbvia de salafrário: rosto grande, bem grande – tipo Jack Nicholson – um olhar de “Se você é trouxa, está contratado” e as infindáveis promessas de projetos de ajuda a gestantes adolescentes e oficinas de teatro com velhinhas carentes (!) laboratórios de higiene pessoal e construção de casas populares.

São impagáveis também  as pochetudas – eu explico – são aquelas políticas, sempre louras, com óculos escuros pendurados na blusa, pochete que a câmera não capta, mas você sabe que está ali, e um discurso do tipo: “Sempre fui uma mulher de fibra, de raça. Junto com o prefeito XXXX, alcancei muitas conquistas em Belford Roxo e toda a região da Baixada Fluminense; financiei, com recursos próprios, cursos de cabeleireiro e barbeiro para a comunidade da Favela do Rato Molhado” – a risada é incontrolável. É incontrolável não pelo preconceito, pois só pobre pode rir de pobre; é incontrolável porque a vida em si é muito divertida – programa político supera os limites do bom senso: sempre!

Sem contar os grandes feitos dos políticos como:

a distribuição em campanha de escovas de dente, réguas, bonés, camisas com malha super esticável (confira: camisas de político dobram de tamanho com os anos; quando muito viram camisolas e você acaba dormindo com o Zezinho do Posto, ui!);

os beijos em velhinhas e crianças melequentas (que mães desnaturadas dão crianças para os candidatos beijarem e carregarem durante três passos?), além do churrasco após carreatas intermináveis em que moças de peruca e shortinho curto carregam e balançam bandeiras enquanto mandam beijinhos para o povo;

as promessas de construção da Primeira Universidade Pública na Baixada Fluminense; da distribuição de disckmans para crianças carentes; da doação de frutas para ex-viciados em drogas; da construção de hortas e, repito, de quadras poli-esportivas; da retenção de encostas no centro da cidade; e da construção de portais com dizeres como: Seja bem vindo a Sumidouro! Daqui você nunca mais vai querer sair.


Avó Peluda


Escrito por Avó Peluda às 21h03
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O Paradoxo de Nosso Tempo

Olá, o texto abaixo não é de minha autoria, mas me fez pensar muito a respeito. Apesar de eu não ter muito o que comentar, pois concordo em todos os pontos com o escritor, gostaria que cada um deixasse a sua opnião.

Obrigado.

O  Paradoxo de Nosso Tempo
(George Carlin)
 
O paradoxo do nosso momento na História é termos prédios mais altos, mas paciência curta; rodovias mais largas, mas pontos de vista mais estreitos.
 
Nós gastamos mais, mas possuímos menos; compramos mais, mas  aproveitamos menos.
 
Nós temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências e menos tempo; nós temos mais diplomas, mas menos razão; mais conhecimento, mas menos juízo; mais especialistas e ainda mais problemas, mais medicina, mas menos bem-estar.
 
Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critério, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais, e rezamos raramente.
 
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
 
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
 
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.

Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos coisas maiores, mas não melhores.
 
Limpamos a casa, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.
 
Aprendemos a nos apressar e não a esperar. Nós construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
 
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos corpos obesos e das pílulas que fazem tudo, de animar a acalmar, matar.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
 
Uma era que leva essa carta a você, pois ninguem se preocupa mais em escrever para ninguem.
 
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre.
 
Lembre-se de dizer uma palavra gentil a alguém que te admira com fascinação, pois essa pequena pessoa logo irá crescer e abandonar sua companhia.
 
Lembre-se de dar um abraço carinhoso a quem está do seu lado, pois esse é o único tesouro que você pode dar com seu coração, e não custa um centavo se quer.
 
Lembre-se de dizer "eu te amo" a sua companheira(o) e às pessoas que ama em sua "família", mas em primeiro lugar, AME-SE!.

Um beijo e um abraço curam a dor quando vêm de lá de dentro.


Escrito por Agent Smith às 18h18
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Esses Cães Maravilhosos E Seus Donos Voadores

Ter um cachorro em casa e acompanhar sua trajetória de vida pode parecer um tanto prosaico para algumas pessoas. Mas os dignos de possuírem a amizade canina sabem tratar-se de uma experiência emocionante e incrível. Se não, vejamos:

 

O cãozinho chega ainda filhote e brinca com chaves, morde os móveis, faz xixi no tapete e rola pelo chão. Precisa ser ensinado, receber proteção e cuidados.

Passado algum tempo, entra na adolescência canina e acha que toma conta do pedaço, e o dono precisa mostrar que ele é que é o ‘líder da matilha’, o cara que dita as regras.

Nesta ocasião, é como se ele fosse um filho crescendo rápido.

 

Tendo crescido, o cachorro consolida-se como grande amigo e companheiro de seu dono. Espera por sua chegada, passeia com ele, conhece seu humor, e se ele for criança, certamente será cúmplice de suas aventuras e traquinagens.

Aqui o au-au, de filho, passa a ser um verdadeiro irmão.

 

Corajoso e um tanto ciumento, o cachorro dedica-se a proteger sua família humana com unhas e dentes, até ficar bem velhinho. E embora com os músculos mais fracos, menos brincalhão e talvez um pouco ranzinza, ele continuará carinhoso, leal e companheiro....

... como um pai.

 

Por crescerem muito mais rápido que nós, acompanhamos todas as fases da vida de nossos animais de estimação, mas diferentemente de uma planta, eles interagem conosco e também nos vêem crescendo. Sorte de quem ganhou um cãozinho quando criança e pode tê-lo por muito tempo, porque aí a mágica é ainda maior. Meu cachorro, o Totó, foi criança junto comigo, foi adulto quando eu era uma adolescente e idoso quando eu fiquei adulta. Cuidou de mim como eu cuidei dele.

 

Sei que neste momento há alguém chorando pela morte de um desses amigos. Essa é a parte ruim de uma história que não poderia terminar de modo menos emocionante. Provavelmente, estará lembrando da primeira vez que o viu, sentindo remorso pelas broncas dadas, imaginando se ele deve ter sentido alguma dor, tudo misturado com saudade e com o medo de chegar em casa e saber que desta vez alguém não estará ali ansioso para recebê-lo.

 

Se acreditasse em Papai do Céu, estaria certa de que todos os amigos cachorros estariam num lugar igual à Ponte do Arco-Íris*. Mas como não acredito, consolo-me em voejar com o pensamento pelas lembranças e reconhecer que, inevitavelmente, um dia eu também partirei para o mesmo lugar onde eles estão.


Escrito por Atena às 14h27
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* Num lado do paraíso existe um lugar chamado Ponte do Arco-Íris. Quando um animal morre, aquele que foi especialmente querido por alguém, vai para a Ponte do Arco-Íris. Lá existem campos e colinas para todos os nossos amigos especiais, pois assim eles podem correr e brincarem juntos. Lá existe abundância de comida, água, e raios de sol, e nossos amigos estão sempre aquecidos e confortáveis. Todos os animais que já ficaram doentes e velhinhos estão renovados com saúde e vigor; aqueles que foram machucados ou mutilados estão perfeitos e fortes novamente, exatamente como nós nos lembramos deles nos nossos sonhos, dos dias que já se foram. Os animais estão felizes e alegres, exceto por uma coisinha: Cada um deles sente saudades de alguém muito especial, alguém que foi deixado para trás. Todos eles correm e brincam juntos, mas chega um dia quando um deles pára de repente e olha fixo na distância. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo impaciente começa a tremer levemente. De repente, ele se separa do grupo, voando por sobre a grama verde, mais e mais rápido. Você foi visto e quando você e seu amigo especial finalmente se encontrarem ficarão unidos num reencontro de alegria, para nunca mais se separar. Os beijos de felicidade vão chover na sua face; suas mãos vão novamente acariciar tão amada cabecinha, e você vai olhar mais uma vez dentro daqueles olhos cheios de confiança, que há muito tempo haviam partido da sua vida, mas que nunca haviam se ausentado do seu coração. Então vocês, juntos, cruzarão a ponte do Arco-Íris.

 

(autoria desconhecida)

In memoriam de Átila


Escrito por Atena às 14h27
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"Quando saltamos do ideal à prática, as coisas acontecem..." - BruCe

"Temos de ser a mudança que queremos no mundo" - Monja Coen.

 


Escrito por Bruce Werk às 09h58
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  (Leonel Brizola)


- 1

(Série Políticos Otários | - Quando será a vez do Maluf? Aguardemos ansiosos...)


 
Escrito por Bruce Werk às 09h17
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Sobre chimpanzés e outras mutações

“O grupo dos chimpanzés já não é a horda submissa à tirania desenfreada do macho polígamo, mas sim uma organização social com diferenciação interna, intercomunicações, regras, normas, proibições.”¹

 

Foi um longo e penoso caminho até que os chimpanzés chegassem a esse ponto de socialização. E vale ressaltar que ainda não chegamos onde deveríamos. Nesse mundo quase dominado por chimpanzés selvagens, os poucos e quase extintos Homo sapiens restantes lutam para mudar a situação. E a maior arma nessa guerra entre primatas é sem dúvida, o conhecimento. Portanto, vale lembrar como tudo começou...

 

No princípio o Big Bang criou o céu e a Terra. Por ser um fenômeno inconsciente não houve ninguém pra dizer depois “e ele viu que foi bom”.

 

Mas foi a evolução quem povoou a Terra de seres inúteis. Sim, a evolução do Design Inteligente (de acordo com os novos criacionistas que agora preferem ser chamados de “adeptos da teoria” que carrega o mesmo nome. Para fins de termos técnicos usaremos a seguinte abreviatura: “E.D.I.”, para: Evolução por Design Inteligente).

 

Após “criar” seres que não servem pra nada como lêmures, tarsus, tarsilas e amaral (EDI sempre foi meio confusa), ela optou por fazer evoluir algo mais útil, mesmo que essa suposta utilidade fosse um tanto inútil num contexto mais amplo (sinais de inteligência duvidosa). Assim surgiu Dimas, o 1º dos chimpanzés selvagens.

 

Durante muito tempo esse foi o argumento de defesa usado pelos chimpanzés: “chegamos aqui primeiro, o mundo nos pertence”. Essa frase foi proferida por Jesus, um artista plástico da antiguidade, famoso por suas esculturas de madeira. Foi com base nessa ideologia que Jesus montou o primeiro grupo terrorista da história, posteriormente conhecido como “Os 12 macacos”. Dizem que na época, até Brad Pitt quis entrar para o grupo, mas como era um Australopithecus afarensis, isso não foi possível (os chimpanzés sempre foram muito segregacionistas). O livro deixado pelo grupo, popularmente conhecido como Bíblia Sagrada, até os dias de hoje é usado como base para se cometer as maiores atrocidades por terroristas e delinqüentes diversos.

 

Mas voltando a Pré-História... Dimas logo tomou conhecimento das faculdades etílicas do mundo em que se encontrava, e assim, com toda a felicidade de um paraíso apenas seu para desfrutar, conhecer e criar, Dimas era capaz apenas de se embriagar e recitar poemas. Passava manhãs, tardes e noites recitando. E EDI viu que não foi bom. Porém satisfazia-se em estudar as capacidades mentais de sua “criação”. É claro que quando Dimas inventou a arte pós-moderna EDI decidiu dar um basta naquela palhaçada.

 

___________

¹ MORIN, Edgar. O enigma do homem. Cap. 3: “Nossos irmãos inferiores”. Círculo do Livro, São Paulo.
Escrito por Srta. Quaresma às 07h19
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E para isso, a próxima coisa a ser criada seria o sexo explícito e o voyer. Assim surgiu Michele, a primeira fêmea chimpanzé. O resultado disso, nosso leitor Homo sapiens já deve ter sido capaz de prever: nem utilidade e nem diversão. Dimas e seus descendentes mostraram-se incapazes de realizar as tarefas mais simples, como fabricar e utilizar uma ferramenta, ou até ler Bukowski aos 20 anos de idade. Ou até ter uma ereção. O famoso “crescei e multiplicai-vos” não foi um conselho muito bem vindo, digamos assim.

 

Acima de tudo, EDI estava de saco cheio. Observar aqueles seres era muito mais chato do que passar horas vendo peixinhos num aquário. Até porque os peixinhos de EDI eram monstros marítimos gigantescos e pré-históricos que ela havia desenvolvido bilhões de anos antes. Definitivamente os chimpanzés não constituíam o que se pode chamar de entretenimento. A primeira coisa que passou pela cabeça de EDI foi afundar todos aqueles fãs de Fernando Pessoa num dilúvio de proporções mundiais. A segunda coisa foi: “Nããão... muito sádico...”

 

E foi neste momento, por volta do Plioceno/Pleistoceno, que a luz da sabedoria veio à tona: Por que não... Hominídeos? Sim, hominídeos! Seres que não só lessem Bukowski aos 20 anos de idade, como também fossem plenamente capazes de reconhecer que Bukowski só podia ter sido um chimpanzé selvagem. Seres que pudessem ter uma ereção e levassem o “crescei e multiplicai-vos” a sério. Que fizessem filmes pornôs e piadas inteligentes na mesa do bar. Seres... suficientemente complexos.

 

Deu-se início ao processo de aperfeiçoamento. Depois de muitos hominídeos, muitos Homo alguma coisa, e muitos milhões de anos, chega-se ao ápice. Sim, a evolução do design inteligente sempre teve um objetivo final: Homo sapiens num mundo globalizado. E sim, essa última frase foi totalmente irônica e pejorativa. Mas não sendo de forma alguma meu objetivo desviar o assunto, voltemos à questão fundamental...

 

É fato que a hominização da sociedade foi muito útil para EDI. Agora ela podia se divertir fingindo ser um telespectador do Big Brother. Mas para os chimpanzés selvagens... nada foi tão doloroso quanto a sua mais nova e cruel condição de desfavorecimento frente à seleção natural.

 

Num misto de inveja e discriminação, os chimpanzés deram início ao maior confronto da História.

 

E de lá pra cá, nada mudou...¹

 

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¹ Mais informações em http://nochimp.cjb.net – Um site para você que cansou de abusos.
Escrito por Srta. Quaresma às 07h18
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ALÍVIO MASCULINO - PARTE 1

Artigo publicado na mais recente edição da renomada revista científica “Scientific What?” (1) trata de assunto que trás extrema preocupação para homens de diversas idades. Pensando nisso, transcrevo abaixo o artigo:

 

Próstata: o exame não será mais um problema!

 

Aos homens, surge uma luz no fim do túnel, ou melhor, na entrada dele.

 

O Urologista Joseph Vastalakuska, chefe de pesquisa médica da Universidade Federal da República do Turcomenistão (2), acaba de anunciar detalhes sobre um novo método de exame clínico, menos “agressivo” que o conhecido exame de Toque Retal, com o intuito de determinar alterações na próstata.

 

Segundo o jovem urologista, que em dois meses completa 40 anos de idade, é fato notório a grande preocupação demonstrada por pacientes homens, quanto à necessidade da realização do exame de Toque Retal. “Muitos pacientes demoram A realizar a sua primeira visita a um urologista, temendo a realização de tal exame”, explica o pesquisador.

 

Pensando nisso, ele e sua equipe realizaram grandes esforços na tentativa de encontrar um método substituto para o atual exame; e, após cinco anos finalmente parecem ter encontrado uma solução: “Foi duro, mas parece que finalmente desenvolvemos um método alternativo!”, exclama, exultante, o médico.

 

O novo exame visa a automatizar o processo, de forma a evitar o máximo possível o contato humano. “Substituir a presença da ‘mão’ do médico foi o ponto de partida”, relata Sasser Ystatilian, subchefe do projeto.

 

Dessa forma, os pesquisadores passaram a utilizar um catéter, com uma câmera na sua extremidade, para a realização dos exames. Além disso, como nos catéteres utilizados nas angioplastias, ele é dotado de um balão inflável que visa a adaptação do instrumento a inúmeros ambientes. A possibilidade de utilização de catéteres foi muito bem vinda, pois os pesquisadores não tinham certeza se o protótipo inicial de seis centímetros de diâmetro seria bem aceito pela maioria da população.

 

Além disso, a utilização de um dispositivo já existente, foi crucial para o projeto, pois, dessa forma, mais recursos puderam ser desenvolvidos com a verba disponível. Assim, foi concebida uma membrana especial, que tem a capacidade de “sentir” alterações na superfície da glândula, fato que até recentemente justificava a necessidade do Toque Retal.


Escrito por Muta às 22h09
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ALÍVIO MASCULINO - PARTE 2

“Acreditamos piamente que esse novo recurso irá atrair mais e mais pacientes para os consultórios, devido ao fim da constrangedora situação. Agora, uma simples cadeira adaptada para o exame permitirá que, mesmo durante uma consulta normal, o exame fosse realizado sem maiores problemas.”, diz o Dr. Joseph. “Além disso,” – destaca o Dr. Sasser – “estamos certos da eficácia do novo método e da pronta aceitação tanto dos médicos quanto dos pacientes.”

 

Entretanto, apesar das vantagens demonstradas na utilização do equipamento, diversas entidades mundiais têm mostrado uma posição contrária à nova idéia, reclamando de que o fator humano nunca poderá ser substituído em um exame que exige um certo “carinho” para ser realizado.

 

Ainda assim as entidades médicas mundiais já iniciaram os trâmites de regulamentação do procedimento e ressaltam também a necessidade de adequação das leis de cada país, criando a obrigatoriedade da criação de dispositivos legais que venham a prever o anúncio da presença e identificação das cadeiras dedicadas ao exame, visando a evitar o uso acidental do equipamento.

 

Do correspondente no Turcomenistão.

 

– x – x –

 

Com o intuito de promover a prevenção antecipada de alterações na próstata, a “Scientific, What?” ressalta a importância da realização de exames periódicos, nos homens, a partir dos quarenta anos de idade.

 

Obs.:

(1) “Scientific, What?” é uma respeitada revista científica de circulação mundial, mas que infelizmente ainda não é publicada no Brasil, nem na Europa, Ásia, América do Norte e Oceania. – MUITO BOM

(2) Turcomenistão é um país do Oriente Médio com área menor que a cidade de São Caetano do Sul.

(3) Este artigo é uma obra de pura ficção. Quaisquer semelhanças com fatos, nomes, dedos ou pessoas reais terá sido mera coincidência.

 

– x – x –

 

Que tal um programa diferente para um sábado de manhã? Então, além de dar um pouco de risada e conhecer algumas pessoas interessantes, o que vocês acham de praticar o nobre ato de Doar Sangue voluntariamente?

 

Pensando nisso, o pessoal do Garotas que Dizem Ni! (as Garotas e o pessoal do Fórum) está organizando a campanha Ni no Pró-Sangue. Clique e participe!


Escrito por Muta às 22h09
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Prato Frio
(Conto – BruCe | Geta)



"Se sacudirmos uma ‘garrafinha’ de refrigerante, ao abrir sua tampa, prepare-se: pois vai espirrar..." - BruCe.

Já cansado de agüentar as mesmas brincadeiras por causa de sua imensa forma física, Henrique nutria uma fúria reprimida pelos amiguinhos de classe.

Com quase 14 anos de idade, era burro como uma porta e já havia repetido incontáveis vezes a 5º série do primário. Gordo e desajeitado, cheio de espinhas, tímido e com um aparelho dental que mais parecia um cabresto de cavalo, não tinha nenhum jeito com meninas e tão pouco com o convívio social.

Por ser grande demais para sua idade, ser mais velho e atrasado nos estudos, ter tetinhas e pelos pubianos, era o alvo de gozações sem fim e de brincadeiras de mal gosto que feriam seu ego, seu humor e sua integridade moral.

Henrique nunca havia se irritado, não movia um músculo para se proteger, não respondia a insultos e nunca chorava quando humilhado. Impassível e inerte, parecia ter um escudo mágico, um campo de força invisível que o protegia de tudo e de todos à sua volta. Esse era o perigo, essa era sua arma mortal.

Depois de anos e anos agüentando moleques bolinando sua moral, colocando em risco sua sexualidade e seu comportamento, nos confins de sua mente doentia; Henrique não tinha nenhum plano selvagem e vingativo, apenas deixou brotar seus instintos primatas que haviam se escondido durante toda a sua existência.

Em sua sala de aula, toda enfeitada com cartazes da recente história do país, Henrique deixou extravasar sua fúria infanto-juvenil como a erupção de um vulcão.

Rereque, como era chamado, levantou-se repentinamente durante a troca de professores e dirigiu-se para frente da sala de aula. Seu andar lento e desajeitado foi ressoando como uma marcação contínua e militar até o seu destino. Sua roupa suada e manchada de gordura de algum tipo de doce era sua farda de batalha. Sua face sem emoção, sua arma.

Sem entenderem ao certo o que estava acontecendo, os outros alunos, a princípio, o admiravam assim como as fotos dos antigos presidentes. Logo depois começaram a zombar de Henrique. Finalmente o estopim estava aceso e Rereque já havia passado do ponto sem volta. Quando plantou seus dois pés no tablado de madeira que ostentava os professores durante as aulas, Henrique relaxou. Soltou um suspiro forte e derradeiro, abriu os olhos e encarou com coragem todos os seus oponentes. Essa era a hora da verdade.

Baixando a calça e a cueca, Henrique sacou de sua grosseira e obscena pélvis o instrumento de sua masculinidade e com uma cadência determinada começou a se masturbar diante de toda a sala.

Com aquela visão aterradora e obscena todos os seus amiguinhos se calaram e prestaram uma atenção cativa aos determinados golpes de Henrique. Meninas e meninos impressionados choravam e pediam, por favor, para ele parar com aquilo. Rereque não escutava mais...

Compenetrado e concentrado em seu espetáculo de horror, Henrique encarava a todos com um olhar sóbrio e calmo. Sua mão ao roçar em seus pentelhos crespos e vermelhos produzia um chiado perturbador e obsceno. O desespero dos jovens espectadores foi aumentando à medida que Henrique aumentava o ritmo de suas investidas. Gritos de pânico e choros de súplica soavam como música de ciranda na cabeça de Henrique. Isso o deixava mais instigado e excitado. Em pouco tempo ele chegou ao seu objetivo.

Como uma mangueira de jardim, despejou por toda a sala o objeto de todas as infindáveis gozações e sátiras que agüentou durante anos. Alguma coisa entre o descomunal e o absurdo brotou da pélvis de Henrique atingindo desordenadamente sua platéia emocionada.

Aliviando completamente tudo aquilo que a natureza havia colocado em seu ventre, chacoalhou o pinto educadamente e o guardou em sua cueca ensebada. Com uma delicadeza sublime ergueu também a calça, ajeitou o saco e fechou a barguilha inclinando o corpo como que reverenciando a platéia, agradecido com tamanha comoção.

Da mesma forma que subiu, ele desceu do tablado e com a mesma moral e educação voltou ao seu lugar e tranqüilamente sentou-se.

Soluços e convulsões ainda eram ouvidos por toda a sala, lágrimas e preces misturavam-se como uma suplica de alívio. Nos lábios gordurosos de Henrique um esboço de satisfação permaneceu até depois da porta da sala se abrir...

Vai ser difícil a prova de matemática...



Imagem: REREQUE® | Ação X Reação...



"Que os méritos de nossa prática
se estendam a todos os seres.

(Fim deste POST)
E que possamos todos nos tornar
o caminho iluminado."

Escrito por Bruce Werk às 09h26
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Estrela da Manhã

Era uma vez um reino. E era uma vez uma garotinha, nascida nesse reino em uma época distante, quando as mulheres ainda não eram consideradas totalmente... pessoas. No entanto, essa menina havia sido predestinada para brilhar. Estrela da Manhã era o seu nome.

A pequenina transformou-se em uma bela jovem, e certo dia colhia flores em um bosque quando notou alguma coisa que sobrevoava aquela região. Ao olhar para o alto, encantada reconheceu o personagem das histórias preferidas que ouvia de seus pais antes de dormir: um Domador de Pássaros montado em seu alado gigante, passando rápido, ofuscado pelo sol vespertino.

Estrela da Manhã passou a seguir as pistas dos Domadores de Pássaros que passavam por aquela região. Por ser insistente, um dia conseguiu fazer com que fosse levada num de seus passeios, realizando seu primeiro grande sonho de visitar o céu.

Um destes domadores, surpreso com a paixão da jovem pela arte de voar, prometeu à Estrela da Manhã que a ajudaria a tornar-se uma Domadora de Pássaros também. Escreveu uma carta a um de seus mentores recomendando-a, pouco antes de partir para sua última viagem.

Estrela vendeu tudo o que possuía e disse adeus aos pais. Deixando seu pequeno povoado, dirigiu-se a uma cidade imensa, onde seu instrutor recebeu-a para as primeiras aulas.

Dedicada, corajosa e persistente, ela aprendeu a dominar os Grandes Pássaros, e logo a notícia de que uma moça de apenas dezessete anos havia realizado esta proeza correu todo o reino.

As pessoas reuniam-se para vê-la planar sobre os campos verdes da região. Todos admiravam a jovem Estrela da Manhã.

O próprio Domador de Pássaros Número 1 soube de sua fama e a presenteou com um brasão encantado, para protegê-la em cada um de seus vôos. Estrela sentiu-se eternamente grata e jurou retribuir àquela grande honra.

Enquanto a maioria das mulheres realizava seus sonhos dourados ao se tornarem esposas e mães, Estrela da Manhã vivia uma paixão ardente com o infinito. Os anos se passaram e agora aquela mulher colecionava inúmeras façanhas. Já havia cruzado distâncias incríveis, atravessado reinos, ensinado a outros a arte que aprendera a dominar. Admirada por reis, monarcas e imperadores de nações próximas e longínquas, era convidada de honra nos banquetes e festas mais suntuosas. Seu prestígio foi suficiente para convencer o capitão da famosa Ordem de Cavalaria Cósmica a homenagear o Domador de Pássaros Número 1. Assim, o nome dele foi escrito com tinta brilhante e eterna na superfície da Lua, e Estrela finalmente devolveu-lhe a gentileza que a alentou durante todos aqueles anos.

Até mesmo pouco antes de completar um centenário de vida, ao contar suas peripécias aos mais moços, eles se encantavam ao perceber que a jovem brilhante e sonhadora continuava bem ali em suas frentes, não obstante do lado de fora vissem somente uma senhora vagarosa e frágil.

Embora toda história de aventuras precise de grandes derrotas e reerguidas para encantar aos olhos dos leitores, esta não contará com este artifício, pois a vida de Estrela da Manhã foi toda para as conquistas e vitórias, contrariando as expectativas mais otimistas que pudéssemos ter quanto a uma jovem, de um tempo distante, que quisesse aprender a voar.


Escrito por Atena às 11h26
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Pareceu-lhe um autêntico Conto de Fadas? Note bem, não há nada de familiar nesta história um tanto imaginativa?

Pois é, tudo isso aconteceu de verdade, aqui no Brasil. Basta trocar palavras como reino por país, monarcas por presidentes, etc, e logo surgirá a história de uma das pioneiras da Aviação feminina no Brasil, Anésia Pinheiro Machado.

Nascida em 1904 na cidade de Itapetininga, deixou o interior de São Paulo para morar na capital onde, em 1921, iniciou seus primeiros estudos de aviação através do apoio do capitão João Busse, piloto da Força Policial do Paraná, que escreveu um bilhete recomendando a jovem ao tenente Reynaldo Gonçalves, aviador da Força Pública de São Paulo, pouco antes de sofrer um acidente fatal durante uma decolagem.

Com apenas dezessete anos, Anésia foi a primeira mulher a realizar um vôo-solo no Brasil. Em 1922, voou de São Paulo ao Rio de Janeiro em quatro dias, em homenagem ao Centenário da Independência, tornando-se a primeira brasileira a realizar um vôo interestadual. Nesta ocasião recebeu muitas homenagens, em especial a que lhe foi prestada por Santos Dumont, que juntamente com uma carta de felicitações, presenteou-a com uma réplica da medalha que ele próprio havia recebido das mãos de Princesa Isabel.

Anésia também foi a primeira aviadora brasileira a realizar em 1951 um vôo transcontinental, ligando as três Américas, e também a que cruzou a Cordilheira dos Andes em avião monomotor, pelo Passo do Aconcágua.

Em 1973, Ano do Centenário do Pai da Aviação, pôde homenagear este grande brasileiro nos Estados Unidos, quando por sua sugestão o Comitê Internacional de Nomenclatura Astronômica deu o nome de Santos Dumont a uma cratera na Lua.

Pouco antes de falecer aos 95 anos, lúcida como em sua juventude, Anésia afirmou: “Tive a vida mais feliz que alguém poderia ter”.

Na minha opinião a história dela, que conheci há pouco tempo assistindo a um documentário na TV Cultura, é a prova de que o esforço e a determinação são meios eficientes para se transformar sonhos em realidade. Até mesmo se eles forem fantasiosos como os contos de fadas... 

Fontes para consulta:

Página de Personalidades do Comando da Aeronáutica

Página organizada por Alex Pinheiro Machado Rodrigues

(Obs: Nesta página o ano de nascimento de Anésia aparece como 1902, e nos demais materiais consultados, 1904, portanto, adotamos este último).

Documentário: "Anésia, Um Vôo no Tempo" (Ano 2000, Direção de Ludmila Ferolla. Duração: 73 min.)


Escrito por Atena às 11h25
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PONTO DE VISTA

Cena 1 – O Passageiro

Ele sabia que estava sendo guiado, mas por quem ou para onde eram incógnitas. O ronco surdo do motor somado aos riscos formados pelas luzes que passavam em alta velocidade só o deixavam mais confuso!

Aos poucos ele parou de se importar, e foi transportado para um mundo onde não precisava se importar com mais nada, a não ser com a beleza do momento.

Sentido o vento batendo fortemente no seu rosto, lentamente ele olha para trás, e percebe a formação de uma nuvem de gotas brilhantes que pareciam se formar logo atrás do carro.

Ele estava entregue. Que viessem as luzes. Que o levassem para onde quer que fosse.

Nada mais importava.

Cena 2 – o Motorista

Ai meu Deus, ai meus Deus!

Mais depressa, eu não posso parar! Tenho que ir o mais rápido possível!

Droga, o que eu faço agora? Eu sabia que essa história não tinha como acabar bem.

Passageiro, me ajude! Preste atenção e me ajude! O que eu faço agora?

Não, não coloque a cabeça para fora, é perigoso... Não olhe para trás! Não!!!

Mais rápido, só posso ir mais rápido!

Cena 3 – O Transeunte

O som de um carro se aproximando em alta velocidade, chama a sua atenção imediatamente!

Na mesma hora ele é tomado pelo medo. Sabia que andar aquela hora da noite sozinho pela cidade não era uma boa idéia, mas ele tinha que provar para todos que era capaz.

Mesmo contra todos os pedidos da mãe, da namorada e dos amigos ele saiu e decidiu encarar o mundo sozinho, pois finalmente estava pronto para o que desse e viesse!

Olhando fixamente para o carro que se aproximava, percebeu que estava imóvel!

No meio da curva, se o carro perdesse o controle, ele seria atingido diretamente. Diante do inevitável, ele aceitou o seu provável destino e esperou...

Mas como que por obra do Divino, o carro conseguiu fazer a curva. Já chorando de emoção, não conseguia enxergar quase nada devido às fortes luzes dos outros carros.

Neste momento, como que definitivamente agraciado pelo Altíssimo, viu uma nuvem brilhante emanando do veículo quase algoz em sua direção. Na iminência do momento mágico, sentiu-se orgulhoso por estar ali, depois de ter enfrentado a todos.

Só que o orgulho durou pouco. Após sentir-se banhado por uma aura de aprovação, começou a sentir outra coisa: o odor nauseante e característico de um refluxo estomacal!

Epílogo

O Passageiro estava na iminência de um coma alcoólico e vomitou.

O Motorista dirigia desesperadamente para levar o amigo a um hospital.

O Transeunte, bom o Transeunte teve que voltar para casa para tomar um banho.


Escrito por Muta às 20h55
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#H7D0 - Parte I

Ano #1011010011101, a raça humana adota a base binária para melhor se comunicar com as máquinas. As bases hexa e octal também são utilizadas dependendo da grandeza envolvida. Ao contrario do que se imaginava, vivemos pacificamente com elas.

O globo esta dívidido em três partes, o tratado é coerente. Elas ficam com os pólos devido abaixa temperatura e nós com a zona tropical pelo mesmo motivo além da vasta alimentação.

Em sua época essa comunicação através do tempo ainda não existe, agora existe, mas não é permitido. Não comente com ninguém, o assunto é delicado, nem todos concordam com a aniquilação delas.

Apesar da evolução vivemos como a milhares de anos atrás. Nada eletrônico é permitido, assim como elas também não nos escravizam mais.

Agora somos prisioneiros do nosso planeta, nem todos concordam comigo mas mesmo assim tentarei reverter a situação.

Você é minha ultima esperaça! Por favor, leve esta carta até as coordenadas 23º32’36’’S 46º37’59’’O atuais da sua época na data anotada no verso. Lá você encontrará mais informações.

Lembre, está tudo em suas mãos, fico no aguardo.

Atenciosamente,

#H7D0


Escrito por Agente Smith às 18h18
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Em torno do tempo...

Mais um dia de trabalho começando... De saída... Frio lá fora... Cerração forte, não se sabe ao certo a estação do ano (há anos isso é ignorado). O café de sempre, forte; o jornal de sempre, notícias de uma realidade não muito distante...

 

Homem jovem, bem apanhado, boa saúde... Com as novas tecnologias, não existem mais doenças. Câncer, AIDS e outras já não assombram a humanidade desde antes de seu nascimento.. Dinheiro é relíquia, material de museu. Não é mais necessário, os Governos se organizaram de forma a não usá-lo mais.

 

Hoje, o que vale é tempo de vida. Trabalha-se por ele. Todos querem, mais e mais!!! Ninguém se contenta com algumas décadas, querem séculos em suas contas correntes. Poucos são os que realmente se esforçam para ganhá-los aos montes. Ou ainda, um ou outro trambique, para burlar sistemas rígidos de segurança que controlam os períodos para cada habitante.

 

Mas ele estava tranqüilo, não tinha ambições tão grandes assim... Seus setenta e tantos anos na conta eram suficientes para manter sua tranqüilidade, até o dia em que quisesse aproveita-los melhor, quem sabe com uma boa mulher...

 

De repente, um som ensurdecedor. Uma campainha, como de um despertador, faz com que se contorça no chão. ‘Atenção, portador da CC 2863321-2, seu saldo é de 2 horas. Queira recarregar sua conta. O não cumprimento resultará em seu descarte.

 

O que? Duas horas? Não seria possível!!! Descartado??? Os extratos, onde estão os extratos!!!!! Vi ontem mesmo, os valores, como pode!!????

 

O desespero toma conta... Em questão de minutos poderia sucumbir, tornar-se nada por conta de um erro!! Sim, um erro, pois não era possível todos os seus anos conquistados com tanto trabalho terem desaparecido assim, como nada!!! Sim, aqui estão, direto ao banco!!

 

E pensar na noite anterior, aquela boate, aquela loira, maravilhosa... e agora, este inferno!!!!! O trânsito é uma triste e velha herança, não há como fugir... Mão nos cabelos negros, outra segurando com força o volante, suor escorrendo pelo rosto.. anda, anda!!! Faltam ainda uns 92 minutos...


Escrito por Leila lnoddle às 10h59
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Desde o senhorinho Aristóteles, sim, aquele que era namorado do Platão e dizia, na Arte Poética, que as ‘mulheres tais quais os escravos são seres meramente vis’ – ele já deitou: que bom, ou não, aprendemos sobre a retórica. Viver para convencer o outro de sua posição ante a vida é mais ou menos resumo do que somos. Cazuza clamava desesperado por ideologia; Renato Russo acreditava que a Geração Coca-Cola poderia derrubar reis, fazer ver os caras lá do planalto comédias feitas com as leis que eles mesmo promulgaram. Ideologia e mentira, aparelhos de poder e dominação gratuita, a Bastilha, os refugiados dos quase 30 anos de guerra em Angola, os vietnamitas que não entendiam o porquê daqueles branquelos tão violentos, os que não podem visitar Chernobyl, os que têm câncer por conta de Chernobyl, os que viraram/viram/virarão urubus nos lixões dos anos 80,90,00,10,20,30, os que votam no Fama, os vendem seu corpo nas esquinas, os que usam gravata, os que não querem saber de mais nada além de ter prazer, os que compram gato por lebre – ideologia: querem uma pra viver?

Stalin convenceu meio mundo de sua posição


<>

O mundo anseia por mais estátuas deitadas:







Thánatos era na mitologia grega a morte. Os que morrem de fome.





Os que morrem de morte calma. Os que morrem de morte desistente. Os que derretem. Os que morrem de morte derretida. Derreteram-se os dentes. Os que morrem de incoerência. Os que morrem de falta de língua. Os que morrem de falta de fala. Os que não morrem porque não têm onde morrer. Thánatos não deitou.

Antônio Conselheiro – os que morrem pelo anti-cristo da república e esperam dom sebastiam e esperam dons sebastiãos e esperam a carterinha do sus e esperam um bastão, esperam uma completude, esperam um tétano menos agressivo, esperam voar mais baixo, esperam voar com penas menos sujas, esperam três deuses: os médicos, os advogados, os engenheiros. Tanta pena suja eles esperam limpa-las. Esperam porque é a espera o dom maior dos homens – não a fala.

Têm um sangue tão ralo os que esperam a beterraba é mais rala os dentes são mais ralos e o corpo já se fundiu à terra que os rejeita e têm em si uma busca por tudo que não está aqui mas está ali há sempre um lá que não se alcança têm em si a busca do sim pelo não que já vêem na própria constituição têm em si um lá eles são lá Sexta-feira é sempre o nome de quem tem em si um lá que não musica nada além de um choro parecido com o canto dos urubus e com a voz das girafas esse vidro tão distante e frio que se perde nesse lá estão todos nesse lá nessas vitrinas pro mundo. Os chefes do governo vêm, se reúnem, fazem fórum, organizam a distribuição do ter – mas eles não têm. Eles só têm os fios dos telefones que roubam e o sangue ralo que vagueia pelas veias e essa hemorragia não há quem estanque um sangue tão ralo como esse não há quem faça parar.

Cansados, eles gritam Eu e devagar o som se propaga no ar até ir de encontro às vitrinas e não passa o som não passa lá Eu lá cá eu vejo eles todos e o grito fica eterno e devagar não pára o vidro manchado de hemorragia e um sangue quase água se esvai Thánatos não deitou eles deitaram eternamente em berço esplêndido.



Avó

Escrito por Avó Peluda às 17h40
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Ref. Idéias Mutantes


De onde vem o material?
 

"INTERPOLANDDEUTSCHEBANKFBIANDSCOTCHLANDYARDCIAANDKGBCONTROLTHEDATAMEMORY" - Kraftwerk.

Saudações:

Confesso sincera e amplamente que possuo uma obtusa inclinação para o lado das idéias que versam sobre que os textos deveriam de fato ser DE NOSSA AUTORIA.
Semelhante inclinação percebo em Agt. Smith.
Todavia, além de fornecer apoio ao citado colega, TENHO ainda a pretensão de devanear publicamente informando o que ora penso:
Evidentemente que importo-me (de alguma forma) com o projeto como um todo, porém, para eu mesmo que diferença faz?
- Que diferença faz se o texto que está na tela era ou não de algum de nós?
- Que diferença faz SE EU MESMO, O BruCe, vou colocar por excelência textos meus...? Que diferença faz se prefiro eu mesmo escrever meus textos, assim o praticando em maioria de vezes?
E escrevo para eu mesmo, desconsiderando platéias... Apenas escrevo... Que alguém leia, parece-me uma espécie de agradável conseqüência; que alguém compreenda, parece-me então o clímax (topo) do ato como um todo...
Escrever (o processo criativo e até mecânico) por si só é muito bom, platéia, eco e absorção de idéias me parecem conseqüências, ou não.
Quando ao visitar o projeto, lendo, percebo que algo ali no meio do site saiu da cabeça de alguém que troca e-mails comigo ou que talvez um dia possa dividir a mesma mesa do mesmo restaurante que eu... Enfim, alguém acessível e que de certa forma "conheço"; confesso que prefiro, confesso que se assim, prestigio mais, há maior vontade de ler... Inexplicável, porém verdadeiro...

Salve o acessível, salve o que vem de dentro, o “anônimo” que você conhece ou pelo menos deveria conhecer tão bem... Que fale o “eu-verdadeiro”, não o “eu-psicólogico” aquele “eu” que fica confortável com você mesmo, aquele “eu” que tem a manha de ficar pelado na sua frente, ou o “eu” sem peias, o não “viciado”, o não formatado.

Basear-se é uma coisa.

Reproduzir é outra.

(Nada de errado com nenhuma, nem outra, contudo, tenho minhas inclinações de preferência, ora aqui declaradas. Não há criticas nem tendências, inexiste o julgamento. Há apenas um “diálogo”, uma explanação gratuita, ou não)

Finalmente encerro-me compondo:

"Um site de ESCRITORES anônimos...
urbanos...
humanos...
humanos criamos...
criam-se...
diferenciam-se"


(Espécie de haikai; chamá-lo-ei: IM). Se tal sentença - apesar da expressão usada - de alguma forma fizer algum sentido; e se em algum dos infindáveis confins do seu máximo vazio e plenitude simultâneas de idéias, aproximar-se, ou sequer esbarrar na proposta do projeto, penso que talvez então não precise ser lida duas vezes... ISSO INSPIRAR-ME-IA ESCREVER, CRIAR, COMENTAR, COMETER ALGO...


Estejam em PAZ.

Grato.

Despedidas.

(Bruno Cesar – BruCe)




Imagem: I.M.® | 2004 - Todos os direitos reservados



"Que os méritos desta prática
se estendam a todos os seres.

(Fim deste POST)
E que possamos todos nos tornar
o caminho iluminado."

Escrito por Bruce Werk às 17h09
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Ontem assisti ao “Cazuza”

O homem que era um menino

Arteiro e livre como qualquer criança.

E pensei em como era triste

Amar a vida e ter que partir cedo.

 

É que somos frágeis, de carne e osso

E nosso sangue é precioso.

 

Cazuza, Renato, Freddie

(Poesia e juventude, rebeldia e amor)

Foram-se, levados pelas mesmas mãos.

Mas a doença é inofensiva

Ao legado de idéias e música

Que enquanto quisermos, será eterno.

 

Há tantas vítimas entre os homens.

Como seria poder salvar a vida

De uma criança, de um jovem, de um velho?

Como um passarinho, que para apagar um incêndio

Leva uma gota de água em seu bico

Podemos doar sangue.

É tão pouco, se formos poucos,

Mas se contarmos todas as aves do céu...

 

E como não sou poeta, deixo as palavras de quem era:

 

 “Ideologia, eu quero uma pra viver.” (Cazuza)

 

“Ter bondade é ter coragem.” (Renato Russo)

“That time will come,/ one day you'll see,/ when we can all be friends....” (Freddie Mercury)


Escrito por Atena às 10h34
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CONTENT FACE – A CARA DE CONTEÚDO NA SOCIEDADE MODERNA - PARTE 1

Há alguns anos, um grande Jornal de São Paulo lançou uma campanha publicitária, dizendo que quem não lia o periódico em questão vivia fazendo a tal Cara de Conteúdo. Essa campanha, além de alavancar as vendas do jornal, despertou o interesse dos cientistas e sociólogos para o Fenômeno da Cara de Conteúdo.

 

Segue trecho extraído de artigo publicado na revista científica “Scientific What?” (1):

 

Analisando o Fenômeno, podemos citar dois tipos de Cara de Conteúdo (os Sociólogos chamaram o fenômeno de “Content Face” para dar um ar mais chique na coisa – afinal, em inglês o pessoal respeita mais): a “Content Face Falante” e a “Content Face Silenciosa”.

 

“Content Face Falante”

 

Imagine a cena: Empresa multinacional, Gerente com muitos anos de experiência, entrevista final para emprego e engenheiro recém-formado. Já dá para imaginar que mesmo na sala de espera, o gajo está tão tenso, que até o ar ao seu redor pára de se mover. Durante a entrevista está tudo correndo relativamente bem, até que o Gerente começa a falar sobre a situação da crise social e política que está ocorrendo no Turcomenistão (2), devido à Guerra no Iraque.

 

Pronto, o rapaz fica branco até o último fio de cabelo, pois sabe que aquilo é mais um teste que está sendo aplicado. O Gerente quer na verdade saber como ele se sai numa situação como esta, pois até cinco minutos atrás provavelmente nem sabia dessa crise, nem da existência um país chamado Turcomenistão.

 

Involuntariamente, a “Content Face” começaria a entrar em ação, como um mecanismo de autodefesa do indivíduo. O entrevistado cruzaria uma perna sobre a outra, apoiaria o cotovelo esquerdo sobre o braço da cadeira ou na beirada da mesa e seguraria a cabeça com a mão formando um “L” entre o polegar e o indicador.

 

Neste momento é claro que ele não sabe o que falar, mas fazendo esta expressão séria, de corpo todo, falaria um pouco sobre a sua opinião quanto à política externa estadunidense e que irresponsabilidade dos atos deles poderiam abalar toda a região.

 

Pronto, uma resposta vaga aliada a uma Cara de Conteúdo, digo “Content Face”, e o entrevistado deu um jeito.


Escrito por Muta às 23h26
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CONTENT FACE – A CARA DE CONTEÚDO NA SOCIEDADE MODERNA - PARTE 2

“Content Face Silenciosa”

 

Mas não podemos deixar de lado os casos onde a “Content Face” é aplicada junto de um silêncio completo. É possível que a modalidade Silenciosa seja ate mais importante do que a falante, pois a encontramos aplicada às mais diversas situações:

 

Livrarias: por incrível que pareça, esse ambiente propício ao desenvolvimento do conhecimento, está infestado de pessoas que simplesmente não sabem nada sobre qualquer coisa e precisam aplicar a “Content Face” com grande freqüência. Normalmente são os próprios vendedores que param para escutar os pedidos mais estranhos e passam todo o tempo a concordar como se soubessem do que se trata. Quando você para de falar eles correm para o terminal de pesquisa para tentar encontrar a resposta...

 

Encontros românticos: o rapaz está muito interessado na garota que finalmente concordou em sair com ele. Nos idos do encontro a conversa descamba para os acontecimentos da última novela das oito. Pronto e toca aplicar a cara de conteúdo, para fingir que sabe tudo sobre todos os personagens, até o momento em que a distância finalmente permite um beijo; salvador!

 

Consultas médicas: infelizmente a “Content Face Silenciosa” tem sido muito presenciada em consultas do sistema público de saúde. Enquanto o paciente discorre sobre o problema, a “Content Face” é aplicada pelo médico que, ao final da consulta, decreta: ANTIBIÓTICO! Não importando o problema, é claro.

 

Salas de aula: O professor pergunta: “Alguma dúvida classe?”; e o silêncio impera, com toda uma turma praticando o mesmo gesto. Será a “Content Face” contagiosa?

 

Reuniões no trabalho: O chato mor do escritório começa a discorrer horas a fio sobre um tema. A única forma de sobreviver a isso, é a aplicação da “Content Face” enquanto ele fala e a pessoa pode ficar pensando nos seus planos para o final de semana. Dizem por aí, que os executivos transmitem a técnica para amigos de confiança, e guardam grande sigilo sobre o assunto.

 

Provas: Essa é clássica. Chegamos a presenciar uma sala de engenharia com quase oitenta indivíduos praticando a “Content Face”. Isso normalmente ocorre quando a prova está impossível, e quando o professor olha para alguém, é bom que pensem que esse alguém sabe tudo, senão ele será perseguido durante toda a prova, atrapalhando toda e qualquer possibilidade de “cola”.

 

-x-x-x-

 

Após essa explanação, todos identificaram o fenômeno e perceberam a gravidade do assunto. Além das facetas descritas acima, já sabemos da existência de inúmeras outras que assolam a população mundial.

 

A pesquisa ainda está em seu estágio inicial, mas já alarma os especialistas. O próximo passo é o estudo detalhado, em voluntários (3), dos efeitos do “Content Face” a curto e longo prazo na sociedade e nos indivíduos, tanto no aspecto psicológico, quanto no físico, uma vez que cada vez mais pessoas apresentam uma estranha atrofia dos músculos do polegar e do indicador.

 

Num futuro, que esperamos ser bem próximo, mais será publicado sobre o tema e poderemos desenvolver tratamentos eficazes para o fenômeno do “Contet Face”.

 

Graças a esses esforços, já podemos vislumbrar um mundo, sem Cara de Conteúdo!

 

Turcomenistão, Junho de 2004.

 

Obs.:

(1) Scientific What é uma respeitada revista científica de circulação mundial, mas que infelizmente ainda não é publicada no Brasil, nem na Europa, Ásia, América do Norte e Oceania.

(2) Turcomenistão é um país do Oriente Médio com área menor que a cidade de São Caetano do Sul.

(3) Voluntários gentilmente cedidos por Prisões Russas, Brasileiras e Americanas (situadas no Iraque, é claro)


Escrito por Muta às 23h24
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Doar Sangue

Mais do que um ato de cidadania, creio que este seja um ato de extrema compaixão!

Felizmente, nunca precisei receber sangue e até hoje ninguém próximo a mim passou por algo sério a ponto de precisar, mas todos os dias, milhares de pessoas dependem de outros dispostos a realizar este ato.

Uma picadinha e alguns minutos depois e já conseguimos fazer nossa parte para ajudar a salvar inúmeras vidas. Pessoas que não conhecemos e provavelmente não conheceremos, mas que nos serão eternamente gratas. Então, não sairemos apenas com alguns mililitros de sangue a menos, mas sim, com muita felicidade a mais dentro de nossos corações e a alma mais leve por carregar a certeza de termos ajudado ao próximo.

Não importa a idade, o sexo, a raça ou a religião: neste momento, todos podemos ajudar a criar um mundo melhor e mais SOLIDÁRIO!

O Garotas que Dizem Ni! está apoiando uma campanha de doação que se originou no Fórum do mesmo sítio, assim como o IdÉiAs MuTaNtEs. Para saber mais sobre a campanha “Ni no Pró-Sangue”, acesse à página e participe também dessa iniciativa!

Até mais e eu estarei lá!

Leitores dizendo Ni no Pró-Sangue


Escrito por Muta às 14h01
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Da série: O mundo quer saber

A dúvida surreal

 

Os homens sempre se perguntam por que as mulheres costumam ir ao banheiro acompanhadas das amigas. Há décadas várias hipóteses vêm sendo formuladas para resolver este dilema. Nenhuma delas, contudo, responde satisfatoriamente a questão. Entre estas, faz-se necessário citar algumas pelo seu caráter popular entre o público masculino (ou não):

 

Hipótese 1: As mulheres são muito fofoqueiras

Segundo esta premissa, as mulheres permanecem na mesa por um longo tempo até avistarem outra com um vestido muito feio. Daí elas vão ao banheiro e fazem o equivalente a uma tese de mestrado sobre o conceito de ridículo na moda contemporânea.

 

Hipótese 2: As mulheres são muito estrategistas

Esta proposição nos explica que as mulheres vão ao banheiro juntas para discutir a melhor maneira de agarrar o cara ao lado do som, assim como despistar a namorada dele que está jogando sinuca.

 

Hipótese 3: As mulheres são muito lésbicas

Assim as amigas ficariam na mesa até não agüentarem mais de tesão e correrem para o banheiro na intenção de fazer sexo selvagem com um vibrador cor de rosa chamado La vie en rose.

 

Hipótese 4: As mulheres precisam de ajuda para urinar

Sim, as mulheres, na falta de papel higiênico, e principalmente na falta de ginga, precisam de um outro ser humano capaz de lhe balançar ao fim da consumada necessidade.

 

 

Hipótese 5: As mulheres vão ao banheiro juntas porque é lá que mora seu amigo imaginário

Sim, um chimpanzé selvagem chamado Tobby que adora conversar com mais de uma garota ao mesmo tempo. Isso explicaria o fato delas demorarem tanto para voltar à mesa.


Escrito por Srta. Quaresma às 03h15
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Da série: O mundo quer saber

O mistério resolvido

 

Desnecessário refutar tais proposições bizarras. Ninguém sabe, mas as mulheres vão ao banheiro acompanhadas das amigas para que uma delas segure a porta. Ou seja, tudo se dando nesse caso por uma questão de segurança. Como já foi amplamente divulgado, está científica e estatisticamente comprovado que os banheiros do Recife, desde o Paleolítico inferior, não estão de acordo com o padrão internacional de banheiros, mictórios e afins¹, o que torna esta hipótese extremamente plausível num plano inicial.

 

Agora sim vem a pergunta crucial: E por que as garotas vão acompanhadas por outras mulheres e não por rapazes? A questão é muito simples: acompanhar alguém ao banheiro é uma tarefa que requer muito mais do que simplesmente segurar a porta. É necessário também posicionar-se de forma a tapar os possíveis buracos ou brechas da porta; avisar às pessoas que chegam que o banheiro está ocupado; estar atenta a qualquer acontecimento inusitado que possa vir a acontecer dentro ou fora do recinto; comunicar qualquer bizarrice de última hora que possa vir a impedir a consumação imediata do ato “urinário” (como a chegada da polícia, por exemplo).

 

Além do mais, os homens não se ligam nesses pequenos detalhes de banheiro por dois motivos que se completam: primeiro o grau de pudor deles é muito baixo, o que faz com que nem prestem atenção se a porta fecha ou se há buracos na mesma (tente se lembrar: quantos caras você já viu urinando dentro de algum banheiro?); segundo, e também por este motivo, eles nem costumam visitar o banheiro do bar em que se encontram (tente se lembrar: quantos caras você já viu urinando fora de algum banheiro?). Todo mundo sabe que o banheiro masculino é mesmo na rua (vale ressaltar que, dependendo das condições, algumas garotas também preferem urinar na calçada).

 

Você provavelmente está se perguntando: “E se a porta do banheiro for uma porta fechável?”. Bem, se é assim e as garotas continuam indo juntas, então fica óbvio que o fazem por causa do chimpanzé selvagem mesmo (hipótese 5 e a mais coerente de todas as inicialmente listadas). Mas a verdade é que a probabilidade de se encontrar uma porta que, podendo ser trancada por dentro, não tenha brechas, buracos e seja fácil de abrir depois é mínima, não precisando ser, portanto, listada como fenômeno do mundo surreal.²

______________

Notas:

¹ Isso não ocorrerá se você costuma freqüentar bares onde a cerveja é mais de R$ 2,00.

² Depoimento dramático por Srta. Quaresma após ser flagrada num banheiro do Recife Antigo, por um rapaz aparentemente surdo, justamente no dia em que sua amiga não foi.


Escrito por Srta. Quaresma às 03h12
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Sobre fábricas

Fabricar é um dom humano. Baboseira. É uma diversão mesmo. Tanto que muitos brinquedos de criança giram em torno da idéia de fazer do pimpolho um pequeno construtor... Daí as massinhas no jardim de infância, as fábricas de sorvete da Eliana, a fábrica de bonequinhos do Mickey e do Pato Donald. Além da geleca e de outras coisas nojentas ou comestíveis com que se lambuzam os pequininos, sempre misturando marsipã com suor, macarrão com folha de cafifa (pipa para os não cariocas)...
 
Mas não é só de diversão e alegria que vivem as linhas de produção da vida. Há muita coisa terrível e triste em:
 
Fábricas de madeira: moro perto de uma fábrica de madeira (!). Bom, quando crianças, aprendemos que a madeira se fabrica na floresta, mas eu garanto: escuto o dia inteiro essas benditas máquinas lançarem farpas e pó de árvore para todos os lados – um horror.
 
Fábricas de sabão: se você era um menino um tanto saidinho, com certeza ouvia a sua mãe dizer: “Se comporte, senão vou mandar o velho do saco te pegar e te levar pra fábrica de sabão”. Isso quando não ameaçavam os cachorros abandonados do mesmo destino. Sempre o mesmo velho do saco era responsável pelo crime bárbaro – transformar crianças e cães em sabonetes Dove ou Palmolive ou sabão de lavar roupa Rio. Cá pra nós, há sabões bem escuros que realmente parecem terem sido feitos de uma coisa bem nojenta. O pior foi que, ao ver o filme “clube da luta”, descobri que realmente pessoas podem virar sabão – não queira conferir.
 
Fábricas de chocolate: cidades frias como Penedo, Petrópolis, a cidade-fictícia-de-chocolate-com-pimenta, Campus do Jordão, entre outras, sempre têm três coisas: casas de Papai Noel, casinhas de duendes e chocolates, muitas fábricas de chocolates. Aqui no Rio de Janeiro é comum que as escolas façam excursões com as crianças para uma de suas cidades frias e lá elas conhecem um mundo de chocolate. Uma pena que não é nada parecida com aquela lendária fábrica do Sr. Wonka, no filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, em que crianças são castigadas pelos seus pecados enquanto se empanturram do doce viciativo.
 
Fábricas de sapatos: há alguns meses, a Ana Paula Padrão começou a mostrar o “Mapa do Emprego”, no Jornal da Globo. A primeira cidade em que haveria, segundo a reportagem, milhares de vagas para todos os desempregados do País, seria Franca – interior de São Paulo. Para quê? Fazer sapatos. Ta bom! Eu vou largar o meu diploma de Letras, meu mestrado e me mudar para o interior de outro estado fazer sapatos numa linha de produção – melhor o Brasil mudar mesmo.
 
Fábricas de estátuas e máscaras de carnaval: sempre há reportagens na TV sobre esse tipo de fábricas. Que interessante a linha de produção das máscaras; que legal os desenhos; que ricos os protótipos. São programas tão importantes para a nossa cultura geral quanto o Globo Repórter sobre “os hábitos noturnos das onças que ficam à esquerda do Rio Araguaia e perto da bruxa, uma nova espécie de coruja”. As fábricas de estátua (?) vão pelo mesmo caminho. Os repórteres mostram a importância dos manequins e da forma como são fabricados para o lançamento de modas.

Fábricas da Felícia de Tine Toons: você alguma vez com certeza recebeu algum e-mail assim: “Cuidado! Boicote estas empresas e marcas: Semp Toshiba, Dove, Johnson & Johnson, Rainha, Faber Castel, Brastemp, Hering, entre outras – elas usam animais nos seus testes para o uso dos produtos”. Agora me respondam os gênios que mandam essas correntes: O que leva uma empresa de televisão a usar animais no teste do uso dos produtos? Eles usam a gordura do bicho na composição de suas peças ou os tortura mandando-os ver filmes de cachorro, mesmo? Não porque até pros cachorros filmes de cachorro são um horror.
 
Abraços, meus queridos, 
 

Eu também quero o selo! Eu quero!


Escrito por Avó Peluda às 20h04
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PESADELOS (Conto):


Mais uma vez Reginaldo acorda no meio da madrugada. Ele está empapado de suor... Sua cama queima com a febre de seu corpo.

Há mais de dois meses é sempre a mesma coisa para o pobre Reginaldo: um sonho, um pesadelo recorrente. Invadindo sua mente de forma tão real que mesmo quando acorda ainda pensa estar sonhando. Um ser horrendo que o persegue pela sua casa, uma criatura deformada que sempre tenta o atacar. No derradeiro momento Reginaldo sempre acorda.

Sozinho no seu quarto Reginaldo olha ao seu redor, como se ainda procurasse vestígios do seu sonho. Pobre Reginaldo.

Ao olhar para o relógio sabe que ainda é cedo para se levantar, a noite quente e agradável o convida mais uma vez a fechar os olhos e tentar dormir... Mas ele está com medo. Há muito tempo Reginaldo sente medo. Já faz dois meses que Reginaldo sente medo, principalmente quando vai dormir.

Querendo afastar o sono, ele se levanta. Segue até a cozinha, andando no escuro, tateando as paredes. Seguindo pelo corredor, adentra pela cozinha. Neste momento ele gritaria, se ao menos ele conseguisse.

Na escuridão a criatura dos sonhos de Reginaldo está parada, como se o observasse. Estática e sem emoções faz ele acreditar que esta é a última vez que se encontrarão.

Ele está em pânico. Sua voz não tem força para sair e suas pernas não têm para correr. Desfalecendo diante de seu pesadelo, ele sabe que sua hora chegou! A criatura o observa. Reginaldo pode até ver um sorriso nos lábios do demente que tomou forma como um anjo vingador para ceifar a sua vida.

Juntando as últimas forças, empunha uma faca agitando-a contra o demente.

Percebendo que não há escapatória, Reginaldo encara seu algoz e enterra a faca em sua própria garganta. Enquanto cai lentamente escorado pela parede, Reginaldo ascende à luz e nota que não há ninguém lá, a não ser ele.

Reginaldo não terá mais pesadelos...


(!Geta!) 


Escrito por Bruce Werk às 14h37
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24 Horas

Como se eu pudesse sorrir vinte quatro horas

Como se eu não soubesse onde é que tu moras

Mesmo que tudo fosse perfeito e bem diferente

Mesmo que por um dia inteiro estivesse ausente

Saiba que as vinte e quatro horas eu em ti pensei

Saiba que por milhas para vê-la eu me desloquei

Por que eu só tenho você, mas você não tem só eu

Porque eu só sei viver, só sei ser se for ao lado seu

Já não posso mais seguir adiante nesta vida

Já não posso insistir nesta história nunca lida

Que um dia eu escrevi, e escrevi com tanto amor

Para ser lida, vivida e cantada livre de toda dor...

São vinte e quatro horas que sempre se multiplicam

Sei que tu ainda choras porque nossos corpos suplicam

Bruno Cesar A. Gomes.

( 06-12-97 )


Escrito por Bruce Werk às 11h37
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Nascimento, morte e ressurreição de uma esperança.

Era uma mulata de dezessete anos, rosto suave, curvas desenhadas e pernas grossas. Atraía olhares masculinos por onde quer que passasse. E embora este seja o ideal de beleza para boa parte das mulheres, Luzinete odiava sua própria aparência. Odiava que todos achassem que por ser mulata e morar na favela ela gostassse de samba ou de pagode ou de rap, porque ela gostava de rock, e rock pauleira. Odiava ouvir gracinhas na rua, e por isso usava roupas largas e cortou seus cabelos bem curtos. Embora amasse os pais, odiava também o nome com que fora batizada, pois a todos parecia o nome de uma empregada doméstica, e não de uma advogada, como ela pretendia ser. E odiava saber que era a melhor aluna da classe e ainda assim não receber qualquer reconhecimento dos professores como acontecia com outros colegas. Parecia que ser mais pobre e ter a pele mais escura ofuscava o brilho que tinham suas provas, suas redações, seus trabalhos escolares, que eram tão bem pesquisados, embora escritos a mão, sem computador e sem consulta à internet.

No terceiro ano do Ensino Médio, ela sonhava em prestar o vestibular para alguma faculdade pública. Na sala de leitura da escola, folheando os jornais, ficou sabendo do sistema de cotas para negros em universidades proposto pelo governo, mas não se preocupou em verificar se poderia ou não beneficiar-se do mesmo. Estava certa de que conseguiria passar em uma universidade pública por esforço próprio, nem que tivesse que freqüentar o cursinho gratuito sobre o qual seus colegas comentaram.

À tarde, o movimento na livraria onde Luzinete trabalhava era bem calmo, e ela aproveitava para fazer as lições e ler. Depois saía de lá e ia diretamente para a escola, do outro lado da cidade. Um dia este trajeto foi interrompido por um grave evento.

Era inverno, estava escuro, Luzinete desceu do ônibus e foi caminhando rapidamente em direção à escola. A rua, vazia. Ao passar por um terreno baldio, sentiu um puxão no braço e foi derrubada no meio do mato. Só percebeu o que estava acontecendo quando o homem empunhando um canivete já se encontrava sobre ela. Tentou movimentar-se, porém ele era mais forte e a imobilizava por completo. Pensou em implorar piedade, mas o sorriso cínico de seu agressor a fez perceber que isso apenas aumentaria sua própria humilhação. E embora seu espírito desejasse forças para lutar, fugir e até mesmo matar, seu corpo permanecia inerte e indefeso. A dor e a violência com que o indivíduo consumava o estupro já não eram mais sentidas. Apenas um imenso sentimento de derrota e inutilidade própria tomavam conta da mente de Luzinete, e ela odiou a si própria mais do que a seu próprio algoz, que agora fugia correndo.

Deviam ter se passado mais de vinte minutos até que ela encontrasse algum ânimo para levantar-se dali e dirigir-se até a delegacia do bairro vizinho.


Escrito por Atena às 15h15
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Já fazia um mês que tudo isso havia acontecido, mas parecia que ainda estava acontecendo, ao menos para Luzinete. A mesma sensação que experimentou naquele dia arrastava-se, destruindo seus projetos, sonhos e até os pequenos prazeres de sua vida, como ler e ouvir música em seu rádio de pilhas. Agora ela faltava à escola, e quando ia não prestava atenção às aulas, não fazia as tarefas, não conversava mais com os colegas. Só repetia ações automatizadas, levantava-se, atendia aos clientes, tomava o ônibus, voltava para casa. E demorava a dormir, pois só uma lembrança permanecia em sua mente, viva e robusta.

Num sábado, seus pais haviam ido ao culto e Luzinete estava só em casa. Deitada no quarto, olhando para o nada, quando ouviu baterem palmas no portão. Ao atender à porta nem mesmo a visita inesperada de sua professora de Língua Portuguesa, Dona Luíza, a fez perder aquela expressão de marasmo que passou a acompanhá-la.

¾ Luzinete, boa tarde... Querida, como você está?

¾ Bem, e a senhora? ¾  respondeu sem qualquer entonação.

¾ É, tirando seus colegas que agora inventaram de me eleger Tesoureira da Comissão de Formatura, problema nenhum. ¾ Professora Luíza ria, tentando ao máximo demonstrar simpatia e animação.

¾ Que legal.

¾ Será que eu posso entrar? Gostaria de conversar um pouco com você.


Escrito por Atena às 15h15
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Luzinete ficou por um tempo parada olhando a professora. Depois abriu o portão. Como em sua casa não havia sala, a garota sentou-se na beirada da cama e a professora em frente, numa poltrona rasgada.

¾ Eu fiquei sabendo de tudo o que aconteceu, Luzinete. Seus pais e nós da escola estamos muito preocupados com você...

¾ Preocupados comigo? ¾ Uma expressão diferente afinal surgiu no rosto de Luzinete. E era uma expressão de ódio. ¾ Escuta aqui, professora Luíza, não sei o que a senhora está fazendo aqui ao invés de cuidar do dinheiro dos alunos como deveria estar fazendo.

¾ Querida, eu...

¾ Pára de me chamar de ‘querida’, eu nunca fui sua ‘querida’! Sempre quis te agradar, sempre me esforcei pra fazer o melhor na sua aula e você nunca me deu atenção como dava aos outros que nem prestavam atenção ao que você dizia, só porque eles tinham roupas novas e chegavam às aulas de banho tomado, e não suada do trabalho igual a mim! Que falsidade é essa agora, não precisa sentir pena de mim, não, professora, eu não estou precisando da sua caridade. ¾ Tudo isso Luzinete dizia aos berros e com os olhos cravados nos de Luíza, que se encolhia na poltrona.

Sentou-se, ofegante. A professora continuou:

¾ Por favor, me escute. Prometo que não a incomodo mais depois disso, mas me escute. ¾ Respirou fundo. ¾ Luzinete, de fato eu errei com você. Não espero que me perdoe, mas devo dizer que estou arrependida da minha negligência, ao ignorar seu esforço, talento e dedicação. Eu sempre notei suas boas notas, surpreendia-me com suas redações tão criativas... você praticamente não cometia erros de Português nos seus textos! Mas de fato eu nunca expressei esta admiração publicamente. E não vou mentir, não, Luzinete, eu sei que o que eu sentia era preconceito. Eu discriminei você. 


Escrito por Atena às 15h14
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Luzinete ouvia tudo de olhos arregalados.

¾ Só depois do que aconteceu e ao ver seu estado após isso tudo foi que caí em mim e percebi o quanto você era importante para nós, para a nossa turma, e o quanto éramos gratos a você por isso. Como sua participação está fazendo falta para nós, Luzinete!

Agora Luzinete e a professora choravam. Luíza levantou-se e abraçou a menina.

¾ Ai, professora, pra mim não tem mais jeito não... Eu nem tenho mais vontade de viver, vou ter que aceitar mesmo que sou uma fraca, inútil, ignorante... pobre, e que só sirvo mesmo pra uma coisa...

¾ Não, não fale desse jeito. Olhe para mim, quero que você se lembre sempre de uma coisa que vou lhe dizer: só você mesma pode dizer quem você é e quem você vai ser. Não deixe que ninguém tire esse poder que está aí, dentro de você mesma. Podem te machucar, podem te ridicularizar, podem te ignorar como eu fiz, mas, Luzinete, não deixe que isso abale sua força nem seus sonhos!

Luzinete balançava a cabeça, negativamente, os olhos vermelhos.

¾ Não foi só isso que eu vim fazer aqui. ¾ Luíza abriu a bolsa e tirou uma carta de dentro, endereçada à Luzinete e entregou-lhe.

¾ O que é isso?

¾ Você se lembra daquele concurso de monografias nacional de que participaram as turmas do terceiro ano?

¾ O quê? Eu fiquei em primeiro lugar? ¾ disse a garota, enxugando as lágrimas, sem acreditar no que acabava de ler.

Pela primeira vez em muito tempo um sorriso surgiu novamente no rosto de Luzinete. Aquilo foi suficiente para fazê-la esquecer da tristeza profunda em que estava mergulhada e naquele momento ela pode experimentar a alegria como uma criança inocente que jamais conheceu a dor e a violência.

FIM


Escrito por Atena às 15h13
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ELE É NOVO, MAS UM DIA AINDA APRENDE!

Boa noite a todos!

 

Primeiramente, acho que cabem as apresentações. Quem vos fala é o Senhor Abc, ilustre catedrático das mais proeminentes universidades do Brasil e América Latina!

 

Devido às ironias do destino, encontro-me desempregado no momento e desafortunadamente acabei por aceitar colaborar em um projeto chamado Idéias Mutantes. Até aí, tudo bem, pois a idéia é muito boa, e os escritores super promissores.

 

Neste momento estariam vocês me perguntando: “Mas Sr. Abc, qual o problema então?”.

 

O Problema – com “P” maiúsculo mesmo – é que o responsável pelo sítio, deve ter algum problema muito sério, pois acidentalmente (segundo ele, é claro) acabou por excluir todo o “blog” e junto dele os textos publicados.

 

Afortunadamente, ele possuía alguns destes textos, de forma que me propus a ajudá-lo, republicando cada texto (o crédito do autor encontra-se ao final). Como ainda faltam alguns, peço que os próprios autores, realizem a republicação seguindo o critério do crédito ao final de cada texto.

 

Aproveito também neste momento, para pedir desculpas em nome do ilustríssimo Muta, aos colegas colaboradores Mutantes e também, aos leitores deste humilde sítio.

 

Segundo palavras do próprio autor da façanha, isso realmente foi uma “Cagada Homérica”, com o perdão da palavra, mas ele garante que não voltará a acontecer. Eu também peço que todos o perdoem, mas não o isento das devidas espinafrações. Podem gritar, espernear e xingar, pois depois dessa, ele realmente merece...

 

Sorte que ele é novinho, pois assim, ainda tem muito tempo para aprender!


Escrito por Sr. Abc às 00h01
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O LOUCO - CAPÍTULO 1

Droga, este trabalho está cada vez mais difícil! Trabalhar disfarçado é sempre um risco pois não podemos contar com ajuda externa imediatamente, mas ultimamente as coisas estão piores.

 

Não sei se os loucos estão mais loucos e exigem tratamentos mais fortes ou se alguém anda desconfiando de mim. Só sei que nesta semana é a terceira vez que me dão fortes sedativos e me amarram a uma camisa de força.

 

Todos devem estar se perguntando agora o que eu faço nessa situação e quem sou eu. Devem achar que sou apenas um lunático qualquer em um raro momento de lucidez, um louco. Mas não estão de todo errados, pois eu sou “O Louco”.

 

Pelo menos é assim que sou conhecido no meio dos detetives particulares, pois sou o único louco o bastante para aceitar tarefas como esta: investigar o tratamento de um sanatório que é suspeito de aplicar técnicas não muito convencionais para o tratamento de doenças mentais.

 

O problema é que resolvi trabalhar disfarçado, mas me internar como mais um paciente não foi a melhor idéia que tive na vida. Só espero que não seja a última!

 

Talvez seja melhor eu explicar como vim parar nessa situação dos diabos.

 

Eu adoraria começar com uma bela silhueta feminina vista através da porta de vidro opaco com o meu nome estampado do meu escritório. A silhueta se mostraria um mulherão aos prantos pedindo a ajuda para tirar o pai internado injustamente num sanatório de práticas não muito usuais pelo filho ambicioso que quer o controle das empresas da família. Depois de tudo, é claro, eu ficaria com a moça.

 

Mas isso só seria verdade se eu estivesse num filme do Dick Trace ou algo assim. Na verdade trabalho na minha própria casa, sem nenhuma porta de vidro para por o meu nome. E quem veio até mim, foi uma senhora já de idade avançada preocupada com o que estava acontecendo com o marido.

 

Eu havia sido indicado a ela por um colega policial. Como eles não teriam condições de investigar esse caso imediatamente, ele logo se lembrou de mim. Agora, não sei se por se lembrar da minha grande habilidade como detetive ou por causa do apelido que tinha tudo a ver com o caso.

 

A única certeza que eu tinha era a de receber mais um pagamento inusitado. Provavelmente algum bolo ou animal de alguma criação, pois a pobre senhora era mais uma aposentada que ganha uma mixaria do governo. Não é a toa que não consigo meu escritório, pois mesmo assim aceitei o caso.

 

Após breve investigação, descobri uma série de artigos suscitando suspeitas contra a instituição chamada de Sanatório “Acalma Ante Deus”. Tratamentos ilegais, erros médicos e pacientes que nunca ficam curados. É, uma garantia de receber das famílias ou do governo um dinheiro para manter doentes atados a uma cama com o mínimo de gastos.

 

Depois de investigar e ter mais uma idéia brilhante, o resultado é esse como eu já disse: sedado numa cama e preso a uma camisa de força. Ótimo!

 

Problemão hein!

Situação difícil hein!

 

13/06/2004 14:22 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 23h42
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O Centro do Universo

inicio os filósofos imaginavam que a Terra fosse o centro do Universo, essa teoria foi chamada de Geocêntrismo. Após anos chegou a conclusão que o centro do Universo era o Sol, essa teoria foi chamada de Heliocêntrismo. Hoje em dia dizem que o Sol não é mais o centro do Universo.

 

Para mim tudo depende de uma ponto de referência, se não é possível dimensionar o Universo não se pode saber seu centro físico. Entretanto, supondo que somos os únicos do Universo com a percepção do centro geométrico, fica claro que o nosso ponto de referência somos nós mesmos.

 

Se somos nossa referência onde está o centro do Universo? A resposta transcende a matéria e nos levas até a alma de cada ser.

 

No dia em que matemáticos, filósofos, físicos, teólogos, ... chegarem a mesma conclusão, em qualquer que for o assunto, teremos mais convicções de nossas teorias.

 

Eu tenho uma teoria, o macroscópico não se assemelha a toa ao microscópico, as órbitas dos astros não se assemelha por coincidência as camadas eletrovalentes dos átomos, o tudo se funde ao nada no infinito.

 

12/06/2004 07:29 - publicado por Agent Smith


Escrito por Sr. Abc às 23h40
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TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Certas coisas nas nossas vidas, de tão corriqueiras, são incorporadas à nossa rotina e não damos mais atenção a elas. Eu é claro, sou assim também, mas outro dia um fato me chamou a atenção para a possibilidade de estarmos sendo espionados o tempo todo e que mensagens são transmitidas por aí de formas inusitadas.

 

Acontece que no banheiro da empresa em que trabalho, acabei encontrando letras e até trechos de palavras no papel higiênico usado aqui. Bom, digamos que eu estava assoando o nariz, mas isso não vem ao caso. A questão é que parece que alguém está enviando mensagens desta forma!

 

Todos agora discutirão, dizendo que isso acontece, pois o papel higiênico de baixa qualidade usado em empresas e shoppings são feitos de papel usado para outras finalidades, mas eu digo que é exatamente isso que eles querem que todos pensem. Essa idéia nos é passada de geração para geração, de forma a não percebermos esse fato e aceitarmos isso.

 

Não sei ainda quem são os responsáveis por isso, mas até onde sei, podemos pensar desde órgãos secretos estadunidenses, até ocultos alienígenas. Quando eu conseguir descobrir como decifrar os Códigos do Papel Higiênico (a partir de agora simplesmente CPH) terei as provas necessárias para mostrar ao mundo essa ação secreta.

 

Mas a conspiração é mais ampla do que parece. Já perceberam que, inexplicavelmente, os rolos são sempre substituídos com extrema eficiência, mas sempre que temos alguma denúncia ou escândalos envolvendo segredos e atos escusos de agências influentes no mundo são divulgados, a reposição é atrasada! E temos também os cestos de lixo que tem seu conteúdo recolhido e enviados para algum local desconhecido. Na certa estão indo para decodificação.

 

Para os que ainda não se convenceram desse fato, chamo a atenção para a inexistência de programas ou reportagens que falem sobre o papel higiênico. Na certa, trata-se de um grande “lobby” para evitar que as pessoas desconfiem de tão inocente item de higiene pessoal.

 

Mas as coisas não param por aí! Saindo do banheiro, temos um objeto aparentemente simples, mas que pode ser encontrado em todos os lugares da terra. De uma maternidade, a uma lanchonete “Fast Food”. De uma oficina mecânica, a uma barbearia. O pior é que eles nem se dão ao luxo de escondê-los. Falo das canetas BIC.

 

Prestem atenção, que em qualquer lugar que vocês esteja, poderão encontrar o inocente objeto. O mais intrigante é que mesmo quando não temos nenhuma conosco, logo, logo alguém “esquecerá” um exemplar na nossa mesa. Mas nunca sabemos quem esqueceu e ninguém nunca aparece para buscá-las.

 

Pelo que percebo, elas simplesmente aparecem nas nossas vidas. E suspeito que por trás da simples esferográfica, temos uma avançadíssima tecnologia de gravação de dados, onde nossas vidas são constantemente monitoras e enviadas para alguém que pretende dominar o mundo. Isso é claro se já não domina.

 

Sei que com esse texto, passo a ter a minha vida ameaçada, mas é um risco que tenho que correr. Afinal, todos precisamos saber que algo está acontecendo bem debaixo dos nossos narizes e se todos se calarem, a verdade nunca será descoberta! Meus amigos, fiquem atentos para essas formas de espionagem que nos cercam. Desconfiem de tudo o que somos – ou fomos – acostumados a aceitar como o comum.

 

E espero que alguém me ajude, caso eu venha a ser internado em algum sanatório, diagnosticado como um Maníaco Depressivo Compulsivo ou um Psicopata Homicida. Afinal, todos que me conhecem sabem que eu não sou LOUCO! Ou não?

 

Medo, muito medo!

Quem serão os responsáveis?

 

11/06/2004 20:55 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 23h39
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Do clichê norte-americano Parte III

Ação

 

Você está estacionando o carro na frente do CFCH, quando Arnold Schwarzenegger, perseguindo em alta velocidade caras da máfia italiana (sim, no Brasil, em plena tarde de segunda-feira), atrapalha o trânsito, fazendo com que um caminhão de maçãs caia inteiramente em cima do seu carro.

 

Os tais caras da máfia italiana, apesar de estarem envolvidos em tráfico de drogas, armas, e animais silvestres; além de morte de criancinhas e mulheres inocentes todos os dias, na cara de todo mundo, nunca chamariam a atenção de Arnold Schwarzenegger se não tivessem, por obra do acaso, assim sem querer querendo, assassinado a mulher dele num assalto quase perfeito na mercearia de Seu Zé na Várzea. A tal obra do acaso será devidamente vingada até o fim do filme, pode ter certeza.

 

Arnold Schwarzenegger é tão fuderosamente bom, incrivelmente rápido e governador da Califórnia, que consegue tirar você do carro antes que o caminhão de maçãs caia em cima dele, e ainda continuar em alta velocidade atrás dos caras da máfia.

 

As maçãs se espalham pela rua.

 

Teen sem drogas

 

Você estuda no CAC e está estacionando seu carro (um corcel ano 76, com DVD que você trouxe dos Estados Unidos) na frente do CFCH, quando os malvados e populares estudantes de Ciências Sociais chegam a pé e tiram onda da sua cara porque você usa um tênis chinfroso e não percata de couro.

 

Garotas estranhas do mesmo curso e que preferem ler Bukowski aos 22 anos, por simples brincadeira de mau gosto, fazem com que um caminhão caia inteiramente em cima de seu carro durante a aula.

 

Você ganha o carinha mais disputado no final (um sociólogo alcoólatra e metido a poeta). Mas prefere ficar com um retardado de Educação Física que não leva jeito com as mulheres e se veste igual a Gugu.

 

Teen com drogas

 

Você é estudante de História, alcoólatra e tem todo o braço esquerdo tatuado. É segunda feira à tarde e você estacionou o carro na frente do CFCH para ir ao Bigode¹. Lá você encontra: todos os malvados e populares de Ciências Sociais (usando percatas de couro), duas lésbicas da sua sala que sempre te agarram quando estão bêbadas, 1 cara de Geografia que largou o curso pra vender pulseirinhas na frente da universidade, sua irmã bêbada, um tal Cláudio que veio de Petrolina com o equivalente a R$ 300,00 em pó, Tobby, e um retardado de Educação Física com muito dinheiro que vai pagar tudo pra todo mundo. Todos vão ao Recife Antigo num jipe branco.

 

Dois dias alucinantes depois você volta à frente do CFCH e nota que um caminhão caiu inteiramente em cima do carro lá estacionado. Você não liga porque está chapada e o carro não é seu mesmo.

 

Baseado em fatos reais

 

Você tem 20 anos, é estudante de História, tem um amigo imaginário chamado Tobby que mora no banheiro da sua casa, é alcoólatra e está indo ao Bigode... de ônibus. No caminho percebe que na frente do CFCH há um caminhão inteiramente em cima de um carro. Infelizmente sua curiosidade e a criatividade norte-americana ultrapassam os limites do plausível.

____________

¹ Bigode: Refúgio de alcoólatras diversos próximo a UFPE.

 

11/06/2004 02:58 - publicado por Srta. Quaresma


Escrito por Sr. Abc às 23h38
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Do clichê norte-americano Parte II

Policial

Mesmo do de terror. Com a única diferença de que a assassina mata de forma metódica e manda dicas do próximo assassinato justamente para o único policial que está investigando o caso, que é um cara politicamente incorreto, depressivo, e metido a malandrão, porém muito bom no que faz. A história é contada sob o ponto de vista do policial.

 

Ficção

Você está estacionando o carro na frente do CFCH, quando um disco voador do tamanho da Universidade Federal de Pernambuco surge nos céus, fazendo com que um caminhoneiro ateu, cético e participante ativo do Fórum da Sociedade da Terra Redonda¹ (1498 mensagens até agora), se assuste, perca o controle, e derrube o caminhão inteiramente em cima de seu carro.

 

O mundo ia acabar. Felizmente um simples fazendeiro americano descobre totalmente por acaso como se livrar de um ataque alienígena de proporções mundiais. Infelizmente você morreu no acidente e fará parte das estatísticas no final do filme, num discurso de Bush ao mundo. Os árabes fazem as pazes.

 

Arte (Cult)

Você está estacionando seu carro na frente do CFCH quando de repente aparece um anão americano com sotaque canadense falando sem nenhum motivo aparente: "This is a car. Its color is green". Corta para a cena em que você se encontra no 22º andar do CFCH com um garoto de máscara e uma garota que acabou de descer de pára-quedas sem calcinha. Depois de muitas cenas bizarras um caminhão cai inteiramente em cima de seu carro. Você morre.

 

Aparecem no filme em cenas desconexas e sem nenhum motivo aparente: David Bowie, Marilyn Manson, Fernanda Montenegro e Tobby.

 

Trilha sonora: Ramstein.

 

O filme na verdade discute diversos temas do pós modernismo.

 

Lotação no Teatro do Parque a R$ 1,00 por todos os estudantes do CAC e do Colégio Brasil.

 

Filme de cachorro

Você mora na Várzea e precisa ir (por motivos desnecessariamente forçados) urgentemente ao Rio de Janeiro... de carro. Numa parada em frente ao CFCH um caminhão cai inteiramente em cima de seu carro. Seu cachorro, um collie pelo longo chamado Tobby incrivelmente inteligente, que você deixou na casa de Tia Alda; num misto de medo, saudade e esperteza, entra na mala do carro e se perde no meio da confusão do acidente.

 

Ainda assim você vai ao Rio de ônibus. Tobby segue seu rastro pelo país e lhe encontra bêbada no meio da Lapa depois de ter atravessado o equivalente á ponte Rio-Niterói a nado. No meio do caminho ele encontrou: retirantes, baianos, poetas, e, para surpresa de todos: um lobo! Onde depois de travar uma dura batalha conseguiu encontrar seu caminho. Pessoas estranhas, por motivos estranhos, perseguiram o cachorro do Recife ao Rio com a única intenção de matá-lo.

_____________

¹ www.str.com.br/Forum

 

11/06/2004 02:56 - publicado por Srta. Quaresma


Escrito por Sr. Abc às 23h37
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Do clichê norte-americano Parte I

Comédia

Você vai à universidade, estaciona o carro na frente do CFCH¹, e quando sai da aula percebe que um caminhão caiu inteiramente em cima do seu carro.

 

Tragédia

Você ESTÁ estacionando o carro na frente do CFCH, com seus dois filhos dentro do carro (um garoto de 4 anos e uma garota de 5) quando um caminhão cai inteiramente em cima do seu carro, matando todo mundo.

 

Drama

Você está estacionando o carro na frente do CFCH, com seus dois filhos dentro, quando um caminhão cai inteiramente por cima do seu carro, matando somente seus dois filhos.

 

Romance

Você é divorciada e está estacionando seu carro na frente do CFCH, com seus dois filhos dentro. Um caminhão está para cair em cima do seu carro. Eis que surge um rapaz realmente bonito, corpo perfeito, mais velho que você, solteiro, doutorando em antropologia, e incrivelmente rápido, que consegue tirar seus dois filhos do carro antes que o caminhão vire. Você sai com ferimentos leves e vai jantar com o cara à noite.

 

Suspense

Você é estudante do CAC² e canceriana. Seu signo no horóscopo chinês é porco. Você acredita em: espiritismo, reflexologia, acupuntura, iridologia, astrologia, ufologia, paranormalidade, psicanálise, cientologia, sociologia, e tem visões.

 

Definitivamente coisas estranhas acontecem na parada de ônibus do CFCH à noite. Você não sossega até descobrir que a parada é assombrada pelos espíritos de duas crianças que morreram naquele local há 5 anos. Elas estavam dentro de um carro quando um caminhão caiu inteiramente por cima dele.

 

Terror

Você é uma ex caminhoneira e mora em Tracunhaém³. De repente diversas pessoas próximas a você começam a ser assassinadas misteriosamente enquanto você recebe estranhos telefonemas. Depois de muita gente morta, muito sangue, 2 horas de filme, e uma conta telefônica de R$ 200,00, você descobre que o assassino é a mãe de duas crianças que morreram por sua culpa há 5 anos. Elas estavam dentro de um carro quando seu caminhão caiu inteiramente por cima dele. Tudo isso na frente do CFCH.

_____________

¹ CFCH: Lê-se “cêfichi”. Sigla para Centro de Filosofia e Ciências Humanas, na Universidade Federal de Pernambuco.

² CAC: Lê-se “cáqui”. Sigla para Centro de Artes e Comunicação, também na UFPE.

³ Tracunhaém: Cidade do interior de Pernambuco.

11/06/2004 02:53 - publicado por Srta. Quaresma


Escrito por Sr. Abc às 23h36
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Eles não estão sozinhos

Estão em todo lugar: em casa, no trabalho, na escola, até mesmo nos carros de polícia do Rio de Janeiro. Os computadores são aparelhos inventados há alguns anos e feitos para facilitar/infernizar nossa vida – eles não estão sozinhos, as trevas os acompanham.

Já repararam que se você está há dias fazendo um trabalho – uma mamografia, como diz a Mirtes – e o bendito, isto é, o maldito falha justo na hora de você gravar? Isso acontece sempre, não é. A verdade é que demos tanto poder para os computadores que passamos a ser dominados por eles. O Pink e o Cérebro entenderiam isso se não fossem tão inventivos, e, conseqüentemente, inteligentes (essa última palavra só cabe ao Cérebro, digamos).

Uma amiguinha minha, da faculdade da terceira idade, estava já com 499 páginas de dissertação de mestrado prontas e, de repente, puff!!! Tudo se perdeu... Ela disse pra mim que só faltava a conclusão para que, no fim deste ano, o calhamaço fosse entregue. Adivinha o que vai acontecer agora: vai ter de fazer tudo de novo – 500 páginas redigitadas por conta de uma perda no HD.


Ele e as trevas têm uma série de investidas contra a nossa paz, lembremos que o computador:

já nos fez pensar ser 2000 o início do século 21: eu me lembro muito bem disso, milhares de pessoas indo pra Copacabana festejar a chegada de um novo século. Cansei de dizer: o século e o milênio só começam ano que vem em 2000 e 1, 2000 e 1, mas, por mais que insistisse se mantinham confiantes, vestidas de branco e tomando sidra de maçã felizes e contentes. No dia seguinte, o Jornal Nacional avisou que o século só começaria no ano seguinte. O mais estranho de isso tudo, foi todo mundo pensar que o Bâgui do Milênio iria fazer com que aviões parassem de andar, escovas de dente elétricas parassem de funcionar e uma guerra entre paulistas e cariocas (!).

é responsável por aquelas vozes em balanças de farmácia: há pouco tempo atrás, era uma deslumbrante saber que aqueles aparelhos que falavam no desenho dos Jetson agora são realidade para nós, incluindo a balança que fala. Você chega à bendita põe 0, 50 centavos e ela diz, com voz eletrônica: “Fique reto e olhe pra frente | Comporte-se | Pode-se retirar”.

sorteia rapazes para servirem ao exército: meu neto Osmar, ao 18 anos, já tinha metade do seu curso superior, um orgulho pra avó (meu único desgosto é que ele faz a barba)... Ele chegou ao quartel para se apresentar, os gorilas fizeram a ficha só na base do tec tec tec da máquina de escrever. Horas depois, um dos milicos com a bota bem lustrosa chegou e disse a todos: Os que forem chamados para servir o E-xér-ci-to Brasileiro, o serão por sorteio. Nossos computadores escolherão os novos recrutas. Computadores? Sei, sei.


vicia as pessoas que vão a lan houses: eu já disse que odeio lan-houses e repito isso compulsivamente, uma doença já. Mas preciso fazer uma convocação para dois movimentos de incendiários: um porá de fogo nas casas de jogos comigo; outros queimarão pêlos na porta da Gillete! Basta ao monopólio das lâminas de barbear.


guarda o tal de sistema: você liga pra Embratel, Telemar ou Associação dos Cornos Unidos da Freguesia do Ó e a operadora de telemarketing (a profissão do futuro) diz: Segundo o que constam (erro) nos nosso sistemas, senhor, o senhor tem uma dívida de juros de mora que deverá estar pagando em nos máximos três dia. É o que o computador diz.


proporciona a você fazer maravilhas. Há um filme que passa sempre em “Domingo Maior” que eu amo: uina Mortífera III. Há uma cena especial nesse filme – a do Aniquilador 2000. O Aniquilador 2000 é a arma do futuro. Ele possui múltiplas funções como: quinhentos tiros por minuto, bazooca, microondas, radar entre outras. Isso era dito enquanto moças de biquíni acariciavam a metralhadora. Muito divertido. Se um computador fizesse isso tudo, puxa, ficaria feliz!


Não preciso dar mais provas de que eles têm parte com o capeta. Imagine: você pode fazer consultas com o Walter Mercado e pagar com cartão de crédito, comprar quadros, jóias e pessoas, muitas pessoas. Ah! Não posso esquecer de dizer, para acabar simpático, que você pode ler esse sítio maravilhoso o
Idéias Mutantes.

 

Avó Peluda é hacker e joga em lan houses depois que sai da hidromassagem

 

10/06/2004 02:10 - publicado por Avó Peluda


Escrito por Sr. Abc às 23h36
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Serve-serve

Estamos atolados de termos em inglês. Isso não me faz me sentir alheada das minhas línguas (em Pelúcia falamos espanhol e, principalmente, o português), mas me deixa bastante irritada quando brincam com pessoas como a Çolange. Tudo bem... eu concordo que ela é bem “zoável”. Zoável porque se confinar numa casa com mais 13 pessoas sem ter o que fazer na vida é uma falta do que fazer, mas, cá pra nós, foi divertido.


Pensando em Çolange, concordo com os milhares de crônicas que saem em jornais com os livros que são editados sobre a baixa auto-estima do brasileiro. Falamos português, mas sonhamos falar outra língua como se isso não só servisse para a comunicação com falantes de outros sítios, mas também para criar um pequeno monstro: a “desidentidade” cultural. O Timor Leste, após anos de dominação da Indonésia, luta hoje, junto ao Brasil e outros países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, por manter o português como língua de cultura. Não estou sendo apocalíptica, dizendo que vamos perder nossa língua por ocasião de uma invasão ianque, mas seria triste repetirmos o que fizeram nossos ancestrais europeus ao serem dominados por Roma: escolheram o latim deliberadamente, deixando suas línguas de origem.


A vovó aqui já viu o Brasil ser invadido por outros modismos como “abat-jour”, o seu atual, abajur e garage, nossa garagem – tudo culpa dos anos em que vivíamos a belle epóque. Essa coisa de espelhar-se em outro povo, ou, até mesmo, viver como outro povo, pode ser até certo ponto saudável. Mas é muito tênue a linha que divide a subserviência da antropofagia consciente (salve os modernistas!). Não sou contra a proliferação dos cursinhos de inglês, espanhol ou francês – não sou xenófoba e nem vamos chegar ao ponto de expulsar jornalistas (pense em milhares de pessoas expulsando jornalistas do País, que divertido seria). Sou contra sim a obrigatoriedade em falarmos uma língua que não é a nossa.


Não somos obrigados a saber a sintaxe e a os fatores corretos de outra língua quando achamos que o dia 31 de outubro estava muito sem graça sem feriado algum – agora escolhemos festejar o Dia das Bruxas. Pense se não seria muito mais interessante, em vez de termos tantos termos ingleses pipocando em tudo quanto é canto, falarmos esses mesmos termos “aportuguesadamente”. Sou uma defensora da língua – qualquer língua –, pois hão de se respeitar as normas e o uso dos sistemas lingüísticos. Mas sonho um dia falarmos, em vez de:


self-service = “serve-serve”

delivery = “delíri”

e-mail = "o meio"

"very important people - VIP": Gente tudo dos trinque ou "mulheres-que-dançam-com braços-levantados-em bailes-de-carnaval"

blog = "brógui"

Mc Donalds = "lanchonete do capeta"

Drag Queen = "Ui!"

site = cafofo do demo

CCAA = Satanás

IBEU = Satanás

yes = parangaricutirimirruaro

ok = guatchatchá

light food = comida luz

light = a companhia de luz do capeta

fast-food = (isso tem um som tão horrível que não quero aportuguezar)

 

08/06/2004 21:14 - publicado por Avó Peluda


Escrito por Sr. Abc às 23h35
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Piadas, nada mais... (Ní!)

Joãozinho chega da escola e vai direto à geladeira pegar o sorvete... Sua mãe entra na cozinha e dá aquela bronca:


"Nada disso, Joãozinho. Isso não é hora de tomar sorvete. Está quase na hora do almoço... Vá lá fora brincar !!!"


"Mas, mamãe, não tem ninguém para brincar comigo!"


A mãe não entra no jogo dele e diz: "Tá bom, então eu vou brincar com você. Do que é que nós vamos brincar?"


"Quero brincar de papai-e-mamãe."


Tentando não mostrar surpresa ela responde: "Tá certo. O que é que eu devo fazer?"


"Vá para seu quarto e deite-se."


Pensando que vai ser bem fácil controlar a situação, a mãe sobe as escadas. Joãozinho vai até o quartinho e pega um velho chapéu do pai. Ele encontra um toco de cigarro num cinzeiro e o coloca no canto da boca. E sobe as escadas e vai até o quarto da mãe. A mãe levanta a cabeça e pergunta: "E o que eu faço agora?"


Com um jeito autoritário, Joãozinho diz:


"Desça logo e dê sorvete ao garoto!"


ADMITA: VOCÊ PENSOU BESTEIRA, NÉ ?!?!?

 

Piada: E-mails | Lego-lego-lego...

08/06/2004 09:48 - publicado por Bruce Werk


Escrito por Sr. Abc às 23h34
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Sugestão para domingo à tarde

Mudem o canal para a TV Cultura. Entre as 14 e as 15h30min, uma programação de excelente qualidade aguarda pelo telespectador cansado das mesmas bobagens que passam nas outras emissoras (em resumo, programas de auditório, de fofocas e filmes repetidos à exaustão). E eu só fui descobrir isso semana passada, depois de uma feijoada na casa de minha sogra, quando resolvi lavar a louça ao invés de dormir, como fizeram todos os que lá se encontravam. E foi divertido, porque passei todo esse tempo na companhia de jovens muito simpáticos que me trouxeram boas memórias e muitos pensamentos.

 

Tudo iniciou-se com a reprise da querida série Confissões de Adolescente, que me levou de volta à época em que eu me identificava com as histórias daquelas quatro garotas, na primeira vez em que ela foi ao ar. Em casa nós também éramos quatro irmãs, idades parecidas, e tínhamos grilos saltando no interior de nossas cabeças iguais aos que a série abordava.

 

Logo depois um programa totalmente novo, chamado Galera. Passava-se numa escola pública, e falava de assuntos que afligem tanto os jovens como também o nosso jovem país. Misturando temas e várias histórias ao mesmo tempo, narrativas independentes e momentos super-realistas, o resultado foi exatamente o que se pretendia: um programa com cara de adolescência.

 

Os assuntos foram a primeira transa (com direito a algumas cenas de sexo, respeitando-se é claro, o horário) e também a imobilidade social (‘conselhos’ como: cruze os braços, coloque vidros blindados em seu carro, mude-se para o exterior e outras mais eram dadas por uma dupla de apresentadores levemente amalucados).

 

Finalmente, o último programa dessa faixa jovem foi o Guerrilha, que lembrou-me um pouco o antigo Matéria-Prima/Programa Livre. Uma garota descolada entrevistava um jornalista sobre Globalização, num auditório cheio de garotada. Outro repórter belezinha falava com a moça participante de uma ONG contrária à ALCA. E tudo isso alternado com o som de uma banda (que eu não ouvi porque nessas horas voltava à cozinha pra lavar a louça).

 

Então. Quem quiser conhecer mais informações sobre esses dois últimos programas, pode acessar os sites abaixo. Eu já dei uma olhada por lá e posso dizer com certeza: vale a pena. Tem muito material, dicas de livros, filmes, formas de participar e a programação atualizada: 

07/06/2004 10:56 - publicado por Atena


Escrito por Sr. Abc às 23h33
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Indo um pouco mais além da programação de domingo

Olha, eu que nunca fui muito desse negócio de conspiração, depois de ver programas tão bons quanto estes fiquei pensando se aquele lance de a Rede Globo ser um veículo de pura alienação não tenha lá o seu fundo de verdade.

 

Por exemplo, o Serginho Groismann, famoso por comandar um programa nascido na Cultura e que também tinha essa vocação jovem e de questionamento, na Globo passou a  meramente entrevistar atores globais e apresentar atrações musicais de madrugada. Com exceção da empatia, muito pouco da bagagem que ele tinha foi aproveitado pela emissora. E não me venham com a desculpa de que programa crítico e educativo não dá audiência. O próprio Programa Livre era um exemplo do contrário.

 

Sejam sinceros, existe hoje um programa de discussão crítica sobre questões políticas, econômicas, sociais e até mesmo culturais, neste caso não limitada à mera exposição da vida dos artistas, na programação da rede Globo? Ampliem essa questão às demais emissoras de rede aberta do país, e vejam que a situação não é muito diferente.

 

A contradição nisso tudo é que a emissora que promove uma abordagem mais profunda sobre assuntos de interesse social contando com a participação do público é justamente aquela custeada pelo governo, o qual geralmente é acusado de ser o maior interessado na alienação da sociedade. A não ser que a palavra ‘governo’, neste caso, esteja referindo-se aos poderes particulares que comandam o país, acho que a questão não é bem esta.

 

Também não vou exagerar e dizer que existe uma intenção única e maquiavélica da Rede Globo em garantir a ignorância da população. O Futura, por exemplo, ligado à Fundação Roberto Marinho, é um canal basicamente educativo, mas que infelizmente só passa na tevê paga. Há também os Telecursos, transmitidos pela Globo (pena que tão cedo....). E não posso deixar de elogiar as excelentes matérias e reportagens recentemente veiculadas no Fantástico, bastante instrutivas para a população leiga, como por exemplo as séries sobre homeopatia, clonagem terapêutica, cuidados na gravidez e funcionamento do cérebro humano.

 

Falta, no entanto, não só na Globo mas em praticamente todas as emissoras abertas, atrações que promovam mais engajamento social, voltadas para o grande público. A pergunta que fica é se apostar nisso é só uma questão de audiência, ou se de fato existem, pelo menos em parte, outros interesses que impedem qualquer inovação...

 

P.S. Após o fechamento desta matéria (sempre quis dizer isso) assisti ao vídeo “Muito Além Do Cidadão Kane”, por sugestão de alguns colegas. Esse documentário foi produzido em 1993 pela BBC e conta a história (aquela não passa na nossa televisão), da Rede Globo. Jornalismo partidário, manipulação política e um poquito de falta de ética que de vez em quando mancharam a face da grande esfera cromada.

 

Quem quiser conferir, pode baixar o vídeo nesta página aqui, clicando nos links para os arquivos de vídeo com o botão direito do mouse, e salvando-os no computador.

 

Eu recomendo o download dos arquivos parciais, com a ajudinha de algum programa acelerador, já que os arquivos são grandes, exceto no caso de acesso por banda larga. A qualidade da imagem não é das melhores, mas vale a pena. Nem que não se queira refletir sobre o assunto, e apenas rever imagens antigas do Xou da Xuxa, Jornal Nacional e outros programas.

07/06/2004 10:49 - publicado por Atena


Escrito por Sr. Abc às 23h32
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Animais e Insetos Nojentos: quem tem que resolver esse problema?

Acho que em todos os lugares a situação deve ser mais ou menos a mesma, quando aparecem aqueles animaizinhos nojentos, as mulheres entram em desespero e cabe a nós dar um jeito. Aliás, acho que as mulheres só mantém os homens no mundo, pois quem mais daria um jeito de eliminar essas pragas e abrir potes de azeitonas e outras conservas?

Afinal, cientistas já não foram capazes de criar um embrião de rato a partir de dois óvulos?

Em casa particularmente sou bastante cotado para a eliminação de criaturas nojentas em geral. Basta aparecer alguma que a reação de qualquer integrante feminina da minha família (mãe, e duas irmãs) vai ser a mesma: "Marcelo, corre aqui: tem...


... um rato": esse é o clássico dos clássicos! Por acaso as mulheres carregam algo no código genético que as faça reagir sempre da mesma maneira? Analisando, podemos até mesmo encontrar fases distintas do medo patológico contra esses roedores. Na fase um, temos O Chamado: esta é a hora do grito esganiçado e desesperado clamando por ajuda. Na fase dois, ocorre a Explicação Desconexa de onde está o bicho: muitas vezes temos que adivinhar por pistas pescadas nas frases sem sentido. A fase três é a Hora da Proteção: isolam-se as portas e rotas de fuga, um abrigo alto é tomado e uma arma empunhada (normalmente cadeiras e vassouras respectivamente). Já mais tranqüilas e enquanto estamos arrastando coisas atrás do infame e repugnante animal, começa os Palpites: essa quarta fase é terrível, pois além de não ajudarem em nada, ai se o rato escapa, ficaremos escutando os famosos "Eu te disse para fazer isso...", "Se você não fosse tão teimoso...", por muito tempo. E após o fim da peleja, temos a fase cinco, A Conclusão: se o ordinário foi derrotado, agradecimentos mil... senão, volte à fase quatro e veja algumas frases que serão proferidas...

... uma barata aqui!": eita bichinhos nojentos que são as baratas não é mesmo? Essas eu mato com raiva mesmo. Onde já se viu esse criatura ser capaz de sobreviver até mesmo a um holocausto nuclear e ser esse sucesso de evolução, vivendo em esgotos, comendo lixo, restos de comida e tudo o mais que passar pela frente e ainda vomitando por todo lugar que passa?


... uma lagartixa.": olha, sinceramente se me pedirem para matar uma lagartixa eu sou capaz de xingar a pessoa e ainda dar um jeito de salvar o pobre réptil. Não sei por que , mas sempre tive um carinho especial por elas, e tenho certeza que se todos pararem para olhá-las com mais atenção, conseguirão enxergar a beleza interior delas: afinal a barriga branca da lagartixas é transparente, heeheehee. Além de tudo isso, elas ainda são vorazes apreciadoras de baratas! Se elas são inimigas das baratas só podem ser "gente" boa!


... uma aranha!": essa é mais o caso da minha irmã do meio. Nunca vi alguém ter tanto medo de aranhas como ela. Sabem aquele filme Aracnofobia? Então, ela ficou semanas sem conseguir dormir direito por causa dele. Muitas vezes ela nem consegue falar a palavra aranha, mas quando ela me chama com a voz num tom esganiçado específico já até sei que o inimigo a ser enfrentado só pode ser um aracnídeo. O legal é ficar a ameaçando com o cadáver envolto em um pedacinho de papel higiênico e ver o desespero dela, heeheehee.


O fato é que posso ter nojo de muitos desses animais, como ratos, baratas (essas eu realmente odeio) e lesmas, mas não tenho medo não. Acho que é por eu ser muito curioso, ou talvez eu tenha muita coragem, vai saber.


Só sei que outro dia enquanto ajudava a minha mãe a arrumar o jardim de casa, fui surpreendido por um grito assustado da minha mãe: "Caramba, um escorpião!". O que vocês fariam nessa hora? Fugiriam desesperados para o mais longe possível do local? Correriam atrás do inseticida mais próximo? Ou fariam como eu, que larguei tudo o que tinha na mão e pulei para bem perto do local e fiquei perguntando para a minha mãe onde estava o bicho?


Quando ela olhou com mais calma admitiu: "Ah, me confundi: era só um galho seco...". Alguém consegue imaginar a minha decepção ao encontrar um galho sem graça no lugar de um escorpião?


Que droga: um dia ainda encontro um pessoalmente.

 

Argh...

Alguém se habilita?

 

06/06/2004 23:11 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 23h31
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Inclusão Digital

Existe uma estatística que o e-mail é mais utilizado do que o telefone como meio de comunicação. Com certeza o Brasil é um ponto fora da curva nessa estatística.

Você é um privilegiado por poder ler esse post em nosso blog. A maior parte da população Brasileira não tem acesso a Internet e muito menos sabe o que é um blog (sem falar no analfabetismo).

Mas essa realidade pode mudar, existe projetos fortíssimos com relação a inclusão digital tais como os Telecentros.

Mas o que é Telecentro?

"Telecentros são espaços com computadores conectados à Internet banda larga. Cada unidade possui entre 10 e 20 micros. O uso livre dos equipamentos, cursos de informática básica e oficinas especiais são as principais atividades oferecidas à população."

Qual o objetivo?

1 - Diminuir os índices de exclusão digital e social;

2 - Capacitação profissional;

3 - Re-qualificação do espaço do entorno da unidade, através do aumento do fluxo de pessoas nas ruas da região;

4 - Disseminação de Softwares Livres;

5 - Participação popular, através dos conselhos gestores;

6 - Jornalismo comunitário, através do site do Telecentro.

As definições acima foram retiradas do site oficial do projeto, mas para mim os Telecentros são muito mais do que isso. A união de pessoas de diversas classes sociais através da Internet pode ajudar a inverter a situação sócio econômica do país.

São milhares de idéias de milhões de pessoas sendo discutidas e compartilhadas podendo ajudar em uma conscientização política que ainda não temos.

Sem falar no incentivo do Software Livre, do qual sou fã. Você já sabe o que é a GPL (General Public License)?

Vou colocar um trecho aqui para você ter uma idéia:

"As licenças de muitos softwares são desenvolvidas para cercear a liberdade de uso, compartilhamento e mudanças. A GNU Licença Pública Geral ao contrário, pretende garantir a liberdade de compartilhar e alterar softwares de livre distribuição - tornando-os de livre distribuição também para quaisquer usuários."

Leia a GPL por completo aqui.

Parece utopia mas é realidade. O exemplo mais expressivo da aplicação da GPL é o GNU/Linux, mas isso já é um assunto para outro post.

Voltando a vaca fria, em softwarelivre.org vemos o impacto dos Telecentros e do Software Livre nas periferias. O texto descreve como Cléber Santos de 18 anos (pai pedreiro desempregado e mãe faxineira), frequentador do telecentro da Cidade Tiradentes, conseguiu trocar idéias com Richard Stallman (fundador da Free Software Foundation).

Mas não são só os Telecentros que estão ajudando na inclusão digital. Jaime Szajner, engenheiro eletrônico e professor aposentado da FEEC (Faculdade de Engenharia Elétrica de Campinas), também esta querendo dar uma mãozinha.

Há cinco anos ele está trabalhando em um projeto de montar um computador que custaria R$ 750,00, cerca de 25% mais baratos que um computador comprado em uma loja de informática. Chamado de “Projeto Incluir” tem por objetivo produzir um computador popular que ajude a promover a inclusão digital e social de milhões de brasileiros.

Mas como nem tudo é maravilha o maior problema do projeto são os encargos fiscais os quais o governo não quer isentar. Leia mais sobre esse projeto aqui.

Bem, acho que é isso, a solução para a exclusão digital não é de responsabilidade do governo. Se você tem uma idéia de como ajudar não deixe que nada o desanime e não descanse até ver sua idéia em prática.

05/06/2004 - por Agent Smith


Escrito por Sr. Abc às 23h23
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Sobre o que pode ser feito.

Vi recentemente uma palestra que me pareceu bastante interessante. Tratava da conservação e do uso racional da água. Ok, lá vem aquela chata falar que precisamos economizar água...

 

Veja só: é um ótimo momento para começar a pensar a respeito; afinal, tem feito tanto frio, que a maioria das pessoas, por não quererem encarar aquela água geladinha de manhã, racionaliza seu uso.

 

O trabalho do grupo que faz a pesquisa no Campus de minha Universidade parece ser muito chato. Muito resumidamente: levantamento de todas as peças sanitárias do Campus, troca das peças avariadas, emprego de tecnologias economizadoras onde fosse possível e avaliação da satisfação dos usuários... muito chato.

 

O interessante mesmo foi o custo gerado: a manutenção desses sistemas prediais se paga em pouquíssimo tempo, questão de dias em alguns casos. Após aproximadamente 2 anos de trabalho, a economia mensal com consumo de água no Campus é de R$ 240.000,00 aproximadamente. Parece bastante razoável....

 

Então, por que a preguiça? Acaba custando tão pouco trocar aquele registro que está vazando no seu banheiro, e o benefício (seja pelo dinheiro que você economiza no final do mês, seja pelos aspectos ecológicos, que nem preciso discutir), que não há desculpas para o descaso.

 

Afinal, não é novidade que os grandes centros urbanos buscam captar água para consumo em pontos cada vez mais distantes, seja pelo fato de não serem capazes de tratar suas fontes próximas, tal a contaminação proliferada, seja pelo crescente aumento da demanda. 

 

Naquele momento em que estiver escovando seus dentes, dá uma olhadinha debaixo da sua pia, e veja se não há aquele Epóxi nojento fazendo a união das peças (falo isso por experiência própria). Então pare e pense sobre o que pode significar pra você conseguir água daqui alguns anos. Nos custará muito caro adiante o descaso com seu uso no presente. É isso.

 

04/06/2004 14:06 - publicado por lnoddle


Escrito por Sr. Abc às 23h06
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SIM, NÓS TEMOS DIALETOS

A primeira vez que ouvi falar sobre dialetos, foi numa conversa em família. Como uma grande quantidade de paulistanos, eu descendo de italianos, mas de diversas regiões da terra da “Pasta”, e devido a isso, existiam inúmeros “causos” oriundos das dificuldades na comunicação entre as famílias (especialmente entre noras e sogras).

 

Nessa época, o conceito não me era muito claro e achava que as diferenças do português entre as regiões do Brasil eram tipos de dialetos. Com o tempo pude entender, que tirando as gírias características de cada lugar todo o resto era igual. Ou seja: podemos nos comunicar com qualquer pessoa desse “Brasilzão” sem problema algum, pois falamos todos o mesmo idioma.

 

Mas no texto da Atena da segunda-feira, fui chamado à atenção, para um fato que há muito me incomoda: o linguajar que vemos se proliferar entre os internautas brasileiros.

 

São seqüências de contrações, expressões estranhas, neologismos derivados do inglês e sinais que tornam a compreensão quase impossível. Muitas vezes não conseguimos sequer, identificar estruturas de frases criadas no nosso idioma.

 

As justificativas são muitas, mas não necessariamente convincentes. A principal delas é a necessidade de velocidade para que a comunicação escrita se torne tão veloz quanto a falada, mas por que então observamos esse tipo de coisa em blogs e e-mails, que podem ser escritos com calma! Será que essas pessoas não estão usando essa mesma linguagem na hora de falar?

 

Outra vertente também tem me chamado a atenção ultimamente. Desde que assisti ao filme Cidade de Deus, comecei a reparar fortemente que certas comunidades tem, como que criado uma linguagem própria, que em muito difere do nosso idioma. E acaba se tornando uma questão paralela ao dialeto criado por usuários da Internet.

 

Agora, como explicar o surgimento de dialetos dentro do Brasil, em pleno século 21, com toda a tecnologia de comunicação e facilidades de transportes disponíveis, que superam obstáculos geográficos? A resposta deve ser que temos agora outros obstáculos, mais sérios e difíceis de transpor.

 

Afinal, o Brasil não é conhecido como “O País dos Contrastes” a toa. Um processo contínuo de exclusão social, isola cada vez mais os moradores das periferias das grandes cidades. Baixa renda, educação sem qualidade, falta de segurança e saúde, tudo isso interligado, faz com que comunidades tendam a se afastar inclusive no idioma.

 

Temos ainda a Exclusão Digital, que priva escolas públicas de computadores o que afasta ainda mais crianças e jovens das tecnologias atuais e os afasta assim de uma ferramenta de aprendizado fundamental para os dias de hoje.

 

É difícil sentir essa realidade de forma tão próxima a todos nós e é ainda mais complicado, perceber que pessoas com acesso à tecnologia, ou seja, privilegiados, ao invés de usarem os computadores como uma ferramenta para aprendizado e divulgação de novos conhecimentos estão criando em torno de si grupos também isolados.

 

Creio piamente, que a educação deficiente seja o principal motivo para o surgimento desses dois dialetos, desses dois grupos, que tendem a se distanciar cada vez mais, ironicamente por uns terem algo e outros por não terem quase nada. Como dizia o Chacrinha (bem lembrado pela Avó), “Quem não se comunica, se Trumbica!”, portanto, poderemos ver em breve uma queda de braços entre os grupos que não se entendem por não se comunicarem, mas nesse caso todos se trumbicam, ou melhor, o nosso idioma se trumbica, e junto dele o pouco que nos resta de identidade e mantém esse país unido.

 

Bom, vou parando por aqui, pois esse texto se mostrou mais difícil do que eu imaginava. Realmente não é muito fácil para um engenheiro enveredar para o lado da sociologia, mas acho que o importante é expressar a minha opinião, para tentar fazer mais pessoas pensarem no assunto e assim encontrarmos uma solução para isso juntos!

 

Até o próximo!

 

03/06/2004 23:59 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 23h04
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A importância da comunicação

Vivemos cercados de pouco entendimento entre muitas e muitas partes. Nossa vida se regula pelo nível de comunicabilidade de que desfrutamos. Chacrinha, um mestre da comunicação, consagrara como bordão a frase: "Quem não comunica se trumbica". É por isso que temos hoje quatro mídias: a internet, a mais recente, a tv, o rádio e a imprensa. Além das mídias que nos levam à comunicação a longa distância, lançamos mão do telefone e outras cositas más. Mas, não há nada mais eficaz que a comunicação tete-à-tete. Ou não.


Se nossas mães soubessem que era tão ridículo dançar quadrilha e se enfeitar de índio no 19 de abril, elas nunca, nunca iriam fazer isso. Mas não. Parecem que não escutam ou vêem que odalisca não é fantasia de carnaval nem aqui nem na China, sem contar as fantasias de bailarina e palhaço. Queria que dissessem isso pra elas - será que consegui?


Alguém avisa ao Raul Gil - pecamos por omissão, é verdade. Alguém, por favor, avise ao Raul Gil que ele tem uma herança riquíssima para ser pega na garganta do diabo, em Foz do Iguaçu, em baixo da queda d'água mais forte. Detalhes, para pegar a mala, que está presa num rochedo, ele não pode usar bote salva-vidas, muito menos corda. Deve descer sem equipamento nenhum de segurança. Só não lhe avisem que é um plano pra ele nunca mais apresentar aquele programa chato das tardes de sábado.


Pôr fogo em lan houses: Sim. Eu sou uma incendiária. Odeio lan houses, apesar de viver nelas. O que ocorre é que se não gritassem tanto, talvez pudessem contar com meu apoio. Mas idade da pedra em 2004 não dá!


Telemar: o governo entregou meio país a essa empresa horrível. Onde já se viu colocar ligações para Kuala Lampur na sua conta de quem mora em São Gonçalo ou Cabrobó da Serra!!! Será que eles pensam que somos todos terroristas?


Pessoas que gritam no cinema: o filme é até engraçado, mas alguns cismam de ficar gritando como macacos em dia de chuva. Eles não se conformam em comunicar com os celulares ligados na sessão, o mau hábito de ficar comendo e cochichando e então gritam gritam gritam quando o mocinho pega a mocinha naquela hora. Ninguém merece.


Gente que não entende que você está ocupado: Tá! Você tem um msn repleto de contatos; é popular; é O Cara! Mas não é aceitável o fato de ter tanta gente no seu pé enquanto seu status está "Ocupado". Esses chatos ficam dizendo: e aí? o que está vestindo? o que acha dos problemas na câmara municipal da sua cidade? pôs o lixo pra fora? - devem morrer.


E-mail do inferno: Odeio e-mails com bebês, rosas, muitas rosas e ursinhos de papel de carta. Eles deixam seu computador cheio de kbs indesejáveis, além de deixar você mais inspirado a MATAR MATAR MATAR!

 

Avó Peluda

 

03/06/2004 13:42 - publicado por Avó Peluda


Escrito por Sr. Abc às 23h03
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Baseado em fatos surreais

Sobre atrasos e outras lombras

“Sorry, I’m late”

(Srta. Quaresma)

 

De botecos a artistas plásticos bizarros, passando por brigas com o namorado e situações alcoólicas e constrangedoras... Muitos foram os motivos de minha demora. Para se ter uma idéia mais precisa da coisa, sabe aquelas semanas em que tudo dá errado? Seu computador quebra, seu dinheiro acaba, seus fios de cabelo se juntam e decidem iniciar uma revolução na sua cabeça, você assiste em 1 semana o equivalente a 2 dias de aula, o cara do bar não faz fiado, você briga com o namorado, com a mãe, com as colegas e com o amigo imaginário (um chimpanzé selvagem chamado Tobby que mora no banheiro da sua casa). E tudo isso sem TPM!

 

Numa semana dessas a primeira coisa que vem a sua cabeça é a singela frase “Peraê, bicho!” Logo depois vem a segunda frase, que demonstra uma tendência muito mais “deprê-suicida” do personagem em questão: “Eu vou sair e me jogar na frente da primeira bicicleta que passar” As seguintes fases desse comportamento psicologicamente conturbado podem ser resumidas respectivamente da forma que se segue:

 

Fase conclusiva: “O Mundo é ruim”

Fase terrorista: “Eu vou sair e matar todas as pessoas do Mundo”

Fase de conformação: “Isso é impossível”

Fase de mudança: “Vou ao cabeleireiro”

 

E, como todos sabem (ou deveriam saber), o cabeleireiro é aquele cara que tem o poder de mudar a vida das pessoas. A minha teoria para isso é que os cabeleireiros foram criados por alienígenas da 8ª dimensão, no intuito de manter as pessoas sempre felizes e sexualmente ativas (segundo a premissa: beleza, logo sexo), e assim não se darem conta de que estes seres estão destruindo nosso mundo.

 

E para concluir, como ainda não fui ao salão de beleza, vocês terão o desprazer (ou prazer, gosto não se discute) de conhecer a Srta. Quaresma em sua versão mais a-vida-é-ruim-e-os-passarinhos-morrem possível.

 

Srta. Quaresma 1ª Temporada: Agora muito mais bizarra!!!!!

02/06/2004 - publicado por Srta. Quaresma


Escrito por Sr. Abc às 23h03
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PAMONHA, PAMONHA, PAMONHA!

“...É o puro creme do milho verde. Venha provar minha senhora: é uma delícia!” Quem nunca ouviu essas frases saindo do alto falante instalado em Kombis ou Brasílias que atire a primeira pedra. Se o criador dessa pérola da publicidade a tivesse registrado e recebesse por cada um que a utiliza ele seria uma das pessoas mais ricas do Brasil.

 

O ato das vendas realizadas por ambulantes é muito antigo. No Brasil há muito, os Caixeiros Viajantes e Mascates, em geral turcos, armênios e libaneses, ficaram famosos percorrendo as ruas das capitais e do interior do país.

 

Me lembro com alegria dos tempos de criança, quando o Peixeiro Seu Joaquim passava pela rua onde morava. Seu chamado era característico e ouvido de longe: “Olha o Peixe, peixe fresquinho! Sardinha, Pescada, Peixe Porquinho!” e era quase certo que um bando de crianças como eu sairiam correndo de casa pedindo para que ele esperasse as avós que chegavam mais devagar.

 

Até o ritual era fascinante. Após o pedido feito, o carrinho cheio de gelo se transformava, no melhor estilo Transformers, em uma elaborada bancada para a limpeza, pesagem e embalagem dos peixes. Sem contar é claro, na balança manual que ele usava e que nunca havia recebido alguma do INMETRO... Mas ninguém se importava, pois aquele era o Seu Joaquim e o peixe era sempre fresquinho.

 

Hoje em dia, muito desse charme foi perdido. São carros, peruas e caminhões que vendem de tudo que possamos imaginar utilizando os ruidosos alto-falantes, causando certamente incrementos à poluição sonora, mas proporcionando muitas vezes também, ótimas gargalhadas, com suas frases de “efeito”.

 

Outro dia estavam vendendo sorvete de massa. A frase enaltecia o produto e informava o preço, mas também explicitava uma exigência: “Olha o Sorvete Cremoso! Temos todos os Sabores. Duas bolas um Real, um litro 5 reais. TRAGAM A VASILHA E A TIGELA!!!”. Eu definitivamente não tomaria o sorvete, mas fiquei imaginando a fila se formando ao lado do carro, e todos portanto multicoloridos recipientes de plástico para que pudessem saborear a iguaria refrescante!

 

O português impecável de vendedores de frutas e padeiros também impressiona. A especialidade costuma ser a aplicação de plurais e diminutivos! “Bom Dia Freguesia! Seis ‘maçã’ por dois ‘real’!” ou “Olha o padeiro trazendo pão quente! ‘Deis’ ‘pãozinhos’ por ‘treis’ ‘real!” e por aí vai...

 

Mas as vezes a tecnologia falha. Isso aconteceu no último sábado, enquanto eu calmamente lavava meu carro. A Kombi com o alto-falante chega na rua e estaciona. Imediatamente os últimos sucessos do Axé começam a ser reproduzidos para chamar a atenção, para a mensagem que sabemos estar por vir. A música para e a expectativa vai a mil, seguida por uma ducha de água fria: o anúncio era simplesmente ininteligível.

 

Os responsáveis, ainda deixaram aquilo acontecer por muitas vezes antes de perceberem que ninguém se aproximava, simplesmente por não fazerem idéia do que se tratava. Finalmente rendidos, começam a passar de casa em casa oferecendo a mercadoria. Essa fiz questão de esperar pela vez da minha casa para saber do que se tratava, afinal qual seria o produto que estaria ligado a uma campanha tão animada, ao ritmo do Axé.

 

Bom, eram produtos de limpeza, mas de mim eles só arrancaram mesmo gargalhadas...

 

Pamonha, Pamonha, Pamonha...

“Pamonha, pamonha, pamonha!

Um ícone nacional...”

 

01/06/2004 08:52 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 23h01
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OS BLOGS E SUAS IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS E EMPÍRICAS, RELATIVAS À LÍNGUA MATER

(isso é que é título imponente, não?)

 

Dizem que os brasileiros não gostam de ler e tampouco de escrever.

Quando cursei o ginásio, se a professora de Língua Portuguesa solicitasse a leitura de um livrinho de cem páginas da Série Vaga-Lume, embora as histórias fossem geralmente muito boas sempre havia o coro dos descontentes (alguns muito preguiçosos, diga-se de passagem, pois naquele tempo ninguém trabalhava fora, no máximo ajudava a mãe a varrer a casa). E quando o assunto era redação, a coisa ficava ainda pior, afinal, era cada um por si e as possibilidades de cola eram nulas, a não ser que o exercício ficasse com tarefa de casa, é claro.

 

Mas se isso é verdade, então como explicar a grande, enorme quantidade de Blogs tupiniquins, senão o fato de haver muitos brasileiros que gostam de escrever, o que não significa exatamente escrever bem, além de muitos outros que gostam de ler o que outros escrevem?

 

Sendo assim, considerando as pessoas que tiveram acesso à alfabetização e, neste caso, ao uso da internet (que em praticamente tudo utiliza a comunicação escrita), talvez não seja verdade que os brasileiros não gostem de ler. Pode até ser que muitos não tenham é dinheiro para comprar livros, como sei que era o caso de vários dos meus colegas da escola. Ou então gostem de ler sobre assuntos que não entraram nesse dado estatístico, que eu nem sei se existe mesmo ou se é só mais uma frase de impacto: "O Brasileiro Não Gosta De Ler".

 

Por exemplo, tenho certeza absoluta de que as revistas de fofocas não estão incluídas no quesito ‘leitura’, embora, obviamente sejam materiais escritos. Em grande parte dos consultórios, salões de beleza e até mesmo banheiros residenciais existe pelo menos um exemplar da Caras, Tititi e suas versões genéricas. O que significa, portanto, que há muito público para esse tipo de publicação.

 

31/05/2004 17:37 - publicado por Atena


Escrito por Sr. Abc às 22h59
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Segunda parte do texto OS BLOGS E SUAS IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS E EMPÍRICAS, RELATIVAS À LÍNGUA MATER

(esse título merece ser repetido várias e várias vezes)

 

Bom, já quanto a escrever, o caso parece ser mais complexo. Dentre outros motivos, a insegurança certamente é um fator que torna muitas pessoas avessas à expressão escrita. No meu caso, parece que tenho uma redação razoável, mas tenho certeza de que se o Professor Pasquale passasse por aqui seria capaz de indicar pelo menos meia dúzia de incorreções em meus textos, isso porque em toda a minha vida acadêmica eu sempre fui a queridinha dos professores e professoras de Português. O que dizer então daqueles pobres estudantes que, por sentirem-se esmagados pelo peso de monstros literários, morfológicos e semânticos, renegaram eternamente sua própria Língua Mãe?

 

Pois eu lhes digo: embora não tendo feito as pazes com ela, estes indivíduos escrevem, e muito, em recantos da internet como blogs, fóruns de discussão, chats, livros de visita, etc. E nota-se a presença dos mesmos não só por transgredirem as regras mais básicas da nossa língua, mas também por terem criado uma linguagem própria, alternativa e sintética, através da qual se comunicam e cuja compreensão possui um alto grau de dificuldade. Percebam isso nos trechos originais abaixo, retirados aleatoriamente de blogs disponíveis na internet:

 

... nós tocamu ela doido dimais... só qm tava lá pra podê descrever... tipo q eu tava cumeçanu no baxo e tals (...)”

 

Aew Aew Eu toh indu viaja e eu voh atualiza issu aki denovo soh lah pra sabado ou domingo entaum esperem um poko...”

 

Depois da burrice q eu fiz eu to comentanu aki... ai meu deus...eu so mtu leda msm... as fotus taum mtu per... queria mtu ter ido mais neim deu...mais no proximu eu vo....
Te adoro!!!! Beijim!!”

 

Não chego a afirmar que todos os adeptos desta nova língua o sejam em virtude do ódio interno nutrido contra as normas cultas da Língua Portuguesa. Muitos deles provavelmente possuem traumas ligados ao uso do computador, ou do teclado. Talvez a maior parte deva-se a adolescentes interessados em manter uma comunicação própria e peculiar, por rebeldia, curtição, ou então como forma de selecionarem os indivíduos para seus grupos. Vai saber o que se passa nessas mentes em polvorosa...

 

31/05/2004 17:37 - publicado por Atena


Escrito por Sr. Abc às 22h58
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O BLOQUEIO DO ESCRITOR

O tempo todo acontecem conosco coisas que não conseguimos explicar.

 

Eu por exemplo gosto muito de ler e tenho como um grande sonho escrever um livro. Infelizmente eu sou muito melhor leitor do que escritor. Outro dia porém, consegui escrever um conto que me agradou bastante, apesar de ser de um tipo que eu nunca havia escrito antes. Só que depois disso eu não tenho conseguido escrever mais nada.

 

Parece que depois daquele texto, eu me tornei mais crítico comigo mesmo e exijo agora grandes inspirações, grande vontade de escrever e um bom estilo. Só que aquela mesma inspiração pode nunca mais acontecer, sem ela ou outra perco a vontade que sempre chega e o estilo nunca fica bom. Acho que posso considerar isso como um belo de um bloqueio.

Como eu disse antes, infelizmente, mas por sorte eu não sou ainda um escritor conhecido. Por que sorte? Bem, imaginem se um bloqueio desses atingisse um grande escritor como Luis Fernando Verissimo!

 

Lá estaria ele em sua escrivaninha em Porto Alegre (bom, quiçá em Paris ou “New York”) se preparando para escrever sua crônica para um grande jornal.

 

Ele cuidadosamente ajeitaria a cadeira, ligaria o computador (bom, imagino que hoje em dia, ele tenha aderido às facilidades da tecnologia, mesmo indo contra todo o romantismo e nostalgia que envolve a escrita dos manuscritos com letras cuidadosamente desenhadas ou todo o desespero e força de linhas sempre reiniciadas em uma velha máquina de escrever), tomaria um bom gole do seu chá favorito, colocaria as mãos sobre os teclados e começaria: “Estou aqui, pronto para começar a escrever e simplesmente nada...”

 

O branco aconteceu com ele. Nervosamente ele começaria a andar pela casa, balbuciando idéias e frases desconexas, buscando em qualquer lugar uma fonte de inspiração. Mas nada. Sua mulher o encontraria desse jeito e ao saber o que tinha acontecido começaria a andar e resmungar com ele pela casa, preocupada também que se ele não conseguisse escrever mais, eles não teriam como alimentar os filhos... ou melhor: os netos. Ele teria que voltar a fazer traduções e outros bicos, mas nessa idade, a pressão de trabalhar como tradutor seria demais para ele.

 

Ou então, eles iriam procurar em todas as agendas pelo telefone do Analista de Bagé, pois só um psicólogo dessa envergadura para resolver um problema como esses. Bom, apesar do receio de Veríssimo, ao se lembrar da técnica do “joelhaço”.

 

Mas nesse momento eles se lembrariam de uma coisa. Bom, ela confirmaria isso, mas devido à modéstia ele não. Eles, digo ela, se lembraria que Luis Fernando Verissimo é um gênio. Ele voltaria para a escrivaninha, tomaria um gole de chá (agora de camomila, para ajudar a relaxar) e começaria mais uma história, que ficaria muito bem em “As Mentiras que os Homens Contam” , sobre as diferentes desculpas e histórias contadas aos chefes quando não conseguimos fazer o trabalho. Ou, quem sabe, ele falaria algo sobre como estar em Paris ou em “New York” pode ser uma grande inspiração para qualquer pessoa.

 

Realmente se algo assim acontecesse seria difícil, mas alguém como o Verissimo daria um jeito.

 

Simplesmente um Gênio!

Sim, sou fã dele!

 

30/05/2004 14:19 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 22h56
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SOBRE A VIDA APÓS A MORTE

EM UMA FRASE BEM CURTA...

 

Então o que nos resta fazer é continuarmos deixando pinturas rupestres nas paredes de nossas cavernas... Para não sermos esquecidos, ou quem sabe, sermos relembrados!

 

28/05/2004 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 22h53
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MINHA PRIMEIRA VEZ NUM BLOG

Pois é. Um dia a modernidade bate à nossa porta e somos convidados a deixarmos de lado o diário secreto escrito a mão e digitarmos nossas idéias, desejos e lembranças num lugar a que todas as pessoas do mundo tenham acesso.

 

De fato, quando aos quinze anos comecei a escrever o primeiro volume de minhas “Memórias”(1) , intimamente eu imaginava que após minha morte algum amante da arte descobriria meu talento oculto para a literatura e faria publicar integralmente a obra de minha vida, que em pouco tempo seria aclamada pela crítica e público como uma das maiores autobiografias de todos os tempos, e best-seller em mais de cinqüenta e dois países... No entanto, ao imaginar este futuro promissor, ao mesmo tempo em que me satisfazia com a idéia de que um dia meu talento seria finalmente reconhecido, também sentia-me envergonhada ao cogitar que meus sentimentos mais escondidos estariam à disposição de toda a coletividade, inclusive de meus pais. Se bem que, já estando morta (e provavelmente eles também), este problema de acanhamento estaria naturalmente solucionado.

 

Mas enfim, o fato é que após dez anos estou aqui, viva e sem vergonha(2) e, embora tenha muito a dizer, não faço a mínima idéia de como começar.

 

Aliás, se o objetivo de um Blog é que outras pessoas leiam aquilo que escrevemos, como conquistar nosso público? Como realizar a incrível proeza de fazer com que internautas tão cheios de opções tenham vontade de ler o que escreve uma garota (não digo mulher porque, embora com vinte e cinco anos ainda não me vejo como tal), completamente comum e desconhecida, sem que esta precise lançar mão de meios em geral mais atrativos como contos eróticos, por exemplo?

 

Pensando bem, existe uma palavra que está em minha cabeça enquanto reflito sobre isso, e essa palavra é entretenimento. E isso me diz que não importa do que eu fale, quer seja da minha vida, do tempo, das fofocas da tevê ou de minhas opiniões políticas ou religiosas, o que qualquer público deseja é se entreter: rir, chorar, refletir, identificar-se com alguma opinião ou até mesmo se irritar com ela... enfim, o lance é transformar qualquer coisa em algo interessante e capaz de provocar sentimentos, com exceção do tédio (e talvez do nojo).

 

Eis aí um conselho que posso deixar a todos os autores de Blog que porventura tenham chegado até aqui, um conselho de uma novata completamente inexperiente, mas não por isso dispensável, acredito.

 

Isto posto, uma coisa posso prometer a você, leitor recém apresentado a mim nesse diário público e coletivo de idéias mutantes: que irei até os confins de tudo o que sei e não sei a fim de buscar assuntos que dêem vida a cada palavra que escrever aqui, para que você sinta vontade de voltar mais e mais vezes, simplesmente por achar interessante.

Atena(3)

 

Notas:

(1) - Não existem vestígios destes escritos atualmente, nem dos outros cadernos que se seguiram, pois foram todos sumariamente queimados num acesso de fúria de sua autora, há cerca de três anos.

 

(2) - Evidentemente que apenas com relação aos assuntos pessoais e de classificação livre dos quais porventura eu venha a tratar.

 

(3) - Este é o meu pseudônimo, o nome com que esconderei minha real identidade. O que, por sua vez, garantirá a eficiência do item 2, caso algum dia meus pais venham a acessar este blog.

 

26/05/2004 17:12 - publicado por Atena


Escrito por Sr. Abc às 22h52
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E SURGE UMA IDÉIA MUTANTE

Uma explosão em um zerézimo de segundo. E do nada surge o Universo. No meio da sopa cósmica um tiquinho de matéria se choca a outro e surgem as estrelas.


Milhões de anos passaram-se como se fossem nada na linha do tempo, pois não estávamos lá para ver. E nesses segundos surge a humanidade.


Uma maçã e uma cabeça... a gravidade tem uma lei. Um banho e EUREKA!


Um cisco no olho, um orgasmo fabuloso, um fósforo riscado: momentos infinitamente efêmeros que podem mutar uma idéia e assim criar IdÉiAs MuTaNtEs!


Vamos ver o que teremos...


... no próximo segundo!

 

25/05/2004 00:35 - publicado por Muta


Escrito por Sr. Abc às 22h51
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Os Dias Mutantes

Segunda: Atena
Terça: BruCe & Rafaella
Quarta: Srta. Quaresma
Quinta: Avó Peluda
Sexta: Muta

E a qualquer momento: Agent Smith & BlackSpy


Histórico


01/09/2004 a 30/09/2004
01/08/2004 a 31/08/2004
01/07/2004 a 31/07/2004
01/06/2004 a 30/06/2004


Links


NOVO IDÉIAS MUTANTES - Agora muito mais mutante!

Gabriela Sou Da Paz

Diga não à impunidade!

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