As Idéias



Idéias Mutantes

Eu tenho uma mente muito cinematográfica; penso que (quase) tudo pode e deve virar cena a ser filmada, fotografa ou recriada em um texto literário. Outro dia, passeando com pessoas queridas (e uma mais querida que a amizade) pela praia de Copacabana, avistei uma senhora tão tão tão interessante que deveria virar ícone da cultura carioca. A mulher simplesmente era uma lenda vida (para usar o clichê!), com os cabelos que iam do roxo ao vermelho sem problema alguma para a vida de quem observa, uns óculos enormes, enfim, uma presença enorme!

Dia desses, no metrô, todo mundo gritou: IH! OLHA LÁ: UM CEGO GUIANDO OUTRO CEGO! Qual não foi a minha surpresa ao virar e realmente constatar a cena perigosa e fotografável - realmente eram dois cegos dando-se instruções e bem longe da escada que dava acesso à rua. Cairiam os dois num buraco? Isso, com certeza, não seria registrável.

O que quero dizer é que sinto muita falta de uma máquina fotográfica, de uma caneta o tempo inteiro, de uma filmadora super 8, pra pelo menos ter um acervo de tudo o que contemplei durante o dia. Tudo de interessante, tudo de mutante, tudo de gente que não teria o que fazer além de ganhar uma bolsa de mestrado da universidade e estudar muito.

Não consigo às vezes dormir por ficar imaginando e imaginando como eu poderia fazer isso, como deveria ser exposta uma homenagem a Cecília Meireles ou como vai ser que vou pagar aquela conta que está quase me mandando para o SPC. A verdade é que adoro pensar e descobri isso há poucos dias quando me veio uma fome incrível por ler tudo o que me vem à frente. Em dois tempos, li 3 livros; devorei uns quinhentos jornais e quase descolo minha retina quando pelos coletivos da vida fico com a cabeça pendendo sobre a os periódicos da universidade, redações de alunos para corrigir...

Não foi então que o inominável ocorreu! Estava em casa nessas imaginativas sessões de não-ter-o-que-fazer, e toca o telefone – ligação de São Paulo – quem seria ? Quem! O Muta! Ele me liga de São Paulo pra me fazer descobrir o seguinte: Vó, você é hiperativa...

(to be continued)

Avó Peluda




Escrito por Avó Peluda às 19h11
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Vida efêmera

Confesso que sou uma pessoa que não sabe lidar com a morte. Sei que a minha hora vai chegar e isso não me aflige, mas saber que algum conhecido morreu ou está à beira da morte, é algo realmente assustador para mim. Simplesmente não sabia como lidar com a situação, até que infelizmente esse ano tive que aprender na marra.
Num curto espaço de quatro meses perdi um amigo e a irmã de uma queridíssima amiga de uma hora pra outra, ambos com pouco mais de 30 anos.

Nas duas ocasiões, quando fui obrigada a conversar com as respectivas famílias, me dei conta de que a vida, infelizmente, passa muito rápido e nem sempre temos tempo de realizar todos os nossos sonhos ou aproveitá-los quando se tornam realidade.

Minha visão sobre a vida e como passar por ela mudou muito a partir desses acontecimentos. Dentro do possível passei a não deixar nada para depois. Deixei de agir conforme as pessoas esperam que eu aja, passei a me irritar menos e só dar muito valor ao que é de fato importante. Ir em busca de todos os meus desejos, antes que possa ser tarde demais foi outra atitude que passei a ter. Alguns sonhos têm data de validade sim !!!

Quero poder faltar um dia de trabalho para me divertir num parque como uma criança de 10 anos, me lambuzar de sorvete e não sentir culpa por isso. Tomar chuva no meio da rua e achar a maior graça e não se importar que estejam todos me olhando enquanto dou gargalhadas. Será, por exemplo, que se eu evitar comer chocolate só pra não engordar e atender aos padrões de beleza da sociedade vou ser mais feliz? Talvez não.
Tudo é válido desde que faça bem ao espírito e à mente.

Já vi muitas pessoas idosas que passaram a vida sem conquistar seus sonhos, ou mesmo que viveram uma vida sem sonhos, sem ambições, sem nada a ser
conquistado com medo do que iria se pensar sobre elas. Será que foram felizes?

Tenho medo de passar pela vida sem me sentir realizada, sabendo que
não fiz o que gostaria de ter feito para agradar aos outros. Quero viver, provar, conhecer, fazer tudo que puder com um mínimo de bom senso. Perder as estribeiras de vez em quando não faz mal a ninguém, e em muitos casos acaba sendo uma inesquecível experiência.

Estou reaprendendo a aproveitar a vida.

Escrito por Rafaella Stallone às 13h05
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Journal Entry { 31/08/2004 } TERÇA-FEIRA
 
 
MOMENTO PSICODÉLICO :
-> ACESSO RESTRITO <-

Realmente psicodelia muito me interessa.

Com os ânimos um pouco à flor da pele aqui no CPD, vários supervisores de call center vieram aqui especular e ficar perguntando porque estava lento o sistema, etc...

(Enfim, aquela “encheção” de saco inerente a esse lugar! )

Em dado momento, a supervisora altamente chata e feia da Assist entrou aqui para especular (obviamente com sua cara de “pseudo-estressada”).
Eu, o Edson da CTI e Hernandes (da “Bancada Ruralista”) tivemos então a seguinte idéia:

- Colocar aqui no CPD um cão Pitbull obcecado por sangue e carne.

Um animal vil e feroz que ao simples abrir da porta do CPD colocar-se-ia a ranger e estremecer tomado pela ira raivosa.
Um verdadeiro CÃO que ao simples comando (um sutil baixar de cabeça) avançasse no usuário imbecil...

Imagine a cena:

"Eu, no rack de servidores analisando monitores de performance e logs, tentando calma e profissionalmente resolver os "fantasmagóricos" problemas que assombram a exatidão da informática deste recinto; e a "a besta humana", altamente feia e altamente chata da Assist abre a porta de ACESSO RESTRITO do CPD e já vai entrando, sem ser convidada, esperada ou anunciada, claro...
 


Nesse instante, o sanguinolento e naturalmente colérico Pitbull põe-se a ranger e ter espasmos de pura raiva!
Ele olha a invasora em um medonho transe de pura raiva... E consulta-me, à espera de um sinal...
Eu simplesmente baixo leve e lentamente a cabeça com ar de desprezo.

Sem pensar, sem ao menos exitar, o cão do inferno pratica sua devotada e única missão...
... Sim, ele dilacera a face feia e odiada da visitante inoportuna. Sim, ele mordisca com paixão voluptuosa os membros da desfigurada donzela. A garganta deve ser poupada afim de evitar o óbito da intrusa; para que esta viva e lembre-se do castigo por desrespeitar a sublime lei que tange os CPD´s sérios deste mundo:
"ACESSO RESTRITO!"



# Obs.: Idolatrado por muitos cariocas e trogloditas do Jiujitsu, o Pitbull é uma raça de cão que é como pode-se dizer; "biologicamente determinada", ou seja, é uma raça de canídeos onde a força física é ressaltada geneticamente e algumas partes do corpo igualmente alteradas, afim de conferir maior efetividade à propósitos destrutivos aos quais a raça serve com perfeição.

(by BruCe)


Escrito por Bruce Werk às 09h52
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O lado pitoresco das eleições municipais

Meu namorado desenvolveu um esquema para livrar-se dos inúmeros santinhos distribuídos nos sinais: toda vez que vão entregar-lhe um desses panfletos, ele automaticamente devolve em troca o que recebeu no semáforo anterior. Faz, assim, um rodízio entre os candidatos, tendo a oportunidade de conhecê-los todos e ainda disseminar esse conhecimento, ao mesmo tempo em que dá fim à papelada. A única desvantagem desse sistema é que ocasionalmente pode ganhar-se a antipatia dos cabos eleitorais.

***

Além do Álbum de Figurinhas do Campeonato Brasileiro de 2004, as editoras deviam lançar também o Álbum das Figurinhas das Eleições de 2004. A criançada bem que ia se divertir preenchendo centenas de páginas com os santinhos espalhados pelas ruas. Ao lado de cada espaço para preencher com a foto do candidato poderia haver um breve perfil do mesmo, conforme o seguinte exemplo:

Nome: Tião da Paçoquita (PSTU)

Profissão: Comerciante de produtos alimentícios

Escolaridade: 4a série do Ensino Fundamental

Principais projetos: Combater o analfabetismo e a evasão escolar e incluir a paçoca na merenda dos alunos dos colégios municipais.

Realizações: Defendeu a cidade atuando como zagueiro no time joseense da 4a. divisão em 1985.

Slogan de campanha: “Contra o FMI, vote em Tião da Paçoquita para prefeito!”

***

Ontem eu dizia a papai que ia votar em branco para vereador e ele me chamou de preconceituosa. É possível que estivesse temporariamente fora de si, já que havia bebido muito e estava assistindo ao horário político.

***

Foi-se o tempo em que os candidatos usavam de criatividade na confecção de seus brindes. Antigamente, o falecido ex-vereador Pedro Bala de São José dos Campos distribuía para o eleitorado nada menos do que... balas. Jairo Pinto, outro político da região, tinha uma Fiorino que percorria a cidade com centenas de pintinhos de granja, que as crianças levavam para casa aos montes (hoje em dia fico imaginando o triste fim de cada um daqueles pobres diabos, numa época em que nem a Sociedade Protetora dos Animais soube defendê-los). Lembro-me também de uma campanha em que presenteavam o eleitor com um trevo-de-quatro-folhas plastificado. Afora tudo isso, havia ainda batons, pacotinhos de sementes e as tradicionais réguas, bolas e cadernos escolares.

Sabe-se lá por que razão hoje em dia, pelo menos na minha cidade, o que mais há são muros pintados com nome e número dos candidatos, placas com suas fotos espalhadas pelos postes, santinhos e panfletos, bandeirinhas, outdoors, telemarketing e, principalmente, propagandas na tevê.

Desconfio seriamente da eficácia dessas estratégias de propaganda, já que todo mundo que conheço odeia tudo isso.

Caso algum dia eu perca o juízo e me candidate a um cargo político, já tenho uma idéia de brinde que provavelmente até hoje ninguém mais teve. Para as donas-de-casa, eu iria distribuir uma caixa contendo envelopes de tempero para arroz, aves, legumes e saladas, e mandaria imprimir nas embalagens individuais algumas de minhas propostas de governo. Para os homens, utilizaria a mesma estratégia, só que desta vez com refis de aparelhos de barbear. Assim, até o final das eleições, eu garantiria um contato diário com boa parte dos eleitores.

Se não fosse eleita, ao menos lançaria um novo conceito de marketing eleitoral que, caso não fosse o mais eficiente, seria certamente o mais útil.

E tenho dito!


Escrito por Atena às 08h45
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Lições de gramática

Os verbos de ligação:

estar morto

parecer degolado

ser trucidado por uma manada de javalis

andar à beira da morte

ser o Fred Grueger

Escrito por Avó Peluda às 21h42
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E NASCE O PROFETA

Chica, grávida de 7 meses dormia tranqüilamente, quando teve um sonho muito estranho. Nele anjos voavam alegremente e ela caminhava nas nuvens. De repente, um Anjão com cara muito brava percebe a pobre Chica caminhando entre eles e num rasante amaldiçoa a pobre:

 

_ Teu filho vai nascer profeta e azarado, nessa terra que não acredita em nada! – e numa batida de asas derruba a futura genitora das alturas celestiais.

 

Nessa hora ela acorda assustada, amaldiçoando o feijão com farinha da janta; e esquece do sonho.

 

Passados três meses Chica em desespero não agüentava mais a barriga, e é claro, o bebê que carregava. Em meio ao desespero por já estar achando que lhe nasceria um burro ao invés de uma criança, Chica se lembra daquele estranho sonho. Será que ela havia mesmo sido amaldiçoada por um anjo?

 

Mas ela nem podia mais pensar nisso. Apesar dos seus dez meses de uma gestação quase eqüina, Chica não podia parar de trabalhar. Coser e cerzir, coser e cerzir, as roupas não paravam na fábrica e aquele dinheiro era importante para ela.

 

E como já poderíamos esperar, foi nesse ambiente fabril, sujo e febril que a criança resolve dar o ar da graça. Corre de lá, corre de cá, chama o socorro, trás água quente (sempre aparece um sabichão nessas horas) e no meio da correria o bebê nasce... Cuspido do ventre materno, sem tempo para bombeiros, parteiras ou qualquer tipo de torcida.

 

_ José da Anunciação! – declara Chica o nome do filho, que não iria conhecer melhor, pois como que, se dispensada após ter cumprido tarefa das mais importantes, morre sem mesmo ter tido a chance de pegar a criança em seus braços.

 

Mesmo sem saber de nada, o pequeno José já nascia com a sua maldição sendo lançado ao mundo num lugar sujo, frio e feio, sem contar com o fato de ter ficado órfão ali, aos berros de frio, medo e fome...


Escrito por Muta às 00h00
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ARTISTAS DE RUA

Tudo bem que o desemprego está grande, terrível, alarmante e que a Ana Paula Padrão, de segunda a sexta fala dos índices baseados em pesquisas da Fipe em São Paulo e blá blá blá blá blá.

Andando pelas ruas movimentadas do Rio de Janeiro, São Paulo, Milão, Paris, Miami, Istambul ou Atenas, sempre me deparo com artistas de rua. Do shopping para casa, de casa para o shopping, lá estão eles, fazendo malabarismos, dançando com bonecas de pano, jogando capoeira com facas tramontina, imitando artistas famosos como Reginaldo Rossi, Rita Cadilac, Sandy e Júnior, Sá e Guarabira, Rio Negro & Solimões, domando cachorrinhos poodgles - aliás os poodgles são especialistas em:

- pilotar motocicletas com jaquetas especiais e óculos escuros;

- pular corda;

- dar piruetas no ar;

- atravessar círculos de fogo;

- disputar com pulgas amestradas a atenção dos passantes da rua;

- aumentar meu ódio pela vida.

Os artistas de rua vão desde mães desesperadas que põem suas talentosas filhas louras pra imitar a Kely Kye até os assaltantes que saltam de motos em movimento pra dentro de carros também em movimento, travestis em porta-malas, entre outros. Eles estão em todo lugar, trabalham para a nossa felicidade, com shows ao ar livre:

- Há os que ficam parados, cheios de gosma num calor de setenta graus - são os artista estátua.
- Há os que imitam animais, rastejam pelo chão como cobra e sempre terminam como estátua.
- Há os que tocam músicas da Cordilheira dos Andes, músicas peruanas, músicas com flautas típicas, com bandolins típicos, roupas típicas.

- Há os que aparecem no Esporte Espetacular tentando falar "duplo scarpato pra frente" - amo, amo!

Há mais, muito mais. Eu quero ser uma artista de rua, uma estrela! Farei para todos o número da "Holandesa":

assim:

1) Avó Peluda põe uma saia bem balão

2) (Avó Peluda não tem anáguas/nada por baixo das saias)

3) Avó Peluda sai no meio da festa dando "estrelinha" e cambalhota

4) Nas "estrelinhas" ou no saudável plantar de bananeiras, a saia cai, fica na baixura do pescoço da velha que está de cabeça para baixo (ponta-cabeça, para paulistas)

5) As pernas de Peluda/peludas ficam pro ar, mostrando Avó Peluda para todos

6) Alguns batem palmas

7) Outros chamam a polícia

8 ) Outros ainda pedem o telefone de Peluda

9) Outros dizem "Repugnante"

10) Avó Peluda agradece as ovações e vai embora abrindo espaguete.


Escrito por Avó Peluda às 16h38
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Journal Entry 25/08/2004 - CÓPULA
 
Não tinha muito o que fazer.
Procurou o lugar mais interessante e belo que havia por lá.
Ao encontrá-lo; sentou-se então a meditar.
O pensamento sativo, o corpo leve... A vontade aflorada...
Sede de algo que somos; algo que está numa fonte dentro nós mesmos e não bebemos... E continuamos, sobrevivendo em sede...

Eu pelo menos sei que a fonte está aqui dentro; só preciso agora beber... Essa é a parte difícil...
Porque as verdadeiras e melhores respostas estão dentro de você, cada ser humano tem dentro de si uma partícula "divinal" - que é o Deus em ti... Seja o "Deus" o que tu entendes que Ele seja, desde um velho sábio e barbado até o grande e silencioso Cosmo, Universo, incluindo nós!

Cada vez que nos sentamos e meditamos (no meu caso em Zen), algo acontece:

"Não tinha muito o que fazer.
Procurou o lugar mais interessante e belo que havia por lá.
Ao encontrá-lo; sentou-se então a meditar.
O pensamento sativo, o corpo leve... A vontade aflorada..."

E foi ali que ele descobriu que SOMOS A CÓPULA!
- Somos a cópula perfeita entre o feminino e o masculino -
- Universalmente, somos a cópula entre A MÃE TERRA, que é fértil e faz tudo prosperar; juntamente com o PAI CÉU, que se deita sobre os relevos majestosos de sua "fêmea", a Terra...
E nós, bem como nossos cavalos, mosquitos, lontras e macacos, ficamos entre este pai e esta mãe... Exatamente entre ambos... Na ligação perfeita entre PAI e MÃE...

E também somos machos e fêmeas, e somos pais e somos mães, e herdamos a cópula divinal que nos criou e guarda...
E sempre que amamos, reproduzimos este maravilhoso exemplo e sina que nos cabe, da qual viemos e para onde vamos...

... Sim, pois somos feitos de tudo aquilo que há em nossos pais, somos carbono, somos água, somos cálcio, somos ferro, somos sangue, somos bactérias, somos gens, somos histórias, somos lembranças, somos tudo isso e muito mais...

E ao final de tudo, ao fim de nossa "participação na história do mundo", voltaremos a isso, voltaremos ao espaço, voltaremos à mãe terra, voltaremos ao pai céu...

Voltarei a ser ferro, voltarei a ser carbono, e minha mãe terra me sepultará para que eu viva em outro filho seu, seja como alimento aduboso a uma árvore, seja como a carne que nutre outro animal, voltarei a ser sagrado... Voltarei a ser a PAZ. Uma paz que sobe ao céu...

E digo isso, porque na pior das hipóteses, "morrer" nos fará parar de pensar, de respirar, de se mover... E isso, de alguma forma, pode ser chamado de paz...

RIP - Rest In Peace (descanse em paz). Isso faz algum sentido…

Por isso, dentro deste mundo de hipóteses e devaneios poéticos, espirituais e quase belos... Dentro desta certeza perene que é a vida tal como a conheço; hei de procurar meu Zafu (almofada de meditação Zen), nele sentar-me, elevar-me ao meu "Eu Verdadeiro"... E lá ficar, em PAZ...
... Sem visões, sem pensamentos, sem dor, sem corpo, sem mente, sem movimento... SIMPLESMENTE SENDO...


"Que os méritos de nossa prática se estendam a todos os seres. E que possamos todos nos tornar o caminho iluminado".


BruCe.



Escrito por Bruce Werk às 12h37
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Muito além do futuro próximo

Cena 1: Germinal. Filme sobre uma greve trabalhista, ambientado na França numa época (séc. XIX) em que os assalariados eram novidade e a legislação ainda não beneficiava os mesmos. Uma mulher nos seus 40 anos entra num pequeno mercado e constata a seguinte maravilha: “Potes sem nada dentro pra vender! Nossa, mas não há mais o que se inventar mesmo... Sim, potes! A capacidade humana deve ter sido subestimada desde a antiguidade (ou mais).

 

Talvez alguns não saibam que os Beatles tiveram que escutar antes de fazer sucesso “Não gostamos do som de vocês. Além disso, conjuntos de guitarristas não têm futuro.” Ou que o cinema mudo foi acirradamente defendido com “Mas quem, com os diabos, quer escutar atores falando?”

 

Pois é, mas enquanto alguns subestimam outros superestimam. Descobri a algumas semanas que a Folha de São Paulo disponibiliza na internet diversos artigos e reportagens que foram publicados da década de 20 a 90. Exatamente, nada de jornais velhos e empoeirados e livros que não saem da estante há mais de duas décadas. Nada de luvas e máscaras descartáveis para evitar coceiras e alergias. Mas é claro que este texto não tem como intuito enveredar pelos corredores do arquivo público.

 

O fato é que, lendo algumas reportagens de nossos amigos de décadas passadas, descobri coisas realmente impressionantes do imaginário popular acerca de como seria o cotidiano nas décadas futuras (o que nos coloca no papel principal do filme). É impossível não rir com algumas das “previsões” e a serenidade e certeza com a qual muitas delas são relatadas.

 

Longe de tentar imaginar como seria em duas ou três décadas adiante, os “prenúncios” iam muito além do futuro próximo. Em um dos artigos as previsões destinam-se respectivamente aos anos: 2000, 2500, 5000 e 15000. Mas outros são bem redondinhos, do tipo: como será o mundo daqui a mil ou dez mil “annos”.

 


Escrito por Srta. Quaresma às 00h45
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Entre os prognósticos mais curiosos, temos:

 

1. “Supressão das tarefas mecânicas” no ano 2000. Ou seja, nada de operários. As máquinas tomariam conta de tudo. (Artigo de 1954)

 

2. Também no ano 2000 haveria o “desaparecimento da ‘política’. O governo torna-se tecnico e alicerçado sobre teorias sociologicas verificadas pela Ciência”. Eu diria até que dessa vez eles foram bem otimistas mesmo. (Artigo de 1954)

 

3. Mais para o ano 2000: Lazer - “Os desportos mecanizam-se, tornam-se mais tecnicos, mais modernos: campeonatos de detecção com radar, corridas de foguetes. Os garotos brincam com laboratorios atomicos, aviões supersonicos, pilhas nucleares de bolso”. Eu sempre imagino que o cara escreveu isso da mesma forma como ele escreveria: “amanhã eu vou comer maçã, bolinho de bacalhau, bobó de camarão”. Parece ser uma coisa tão certa que até é esquecido que é extraordinário e deveria ser falado da forma mais espalhafatosa possível. (Artigo de 1954)

 

4. “Dentro de mil annos todos os habitantes da terra, homens e mulheres, serão absolutamente calvos”. E o cara dá uma explicação evolucionista (eu diria, aliás, lamarckista), mas com uma premissa falha. Achando que a moda dos cabelos curtos e uso de chapéus perduraria ainda por muito tempo, ele chegou à triste conclusão de que com os constantes cortes de cabelo e o constante uso de chapéus, os cabelos terminariam por desaparecer. Lógico, mas inviável. (Artigo de 1925)

 

5. Pedido pra daqui a dez mil annos: Viver em cidades suspensas. O título desse é “As maravilhas do futuro”, subtítulo: “As cidades suspensas no ar”. Segundo o artigo, nós vivemos no “fundo do ar” (entendeu, entendeu?). E por isso estamos sujeitos a todos os males desse ambiente. Portanto o mais viável é que com o tempo, passemos a viver, não no fundo, mas no topo (ou seria melhor na superfície?) do ar, ou seja, da atmosfera. Isso mesmo, lá em cima, em cidades capazes de se deslocar inteiramente. Muito bonito, não? (Artigo de 1930)

 

Isso é só uma pequena amostra. Nos links para os artigos reais vocês encontrarão muito mais.

 

Pode não parecer, mas minha intenção não foi a de ridicularizar. Afinal, em se tratando do que ainda não veio, todos nós damos uma de astrólogo de vez em quando. E por falar nisso, quem precisa de astrologia quando imaginação e criatividade é tudo que se precisa?

"Eu sou astrólogo e conheço a história do princípio ao fim"


Escrito por Srta. Quaresma às 00h43
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Há cura pra 2ª feira !!!!

Acho que é unanimidade mundial o fato de que não é fácil encarar uma 2ª
feira. Mas na maioria das vezes nós é que fazemos dela um dia chato e mudar isso não é nada complicado.

Resolvi compartilhar algumas das minhas práticas e quem sabe não consigo ajudar a melhorar a próxima segundona braba de vocês?

- Comece a 2ª feira no domingo à noite, mas não amaldiçoando o “Show da Vida” e aquela musiquinha horrenda como costumamos fazer, e sim estimulando seu cérebro. Ler um livro ou mesmo uma revista é uma boa pedida. Qualquer atividade intelectual é válida, mas seria pedir demais para um domingo à noite né? Pega só uma revistinha mesmo...

- Acordar cedo, não é o programa mais divertido do mundo. Mas garanto que se você tiver a coragem de começar a semana fazendo alguma atividade física logo pela manhã vai notar que terá muito mais energia e bom humor para enfrentar o dia.

- Vista uma roupa legal, se olhe no espelho e se elogie. Faça o mesmo com as pessoas à sua volta. Dar e receber elogios é animador. Vale até elogiar aquele chefe que pega no seu pé e usa terno roxo e meia branca. Quem sabe ele não te trata melhor durante o dia?

- Dirigir numa engarrafada manhã de 2ª feira é realmente desanimador, mas em vez de ficar xingando qualquer pobre coitado que cruze seu caminho, que tal ligar o rádio do carro para espairecer? Pelo menos comigo, aquele velho ditado “Quem canta seus males espanta”, costuma funcionar.
Não tem rádio? Cante sozinho, bem alto e interpretando a música e se divirta vendo a cara dos outros espantados com você.

- Todo mundo tem mania de começar a fazer regime 2ª feira. Oras, se o dia já não é dos mais agradáveis, porque torná-lo mais chato? Um dia a mais comendo umas porcarias, e a provável sobra da farra do final de semana, não vai mudar muita coisa. Então, aproveite e acabe com o estoque de tranqueiras na maldita 2ª feira !!!!

- Use a primeira hora do dia para atividades que te dêem prazer, ou pelo menos que não sejam tão chatas. Na medida do possível deixe os aborrecimentos pra depois do almoço.

- Aproveite o início da semana para fazer algo novo, diferente ou até mesmo inusitado. Uma nova idéia ajuda a começar a semana com mais motivação e quebra o ciclo trazendo boas vibrações.

Se mesmo depois disso tudo, sua 2ª feira continuar dura de encarar, acho que a situação tá feia mesmo e o único jeito vai ser pedir férias assim que possível.
Escrito por Rafaella Stallone às 11h05
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Journal Entry Pensamentos

24/08/2004 <|> OK - GO! <|> {ELE}


[Pa] - Ele:

- Levantou - Arrumou - Tomou - Fabricou - Abriu - Fechou - Abriu - Fechou - Caminhou - Consagrou - Mudou - Ouviu - Caminhou - Ouviu - Chegou - Ligou - Começou.


[Pr] - Ele:

- Está.


[Fu] - Ele:

- Suportará - Lerá - Meditará - Combinará - Atravessará - Concluirá - Caminhará - Tomará - Caminhará - Encontrará - Comprará - Caminhará - Chegará - Consagrará - Assistirá - Voltará - Terminará.

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Review Análises...

{24/08/2004} + Terça-feira + # # = ISSO:


Terça-feira...
De mais uma semana que insiste em "arrastar-se..."
Uma semana que não voltará jamais...
Feita de dias que não se viverão novamente como tais...

E eu envelheço... Dessa forma... À minha forma...
E eu desapareço... Na norma... À minha norma...

E penso em tudo... Penso em "projetos loucos de sons retardados..."
E mudo o mundo... Dirigindo "'eus' por eu mesmo criados..."

Penso na essência... Que em tudo existe... E até no que não existe.
Penso na carência... Que me deixa triste... E que sempre insiste.

Não sei o que fazer com ela, se não pôr em letras.
Que para ter maior graça; sugerem rimas.
Rimas regadas à psicodelia...

Acho que fica melhor então "escrita em rimas":

Penso na escrita como forma de "vomitar"
Mas vejo nela ainda sutil forma de "externar"
Mas se percebo que a rima é pobre
Que só pode rimar com "nobre"
Tento caprichar com rima rica
Porque mais valiosa fica!
Banindo atitude medrosa
Quero agora uma preciosa.
Assim, todo meu capricho hei de dar-te
Deixando pobreza e riqueza à parte...

Mas volto a pensar... Não quero mais rimar, nem escrever talvez...
(Será que o efeito acabou?)
E penso ainda em algumas coisas (sempre tão chatas) que TENHO para fazer... E só as faço porque querem que eu as faça... Porque eu mesmo já não faço mais por mim... Mas faço porque sou assim...

A função exata entre meu tempo e pensamento, já não sabe para onde vai:

Divaga entre "coisas" tipo Multiply,
Orkut e outros tais...
Idéias mutantes, logo; nunca iguais...
Verdades boas, outras “sacais”:
Algumas cruciais: estamos aqui: banais!!!
Esse instante? Jamais...
Mas no fundo, no fundo: retroceder: JAMAIS!

[BruCe]

 
 


Escrito por Bruce Werk às 10h43
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Nem História histérica, nem Estória da escória

Há dois tipos básicos de aula de História do Brasil: o primeiro é aquele em que o professor, ou melhor, a tia de primeira à quarta série pinta os fatos com cores patriotas e idealistas, em que aprendemos a amar a Princesa Isabel, Dom Pedro I e todos os portugueses que civilizaram nossa terra tão abençoada e cheia de palmeiras onde canta o sabiá.

O segundo começa mais ou menos da quinta série em diante, e destrói todas as convicções que tínhamos até então. Os antigos heróis transfiguram-se em indivíduos frios e calculistas, que atuam e tomam decisões unicamente em função de sua sede de poder, prestígio e dinheiro. O cenário de belezas naturais onde nosso passado se desenrolava é desmontado, dando lugar a uma paisagem feia, suja e com cheiro de doença. Para nosso horror, ficamos sabendo que nunca houve qualquer desejo de justiça que movesse a abolição da escravatura, mas sim pressões externas e manobras visando ao mercado consumidor que a população negra representaria. Que a proclamação da Independência foi totalmente diferente da nossa única referência visual do fato, a pintura de Pedro Américo reproduzida nos livros de Estudos Sociais. Que os portugueses colonizadores não passavam de párias deportados de seu país, matadores de índios e exploradores ambiciosos e violentos.

Pessoalmente, lembro-me de várias vezes em que saí deprimida das aulas de Geografia do colegial, pois o professor costumava jogar baldes de água fria em nossas chamas juvenis de querer mudar o mundo, enumerando as profundas raízes históricas que nos condenariam ao subdesenvolvimento por toda a eternidade e lembrando-nos que a riqueza e o poder seriam sempre as molas da Humanidade.

Hoje, pensando em tudo o que vi de lá para cá, pergunto-me se será verdade mesmo que a sociedade macro é tão diferente desse pedacinho de sociedade com o qual eu tenho contato todos os dias, desde que acordo até a hora de dormir, onde tem gente solidária e gente egoísta, gente mesquinha e gente desencanada, gente trapaceira e gente honesta e, principalmente, gente que mistura de tudo um pouco de acordo com o humor. 

Talvez a História conforme a aprendemos seja um tanto romanceada porque, paradoxalmente, nela não há espaço para levar em consideração essa tão natural pluralidade de valores e interesses humanos, emoções e sentimentos desencontrados, as TPMs, as brigas com a esposa e as dores de barriga  pelas quais passaram no decorrer da vida os personagens históricos que na realidade nem eram personagens, e sim pessoas de carne e osso.

O maniqueísmo está tão perto dos contos da carochinha tanto quanto sonho e pesadelo estão igualmente longes da realidade. E embora evidentemente existissem e existam figuras que se destacam por seu marcante desprezo para com a humanidade, como Hitler e meu ex-chefe, e pelo amor à paz, como Gandhi, isso não justifica a forma simplista com que somos ensinados a encarar os fatos sociais passados e presentes, não como se houvesse pessoas mais determinadas a fazerem o bem e outras mais determinadas a fazerem o mal e ainda, outras que oscilam entre os dois extremos, mas como se no mundo somente existissem pessoas boas, ou somente pessoas más*.

Deveriam chegar a um acordo sobre o que ensinar aos alunos desde as séries iniciais. Evidentemente que não é adequado adentrar em detalhes minuciosos junto a crianças de sete ou oito anos, mas mostrar-lhes um mundo todo colorido e logo depois pichá-lo de roxo também não é algo lá muito saudável, principalmente porque em geral essa fase de transição acaba coincidindo com o início da pré-adolescência, em que garotos e garotas estão começando a notar mudanças físicas e comportamentais em si e nas pessoas que os cercam, o que, cumulado com essa alteração de discurso na escola pode levá-los a crer que o mundo está desabando, em todos os sentidos.

E de repente se as aulas de História do Brasil trouxessem menos o que a elite e o poderio tem produzido e se discutissem mais assuntos como o desenvolvimento de Organizações Não Governamentais e outros movimentos em prol de interesses públicos, já que isso também faz parte da nossa História tanto quanto a política, as guerras e as pestes, talvez os jovens percebessem que eles também fazem parte da dinâmica social e talvez e isso os motivasse, não como os soldadinhos que o nacionalismo cria e nem como uma geração agressiva devido a altas doses de pessimismo, mas sim como quem simplesmente percebe o poder natural que emana de qualquer grupo de pessoas com interesses comuns.

* Fica convencionado que pessoa boa é aquela que procura respeitar os direitos de seus semelhantes, incluindo os daqueles que ainda estão por vir e também dos animais e pessoa má, o inverso.


Escrito por Atena às 08h11
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MARCADOS A FERRO, FOGO E TECNOLOGIA - A GERAÇÃO DA REVOLTA

"Bom dia Paulo! Por que não aproveitar este momento de passeio para tomar um delicioso sorvete de chocolate na próxima esquina..."

Não nego que quase fui até a sorveteria, afinal eles sabem todos os meus gostos mesmo. Mas o impulso foi momentâneo e a breve lembrança de que Eles só sabiam disso graças ao chip implantado sob a minha pele foi o suficiente para perder toda a vontade.

Na verdade, só de pensar que a vida toda carrego comigo esse dispositivo já fico nauseado. Meu avô foi a única pessoa viva que conheci que não podia ser identificado através dos leitores de retina ou chips.

Confesso que quando criança não entendia o orgulho dele em ser assim, e morria de vergonha quando passeávamos e as pessoas percebiam que ele era um não cadastrado. Mas com o tempo passei a aceitar isso, e na verdade, desejar isso para mim.

Como meu avô havia me dito, as pessoas estão condicionadas a aceitar essa realidade e não enxergam o quanto estão controladas. A qualquer hora do dia ou da noite, a centrais de vigilância podem saber exatamente onde cada indivíduo se encontra, o que estamos fazendo e com quem estamos. Tudo para a nossa segurança e comodidade!

Balela... Com isso Eles simplesmente podem nos controlar o tempo inteiro. Definitivamente preciso fazer algo para mudar essa situação. Será que existe algum lugar nesse país onde posso viver sem esse controle? Não, tenho que conseguir isso aqui onde vivo!

Em primeiro lugar tenho que encontrar mais pessoas que pensem como eu, e isso vai ser complicado. Só tenho que fazer isso com calma, sem chamar a atenção Deles para os meus objetivos...

– x – x –

"...ATENÇÃO, PESSOA NÃO IDENTIFICADA! ATENÇÃO, PESSOA..."

Correr e fugir! Seria inglório o legado deixado pelo meu pai se eu não me sentisse exatamente como ele quando à situação em que vivemos.

Controlados desde o berço a população aprende o que os mandantes querem, ficam sabendo somente o que eles querem: em resumo, vivem como eles querem! Desde o nascimento escapo desde domínio e hoje sinto que estou quase conseguindo libertar todos das garras da tirania e do autoritarismo.

Quando criança eu via as graves reações ao que meu pai dizia, mas conforme cresci pude ver a organização também crescer. Aos poucos as pessoas foram abrindo os olhos e agora a grande maioria quer voltar a ser totalmente livre.

Infelizmente tivemos que partir para a luta armada contra o governo, mas agora a nossa vitória está próxima. Mas temos que tomar o grande cuidado, de não cair nos mesmo erros cometidos no passado.

Mas será que estamos preparados para que o respeito por tudo e todos impere na nossa sociedade? A Ganância e o Egoísmo tão típicos dos seres humanos serão suplantados pelo Respeito ao Próximo e a Igualdade de Direitos?

Espero que sim, senão esta guerra que se inicia pode acabar sendo em vão...


Escrito por Muta às 12h35
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cirilo é ídolo

Tan tan tan tan tan tan tan tan tan tantantantantan forom forom fom fom fom fom fom fom fom fom fom fom fom

Essa canção que tentei reproduzir através de tan tans e fons fons era o tema de Cirilo, o menininho que sofria o pão que Maria Joaquina amassou com os cachos louros e os olhos azuis vidrados na maldade na novelinha mexicana Carrossel.

Havia uma espécie de mistura de crítica em relação à descriminação social e racial por parte da loura que morava no bairro mais chique da Cidade do México, tinha jóias, perfume francês, seu pai era ausente e dirigia alguma grande empresa e sua mãe só queria saber de ir ao shopping e humilhar as pessoas - um clichê bem engraçado.

Cirilo não contava com o mesmo curriculum vitae, era filho de um carpinteiro que dançava rock dos anos 50 com a mulher que tinha um belo sorriso e ajudava o pequeno do dever de casa e nas lamúrias em relação à Maria Joaquina.

Num belo dia, depois de muitos "Eu só quis dizer, Maria Joaquina" que nos faziam chorar muito e dizer "Desgraçada, deve sofrer", Cirilo ganhou depois de comprar um chocolate premiado não uma entrada para a Fantástica fábrica de chocolate do Doutor Wonka, mas sim uma miniatura de carro conversível que o fez sentir-se pretenso à relação estável com a perfumada diaba. Tolinho! Ela o rejeitou e entrou pra sua mansão pra tomar, aos 10 anos de idade, champagne. Maldade.


Escrito por Avó Peluda às 18h46
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EU, ROBÔ – A PROTEÇÃO DAS TRÊS LEIS

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um homem sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos que em elas contrariem a primeira lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Esse é o começo do filme, que parafraseando Asimov mostra qual a essência do mesmo: os problemas gerados no relacionamento Homem x Máquina, ou melhor, Homem x Inteligência Artificial não se limitando apenas ao fato de um robô ter assassinado um ser humano.

Um ponto interessante do filme, é que ele nos remete a uma questão debatida há mais de meio século: O que será de nós, quando estivermos frente a frente com robôs capazes de pensar sozinhos?

As três leis nos protegeriam! – gritariam alguns. Será? Vocês têm certeza disso?

O próprio autor dessas regras sabia das implicações por trás das mesmas. Uma mente lógica como seria a de um robô, na tentativa de segui-las, poderia criar uma visão deturpada do certo e do errado, causando mais mal do que bem.

Aprisionar a humanidade para salvá-la, roubar para ajudar – "Robin Woods" robóticos, terroristas protegidos erroneamente, panes por dificuldades em escolhas éticas, além de muitos outros efeitos colaterais seriam plausíveis, e possíveis.

Indo mais além, se uma mente artificial pensasse na frase, "Penso, logo existo!", poderia se colocar – sem poder ser recriminada – como um ser humano, cuja essência é justamente pensar. Nisso, sua mente lógica poderia seguir as regras, como se fôssemos todos iguais.

E como um igual, ela poderia ficar um tanto revoltada com os humanos de carne e osso, explorando outros humanos, mesmo que sejam os de metal. Disso para uma "revolução das máquinas" estaríamos a um pequeno passo.

Qual caminho estaremos tomando no momento? Para mim, vejo ainda muita intolerância de falta de respeito entre nós, os humanos. Tenho certeza, que sob a desculpa de executarem tarefas perigosas e inadequadas para humanos, as máquinas seriam exploradas. Eu sinceramente não gostaria de lidar com criaturas mais fortes, resistentes e rápidas do que eu como inimigos.

Bom, creio que antes de mais nada, precisamos – como seres humanos e pensantes – aprender a respeitar todas as criaturas do planeta sejam elas humanos, animais, vegetais e num futuro não tão distante as inteligências artificiais. Com certeza, essa será a melhor proteção...

... inclusive contra nós mesmos!

 – x – x –

Recomendo o filme, principalmente pela forma sutil que ele nos leva a pensar nessas questões, que cedo ou tarde farão parte do dia a dia de todos os habitantes da Terra. Além do mais, os efeitos especiais e as cenas de ação estão de primeira linha!

P.S.: ainda não li o livro "Eu, Robô" de Isaac Asimov.

– x – x –

Informações adicionais:

Isaac Asimov (1920 – 1992), Nascido na Rússia migrou para os EUA com a família com apenas três anos de idade. Autor de mais de 500 livros cunhou o termo robótica e foi o autor das Três Leis da Robótica, que foram aceitas inclusive pela comunidade científica. Mais sobre Asimov em: http://www.angelfire.com/sc/odisseia/asimov.html

Eu, Robô (Título original: I, Robot) - Ano: 2004 - Direção: Alex Proyas - Com: Will Smith, Bridget Moynahan, Alan Tudyk, Chi McBride. - Saiba mais em: www.foxfilm.com.br/eurobo/


Escrito por Muta às 13h00
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A Louca Perdição

Me perdi quando fiz dezesseis
Quando a vi pela primeira vez
Provei seu sabor e sua emoção
Vivo hoje a sua louca perdição


BruCe - 18/08/2004

Escrito por Bruce Werk às 10h42
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Novela das cinco da madruga

Durante

 

Ela entregou o dinheiro ao cobrador e sentou. Sabia que o percurso seria longo, e isso a inquietava. Não era dessas pessoas que conseguiam aproveitar os “durantes”. Entre um objetivo e outro, o que havia era simplesmente um espaço de tempo vazio e inaproveitável. E por isso fazia o possível para que eles durassem o mínimo.

 

Mas nesse caso Betty não podia fazer nada. Estava num ônibus, e inevitavelmente teria que passar pelas 20 paradas até o fim do percurso.

 

Lembrou do que acontecera pela manhã e isso a fez sentir mal. Esforçou-se para esquecer olhando a paisagem. Mas nada havia pra se olhar. O céu estava nublado e as paradas sempre lotadas. Em frente a uma loja de tapetes persas, uma garota fazia a dança do ventre para atrair clientes.

 

Mas isso lhe pareceu tão corriqueiro quanto o barulho da catraca em frente ao cobrador. É claro que 70% dos passageiros não deviam concordar com esse ponto de vista, uma vez que espremeram-se todos num só lado do ônibus, para não perder um só gesto da garota que receberia R$15,00 ao final do dia. E pensar que nada disso valeria sequer 1 tapete persa.

 

Abriu a bolsa e viu a hora no celular. Vinte minutos! “Esse tempo todo e só se passaram 20 minutos”, pensava transtornada imaginando como seriam os 40 minutos restantes.

 

A essa altura já havia desistido de olhar a rua. Talvez dentro do ônibus houvesse algo interessante a se bisbilhotar entre os outros 30% dos passageiros.

 

Atrás dela, duas garotas discordavam a ponto de quase brigar.

 

- Duvido muito, Onde você viu isso?

- Na internet. Tava escrito exatamente dessa forma ó: “Roteiro de Nabokov baseado em livro de Nabokov”.

- Tem certeza? Podia ser outro Nabokov.

- Outro Nabokov? Você já ouviu falar de algum outro Nabokov?

- Não, mas isso não quer dizer...

- Pense bem, faz sentido. Nabokov morreu em 1977. O filme estreou em 1962. É muito possível que ele tenha escrito o roteiro do filme baseado em sua obra.

- Tá, e por que ele ia fazer uma adaptação tão diferente da obra que ele mesmo escreveu?

- Talvez ele estivesse pensando menos em adaptar e mais em lombrar.

- Ah, fala sério...

 

E na frente, uma mulher aparentando 30 anos acompanhava com muita empolgação a música que rolava no ônibus (mais um brega sobre casais com problemas psicológicos), o que deixava nossa protagonista estarrecida.

 

E eis que no auge da frustração, e quando Betty já estava quase decorando a linda canção que falava sobre um casal de alcoólatras “embriagados de prazer”, ele surge. Sim, um ser realmente bonito, incrivelmente bem vestido, e provavelmente doutorando em antropologia. “Doutorando em antropologia? Por mim ele podia ser até estudante de Educação Física, ainda assim seria interessante”, Betty pensava. Ele entregou o dinheiro ao cobrador, passou pela catraca e sentou ao lado dela. Livro na mão: “Continhos Galantes”. “Definitivamente não é estudante de Educação Física”. Mas não. Não naquele dia. Betty sentia-se especialmente feia para sequer ousar dar em cima daquele cara, que parecia interessar-se unicamente pelo enorme dragão tatuado no braço esquerdo dela.


Escrito por Srta. Quaresma às 03h26
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Não achava que o fato de não parecer interessante aos olhos do sexo oposto era realmente ruim. No momento só tinha que se preocupar com aquela estranha bola-de-pelos-devoradora-de-goiabas que agora dividia o assento com ela. Sim, imaginem um ser de meia idade com mais pelos que Tony Ramos, e uma dicção pior que a de Ariano Suassuna! Pedaços de goiaba se espalhavam num raio de 50 cm enquanto ele insistentemente perguntava se tinha doído muito para fazer a tatuagem. Betty lembrava de todas as pessoas que já haviam lhe feito a mesma pergunta e pensava que sim, fazer uma tatuagem era a maneira mais eficiente de conversar com estranhos.

 

Enquanto tentava se livrar da conversa ignorou o fato de que o ônibus estava ficando cada vez mais lotado. Atrás, 3 garotos e um pandeiro disputavam suas cordas vocais com os dedos do motorista, que aumentava o volume do som (dessa vez um brega sobre uma mulher que foi traída pela melhor amiga. “Por que em vez de formar uma banda, essas pessoas não vão fazer terapia, hein?”) Na frente, alguém pedia esmola. E ao lado, em pé, um cara acompanhava todas as investidas da bola-de-pelos e encarava com um forçado desprezo Betty e sua enorme tatuagem.

 

“Como pode ser? De uma hora pra outra esse purgatório se transformou num inferno”, pensava e cogitava a idéia de exigir da amadora aqui o retorno da melancolia do início do texto.

 

Levantou-se de súbito, deu sinal e correu em direção à porta, mas não antes de receber do estranho sujeito que a olhava com desprezo, um pequeno papel onde havia escrito “Já recebeu uma mensagem de paz hoje?” seguido de algum versículo da Bíblia. “Por que será que os evangélicos acham que uns papeizinhos com umas mensagens bizarras são capazes de mudar a vida de alguém?” Mas estava muito apressada para discutir com o rapaz.

 

Chegar à porta parecia cada vez mais difícil. Empurrava todo mundo enquanto desculpava-se “vou descer”. O ônibus já estava parado, a porta aberta, e Betty ainda no meio do caminho. Achando ser um engano, o motorista recomeça a andar.

 

- Vai descer!!!!! – grita desesperada.

 

O motorista freia de supetão e Betty, já na frente da porta, tropeça num dos garotos do pandeiro e voa pra fora do ônibus, caindo em cima de um rapaz que não teve outra alternativa a não ser a de segura-la.
Escrito por Srta. Quaresma às 03h24
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- MAS... QUE DROGA!!!

- Calma garota, não aconteceu nada de mais.

 

E era ele. Sim, o suposto doutorando em antropologia. “De onde saiu esse cara?” Betty ficou sem palavras. Os últimos acontecimentos se processavam com lentidão em seu cérebro, enquanto ela olhava o rapaz como se visse através dele.

 

- Também teve um péssimo dia? Tá tudo bem, se machucou? Como é teu nome? Se você não estiver com tanta pressa, a gente podia parar ali naquele boteco e tomar uma cerveja até você se acalmar. Vejo que está ainda estressada.

 

As palavras “boteco” e “cerveja” soaram como um “Olha lá, é o Super-Homem! Ele veio nos salvar!” E Betty não pode recusar o convite.

 

- Naquele boteco ali? É, acho que preciso de uma cerveja – enquanto caminhavam em direção ao bar.

 

Sentaram e pediram uma cerveja. Betty olhava a rua. Era um trecho igual a tantos outros que vira há pouco de dentro do ônibus. No rádio do bar rolava um brega sobre um casal que havia se conhecido num show de brega (!) Um bêbado acompanhava a música com muita empolgação enquanto dançava sozinho na calçada. Na mesa ao lado duas garotas discordavam a ponto de quase brigar:

 

- Trainspotting 2? Duvido. Onde você viu isso?

- Na internet.

 

Uma mulher acompanhada de um rapaz com uma Bíblia na mão passa pela mesa dos dois.

 

- Jesus te ama minha filha – diz para Betty.

 

Não importava. A perspectiva de tudo isso parecia muito mais suportável de dentro do bar. Além do mais, podia imaginar uma confortável conversa para os próximos minutos. E não era com um estudante de Educação Física ou uma bola-de-pelos-devoradora-de-goiabas. Era com um suposto-possível-quem-sabe-melhor-se-fosse Doutorando em Antropologia. Abriu a mão. A “mensagem de paz” que o evangélico lhe dera dentro do ônibus ainda estava lá. Amassou e jogou em cima da mesa.

 

- Meu nome é Betty Noir.

- Que nome diferente! E aí Betty? Doeu pra fazer essa tatuagem?

 

O dia estava apenas começando.


Escrito por Srta. Quaresma às 03h23
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Estou passando por problemas sérios que estão me impedindo de vir aqui:



- um acidente fez com que eu perdesse 54% do cérebro;



- dores de cabeça impossíveis de se suportarem tem acabado com minha paz – façam corrente positiva;



- minha cachorrinha Bianca está com uma das patinhas infeccionada;



- as aulas de sabonetes sensuais não têm contado com muitas alunas – a falta de dinheiro está acabando comigo;



- meu terapeuta disse que a depressão deverá durar de duas a três semanas até o fígado se recuperar e o cérebro ganhar de novo aquela massa cinzenta;



- Walmor está visivelmente preocupado com minha situação;



- Estou ouvindo vozes, vendo vultos, tenho tido dores de cabeça, nada do que faço dá certo! – irei à sessão de descarrego com a presença dos 318 pastores e com o sal que vem do Mar Vermelho;



- Todas as idéias criativas que tenho tido são quando estou muito distante do computador.



Conto com o apoio de vocês. Façam uma corrente para o Avó Peluda voltar à tona, como Jason, desde o fundo do lago em cuja beira estudantes são assassinados em todas as edições de Sexta Feira 13! hahahahahahahahaha




Avó Peluda

Escrito por Avó Peluda às 15h41
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Dica pra hoje

Hoje começa a chatice da propaganda eleitoral. Por pouco mais de um mês, duas vezes por dia, na TV e no rádio teremos essa pérola nacional sendo veiculada.

Alguns dias atrás li um comentário sobre o assunto, no qual uma pessoa questionava o que fazer durante essa meia hora. Isso me causou certa indignação por mostrar o quanto o brasileiro pode ser dependente da televisão.

Não consigo acreditar que alguém não possa ficar sem assistir TV, no máximo, durante uma hora por dia. A dependência é tamanha que parece ser o único lazer possível para os "viciados". Porque essa mania de estar sempre com a dita cuja ligada? Tem um mundo enorme à nossa volta e só se pensa nisso? Será que ler um livro não é uma boa opção? Caso não se goste tanto assim de ler, uma revista ou apenas dar uma olhada no jornal do dia podem ser alternativas interessantes.

Ainda poderia dar outras dicas como ligar o computador seja para usar a Internet, aprender usar um programa, escrever, jogar. Há uma diversidade de atividades possíveis ali dentro.
Que tal ligar pra alguém com quem não se fala há muito tempo?

Claro que podem me questionar: sobre aqueles que não tem telefone, fácil acesso a computador ou que nem sabem ler.

Obviamente sei que são problemas que fazem parte da realidade brasileira, mas com certeza um programa do qual todos podem participar é uma boa conversa.
Não custa absolutamente nada e pode se gratificante.

Que tal hoje quando começar o martírio, tentar desligar a TV e conversar com a família, ou procurar um amigo com quem não se fala há tempos?

Caso não se tenha com que falar, que tal simplesmente deitar na cama ou no sofá e ficar meia hora quieto sem fazer nada pensando na vida, conversando com você mesmo?

É assim que muitas vezes tomamos alguma decisão importante, ou que começamos a enxergar coisas que o dia-a-dia e a televisão jamais nos mostrariam.

Tentem fazer um teste, e quem sabe não se dão conta de que tem muito programa mais enriquecedor do que televisão ligada por horas?


Escrito por Rafaella Stallone às 09h56
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Candi Do Portinari

Era assim que eu, menina, achava que se escrevia o nome de nosso maior pintor nacional. É que para mim, todos os pintores famosos tinham, necessariamente, nomes tão singulares quanto suas obras, como um sinal de nascença assinalando sua vocação artística. “Picasso” era a prova mais incontestável da minha teoria infantil. E talvez por pensar em outro nome famoso, Di Cavalcante, eu acreditava que este nosso pintor era, também, Do Portinari.

Mas “Portinari”, somente,  é um nome tão emblemático quanto Volpi, Tarsila, Van Gogh. 

Pessoas como eu que nunca tiveram muito contato com a História da Arte e não conhecem bem os seus períodos, escolas e técnicas, em geral abstêm-se de tecer publicamente opiniões sobre obras e artistas famosos receando dizerem alguma bobagem, preferindo deixar o assunto a cargo dos críticos  e estudiosos, conhecedores do momento histórico, das motivações, inovações e dificuldades que envolvem a pintura.

Admiro estes especialistas que possuem mais parâmetros do que apenas o gosto pessoal para julgarem o valor de um trabalho artístico, mas me reservo o direito de dizer o que penso e sinto, enquanto observadora, sobre qualquer obra de arte. Afinal, talvez uma das principais qualidades de um grande artista seja a capacidade de expressar-se inteiramente através de sua obra, de modo que qualquer explicação externa para compreendê-la torne-se desnecessária. E há críticos que se esquecem de que a arte é antes de tudo uma expressão de sentimentos e em seus pareceres racionalizam-na, analisando friamente apenas a técnica ou, em outro extremo, imprimindo-lhe conotações tão complexas que provavelmente sequer o artista as tivesse planejado...

Nunca estive face a face com uma das obras originais de Portinari*, ou melhor, estive sim, e ela era de carne e osso. Num de meus textos anteriores, falei sobre uma senhora idosa amiga de minha avó, Dona Bastianinha, e dos rapazes que jogavam capoeira em frente ao portão de casa quando eu era criança. A característica mais impressionante daquelas personagens negras e mulatas para mim que as observava eram suas mãos e pés, redondos, inchados descalços, rachados.  Muito tempo depois, quando já não enxergava com tanta intensidade detalhes como esses, eu vi pela primeira vez o quadro “Lavrador de Café”, e todas aquelas memórias se revelaram novamente diante dos meus olhos. A essência das cores daquela pintura, o moço retratado era precisamente o mesmo que um dia eu tinha visto caminhando pela minha infância.

Todo rapaz negro e pobre, todo brasileiro deveria mirar-se num dos quadros pintados por Candido Portinari, como num espelho, e ver o quanto é bonito.

 

Lavrador de Café

* Sábado, após ter escrito esse texto, eu visitei o MASP, e o Lavrador de Café estava lá, em óleo sobre tela.

Para você que quer saber mais sobre Portinari, boas referências podem ser encontradas em uma matéria da Folha de São Paulo: Conheça a vida e a obra de Portinari, em 12 etapas.


Escrito por Atena às 08h43
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MARCADOS A FERRO, FOGO E TECNOLOGIA

“... ZYK 687. Rádio Brasilis FM. Dez de agosto de 2010, seis horas da manhã, e é a hora dos comerciais...”

 

Mesmo correndo o risco de dormir novamente ele desliga o rádio e se esforça para levantar. Seria simplesmente impossível agüentar mesmo que mais alguns segundos de propaganda.

 

Não quer nem saber se o dia está bonito ou não, já que olhar pela janela implicaria em obrigatoriamente dar de cara com algum outdoor rotativo, sempre se atualizando. Maldita tecnologia! As novas forma de mídia de desenvolvidas já são quase capazes de nos acompanhar até na vida após a morte.

 

Justamente por isso a noite havia sido especialmente ruim. Simplesmente não lhe saía da cabeça a mais nova propaganda veiculada pela Media Centre – simplesmente MC – promovendo o Data Control.

 

“Associem-se a essa nova tecnologia, e tenham anúncios, produtos e serviços direcionados especialmente para você! E o melhor, tudo isso completamente de GRAÇA!

 

Faça o cadastro agora mesmo no sítio www.datacontrol.mc.com e faça parte dessa grande comunidade...”

 

Era impossível de acreditar no que via. Os leitores de retina e chips subcutâneos estavam sendo instalados, e agora a propaganda. E agora o cadastro. Meu Deus, todos foram condicionados de tal forma que não perceberam o quão controlado estavam sendo, e agora estavam todos se preparando para serem marcados a ferro.

 

O próximo passo é o abate.

 

– x – x –

 

Algumas pessoas perceberam o que estava por vir e tentaram avisar a todos. Há exatamente seis anos um texto havia sido publicado num dos inúmeros blogs que existiam naquela época. Época é claro, anterior ao controle estatal do conteúdo da mídia.

 

Depois que a lei de controle foi aprovada, tudo começou a mudar. A princípio vagarosamente, fazendo todos acharem que a idéia não ia vingar. Mas tudo fazia parte do plano para fazer com que as pessoas baixassem a guarda.

 

E quando abrimos os olhos tudo já estava mudado. Não existiam mais notícias veiculadas online. As emissoras de rádio agora só transmitiam músicas e comerciais. Telejornais eram gravados e só mostravam notícias acontecidas há no mínimo 12 horas. A internet estava infestada de sítios de venda e de conteúdo pornográfico – pagos é claro – e toda e qualquer página pessoal era supervisionada.

 

Outros itens que passaram a acompanhar a vida dele e de todos os outros, eram as câmeras de vídeo.

 

Controlar o trânsito, evitar crimes, notícias em tempo real, o novo reality show que iria utilizar os dispositivos. Inúmeras desculpas foram dadas para a instalação das câmeras e agora todas ainda contavam com os leitores de retina e chips.

 

Novas desculpas, velhos objetivos. Agora mesmo sem ver a pessoa, quem se cadastrasse poderia ser localizado quase que instantaneamente em qualquer local coberto pela rede comercial – não seria de vigilância?

 

Já podia até prever os próximos passos do controle.

 

Tantos serão atraídos pelas “funcionalidades e vantagens” que logo a minoria que tentar resistir vai acabar sendo obrigada a aderir. E para evitar a exclusão social, seriam criadas leis, para que desde o nascimento as pessoas fossem identificadas. Com todos “marcados” como gado desde o berço, o controle total estaria finalmente estabelecido...


Escrito por Muta às 00h00
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O ATAQUE

Estou com medo. Ou melhor, muito medo!

Há algum tempo, tenho denunciado uma estranha conspiração onde algum tipo de força (alienígena ou não) vem tramando a dominação mundial. Posso quase que sentir no ar a eminência de um ataque, pois coisa estranhas tem acontecido.

Eu por exemplo, já não tenho mais nenhuma caneta BIC comigo. É como se elas resolvessem sair de circulação, com o objetivo de desmoralizar as minhas teorias. O papel higiênico também não é mais o mesmo, algo mudou, e provavelmente, para que ninguém consiga entender novos código.

Além disso, estou frente a frente com um enorme grampeador de papéis que resolveu adotar a minha mesa como morada. Temo pela minha segurança, pois um grampeador desse tamanho conseguiria facilmente atingir órgãos vitais.

Por tudo isso, estou cada vez mais certo da iminência de um ataque.

Conclamo que todos prestem muita atenção à esses objetos, e não esqueçam de deixá-los muito bem trancados antes de dormir. É exatamente nessa hora de descanso, onde nos encontramos mais vulneráveis, e quando eles – os "inofensivos" materiais de escritório – provavelmente encontram as maiores facilidades para tudo.

Infelizmente não tenho certeza de como eles atacarão. Possuirão super avançados dispositivos laser conectados em suas cargas? Ou então, partirão para métodos mais simples, como tranqüilizantes e venenos que podem ser facilmente ministrados durante o uso?

A "história" nos mostra que isso é possível, ou será que todos já se esqueceram da história da Bela Adormecida? Na impossibilidade de simplesmente apagarmos os fatos (naquela época as borrachas não estavam plenamente desenvolvidas), o fato foi rescrito – as Penas eram as BICs da Idade Média – na forma de um simples conto de fadas. Mas uma simples agulha foi capaz de por para dormir um reino inteiro, não é mesmo?!

Portanto reforço meus apelos: Muita Atenção, pois um ataque pode estar por vir!


Escrito por Muta às 16h55
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Noite ou Dia, Calor ou Frio, Sol ou Chuva.

É a Mãe quem mais nos conhece e nos ampara...

Ela está sempre lá para nos ajudar,

Mesmo quando ainda não sabemos que precisamos de ajuda.

Em homenagem à minha mãe que completa 50 anos hoje.


Escrito por Muta às 16h54
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UMA PONTE SOB A LUA

Olhando pela janela eu vejo as árvores com suas folhas brilhantes pela luz do sol. Distantes. E também umas florzinhas amarelas, acho que são, sim, é um ipê. É tempo de florescerem. Nessas horas dou razão a quem disse que o mundo foi criado por um artista.

O dia está claro e tranqüilo.

Aproveito o almoço para digitar alguma coisa pendente. A tela do micro parece tão banal... Muito diferente dos primeiros dias de licença. Tão desacostumada, tudo era novidade para mim.

Está tão frio aqui nesta sala, estou tremendo.

***

O sol convida a ficar na varanda, me esquentando. É tão gostoso... Deito, fico quieta no chão, os olhos fechados. A vida é tão boa...

De repente, sinto um afago. Abro os olhos, aí está ela. Gosta de me acariciar, assim, deslizando sua mão em meu dorso, e eu me deixo enlevar por essa agradável carícia.

Ela se curva e me beija a orelha. Suspiro. Depois, se vai. Nunca sei para onde. Continuo aqui, por mais um tempo, aproveitando os raios de sol, que incidem diretamente sobre mim. Quando eles se vão, dou uma espreguiçada enorme, uma última olhada para a rua e entro.



Esse sonho é tão estranho... Todas as noites é a mesma coisa. O mesmo sonho. Vivo uma vida que não é a minha e, no entanto, já começa a fazer parte do meu cotidiano. Quando estou sonhando, é como se estivesse acordada, só que numa outra dimensão. As coisas me parecem maiores e mais assustadoras. É como aquela história que ouvi há tempos, ao andar pela rua, sobre um homem que sonhou ser borboleta.


Escrito por Atena às 08h36
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E novamente eu aqui, perdida no meio de recordações. Quem são estes? Meus avós? Bem, quando tiraram esta foto, ainda não eram.

Fotos antigas são especiais. É muito mais prazeroso vê-las, assim como são, velhas e amareladas, do que as tiradas hoje em dia. Minha única esperança é que as fotos atuais, no futuro me soem tão belas como estas aqui.

O silêncio que se faz nesta casa deixa o dia todo sonolento. Os carros e as pessoas não estão com muita pressa, e as árvores... as árvores que vejo da minha janela, suas folhas estão imóveis. Tenho a impressão de estar vendo um quadro. Não há vento, só o sol.

***

Meu almoço está intacto. Será que não percebem que eu odeio esta comida? Sinceramente, acho que não estão muito preocupados comigo aqui nesta casa. A não ser por ela. Quando está aqui, as coisas ficam melhores. Até o banho que eu detesto fica mais suportável. E não tenho vontade de morder sua mão, quando vem com aquele sabonete para cima de mim. E nem de latir. Mas, quando o banho acaba, eu só quero me chacoalhar toda até secar a água e correr, sentindo o vento bater no meu pêlo.



Sono. Não consigo dormir. Fico rolando o tempo todo, e esse barulho me irrita tanto! Sinto vontade de ir lá fora, gritar com esses imprestáveis que vêm fazer suas arruaças em minha rua a esta hora. Levanto, mas uma mão me impede de continuar. Me acalmo e volto a deitar. Só que isso não vai ficar assim. Amanhã eles vão ouvir até não agüentarem e desaparecerem daqui para sempre.

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.

.

Definitivamente não vou conseguir. Desisto de tentar dormir, e me conformo em ficar esparramada no sofá, esperando que o sono por ele mesmo resolva aparecer. Enquanto isso, reflito sobre meu dia: tenho saído muito de casa, não tenho mais paciência para ficar aqui dentro. Me sufoca. Vou andando, olhando pro tempo, pra rua... Quando canso, volto.

Ah, aí está ela. Chega toda alegre, vem brincar comigo. Ainda bem que saiu da frente daquele computador, e parou de ficar lá, toda perdida em pensamentos, com aquelas fotos na mão... Desde que começaram esses sonhos eu a vejo e entendo tudo o que ela sente... e acho mesmo que os pensamentos humanos tem muito desse prosaísmo inerente a nós, caninos...

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.(Amanhã eu pego esses gatos... )


Escrito por Atena às 08h35
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2004 E NÃO 1984? - PARTE 1

BIG BROTHER TELEVISIVO

 

Um fenômeno de público. Essa é uma das principais características do programa que se espalhou pelo mundo e que só aqui no Brasil já rendeu quatro edições. As pessoas adoram bisbilhotar a vida dos outros, e a idéia de câmeras acompanhando o cotidiano de um grupo composto por pessoas “comuns” só podia mesmo atrair a atenção dos telespectadores do mundo todo.

 

O que muitos não sabem é que o termo Big Brother, e até mesmo o conceito do acompanhamento da vida das pessoas através de câmeras veio do brilhante livro "1984", de George Orwell. Neste livro, que versa sobre a visão de uma sociedade totalitarista, a maior forma de controle imposta pela classe dominante é a idealização do Grande Irmão, figura que ao mesmo tempo em que zela por todos, também observa, ou melhor, vigia a todos o tempo todo, em busca do menor deslize de “caráter” que possa vir a afetar a ordem e harmonia do mundo onde vivem.

 

É uma visão dura e cruel, onde o controle é auto-imposto, e os poucos que ousam ao menos pensar contra o sistema serão induzidos de todas as formas possíveis a voltar a pensar da forma considerada adequada.

 

Parando para pensar, sinto um certo frio na barriga. Não, definitivamente não estamos – ainda – vivendo nesse mundo, mas sinto que estamos sendo preparados para aceitar esse tipo de coisa. Estaríamos sendo acostumados com a idéia de câmeras nos observando e tendo então que manter nossa conduta perfeita o tempo todo, para não corrermos o risco de sermos punidos? Exatamente como acontece com os eliminados do programa da TV?

 

SORRIR JÁ NÃO É PERMITIDO

 

Lendo uma reportagem na Internet, digo que fiquei ainda mais assombrado (leia mais aqui).

 

Autoridades Britânicas vão proibir o sorriso nas fotos utilizados nos passaportes da Terra da Rainha, assim como cabelos na frente do rosto e óculos escuros, pois esses pequenos “deslizes” podem dificultar o funcionamento das câmeras e seus sofisticados softwares de reconhecimento de imagens. Ou seja, se enquadre no padrão, pois temos que te identificar.

 

É claro que muitos dirão que devido à tensão vivida atualmente no mundo oriunda do terrorismo, tráfico de drogas, guerras étnicas, entre outros, esse tipo de atitude se justificaria, e que além disso as medidas não extrapolam os limites dos aeroportos. Mas quem garante que eles irão parar por aí?

 

Continuando os problemas existindo, não existirão também mais justificativas para a expansão dos métodos de controle? Temo que essas desculpas nos levem até o momento em que todos poderemos ser identificados prontamente com chips implantados sob a pele ou leitura da retina. Sinto muito, mas apesar de toda tecnologia envolvida, eu não deixaria de me sentir como mais uma cabeça de gado, com sua marca feita a ferro e fogo, aguardando pelo abate.


Escrito por Muta às 19h23
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2004 E NÃO 1984? - PARTE 2

A NOVA LEI

 

Com tudo isso em questão acabei por me lembrar de um filme, não tão profundo quanto o livro de Orwell, mas igualmente preocupante. Trata-se de Minority Report – A Nova Lei, estrelado por Ton Cruise e dirigido por Steven Spilberg.

 

No filme, a unidade de Pré-Crime é responsável por evitar que crimes previstos por telepatas venham a acontecer. Tudo vai bem e a sociedade parece perfeita. Bom, isso até que a possibilidade de existir um erro no sistema é levantada e o protagonista passa a ser acusado de um pré-crime que tem certeza de que não cometerá.

 

O paralelo do filme com este artigo está na tentativa do controle dos atos das pessoas. Tudo bem que não são usadas câmeras convencionais, mas o controle é similar, e podemos perceber mais uma faceta do perigo do controle total da sociedade.

 

Devemos mesmo então, permitir que cada vez mais a privacidade e liberdade do indivíduo sejam tolhidas como desculpas para evitarmos os problemas que nós mesmos criamos?

 

QUEM BATE À NOSSA PORTA

 

Espero que não seja muito tarde para abrimos os olhos e evitarmos um mal maior do que qualquer problema atual.

 

Acima de tudo, torço para que os grandes impérios da atualidade não tenham encontrado a fórmula (como no livro 1984) para evitar que a história se repita lhes trazendo a decadência e queda.

 

Digo isso não pela vontade de que o mundo em que estamos acostumados a viver simplesmente termine, mas, sim, por perceber que o Totalitarismo bate cada vez mais forte à nossa porta.

 

—x—x—

 

Para saber mais:

Lei de terror britânica proíbe sorriso em foto de passaporte

1984

Minority Report


Escrito por Muta às 19h23
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O som do Brasil – Cultuando o nonsense

Algumas pessoas que lêem Shogun podem pensar admiradas: “Nossa, então quer dizer que as mulheres do Japão feudal realmente usavam vibradores de marfim?” ou “E os homens realmente acreditavam haver pessoas que mantivessem relações sexuais unicamente com patos?” Mas o que os japoneses pensariam de nós se pudessem nos ver felizes e extasiados ao som de um conotativamente sexual “pocotó pocotó pocotó pocotó, minha egüinha pocotó”?

 

Sim, talvez entrassem numa de relativismo cultural e entupissem suas estantes de autores da mais recente impostura intelectual francesa. Ou talvez chegassem à conclusão de que os brasileiros são de fato muito criativos e capazes de sexualizar qualquer coisa desse mundo. Falar sobre qualquer assunto e ainda se divertir com isso não é pra qualquer um não.

 

Intelectuais e escritores de todas as épocas tentaram ir além de seus objetos de estudo. Walter Benjamim certa vez arriscou escrever sobre prostitutas e cerveja. Bukowski falava de prostitutas, cerveja, e cavalos. E em suas músicas os brasileiros conseguem abordar prostitutas, cerveja, cavalos, egüinhas, e tudo o mais que existir.

 

Este texto volta atenção especial para as músicas que embalam o carnaval. É realmente digno de estudo antropológico que dezenas de pessoas consigam dançar alegremente na frente de um trio elétrico, ao som de uma música sobre água mineral. Transcrevo abaixo a letra:

 

Cantor feliz gritando com o braço direito suspenso e a mão cerrada: “Bebeu água?”

Multidão feliz: “Nãããão!!”

Cantor: “Tá com sede?”

Multidão: “Tôôô!!!”

 

Música:

“Olha olha olha olha

Água mineral, água mineral, água mineral

Água mineral do candeaaaaaal

Você vai ficar legal”

 

(Repete ad nauseum incluindo a introdução falada pelo cantor e complementada pela platéia)


Escrito por Srta. Quaresma às 19h36
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Não quero lançar aqui um argumento intelectualóide na eterna busca por conteúdo nas músicas brasileiras. Entendo que para certos objetivos, determinadas letras não encaixariam. Por isso nem vou citar a dança da bundinha. Em minha opinião ela serve bem ao seu intuito, que consiste em ter mulheres balançando a bunda. Atento para o admirável que é dançar, cantar e se divertir ao som de letras totalmente desprovidas de sentido e que não têm absolutamente nada a ver com o momento a que se destinam.

 

A água mineral é só a ponta do iceberg. Os japoneses ainda poderiam indagar: “Mas o que há de mais num carro de mão?” ao ver brasileiras dançando o refrão da última década:

 

“Carrinho de mão

Pára para rarara

Carrinho de mão

Pára para rarara”

(BIS até cansar)

 

Pois é, enquanto a arte já passou do pós-moderno na França, nós ainda estamos adaptando o surrealismo. E com a capacidade de fazer músicas sobre qualquer coisa, é de admirar que nossa indústria fonográfica não tenha superado a dos Estados Unidos, que estão ainda em segundo lugar em se tratando dessa forma singular de criatividade.


Escrito por Srta. Quaresma às 19h35
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BOOGIE NIGHT

Empresta esse perfume?

Pode pegar. Esse batom ficou legal?

Tá bonito. Você acha que eu devo ir com aquela blusinha ali ou essa aqui?

A rosa acho que fica melhor. Então, você dorme aqui hoje e amanhã eu te levo pra casa?

Tudo bem.

A Dani me convidou pra uma balada. Onde será que essa doida vai me levar? Essa menina não tem medo de pegar ônibus de madrugada, voltar andando a pé no meio da rua, só nos duas, nesse bairro perigoso...

Adoro essa liberdade em que ela vive. Pena que eu não consiga ser assim, qualquer coisa faz soar meu alarme interno de Perigo.

Nada que algumas cervejas não resolvam.

***

Chegamos.

Coliseu”, que lugar é esse? Pessoas diferentes, não conheço ninguém.

Vamos entrar?

A luz negra ilumina a calça da minha amiga e as camisetas brancas dos garotos. No escuro, todos os gatos são pardos e eles são bonitos.

Damos uma volta. Colunas dóricas, pinturas nas paredes misturam grafite com imagens de arquitetura da Grécia Antiga.

As pessoas que freqüentam a casa são simples. Gente do bairro. Enquanto caminho, sinto cheiro de desodorante, sabonete, gel de cabelo e leite de colônia. Todos se arrumaram para estarem aqui. Um grupo de meninas negras rebola numa roda. Rapazes encostados nas paredes, mas um grupo deles executa passos ensaiados no meio da pista.

Gosto da música que está tocando. Fez sucesso quando eu era menina.

Minha amiga foi para o outro lado da pista abraçar alguém. Vou pedir uma cerveja.

***


Escrito por Atena às 14h55
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"Fazer amor de madrugada..."

Isso aqui está muito divertido! Faz tempo que eu não danço assim!

Dani, me dá suas mãos!

Eu rodo a Dani e ela ri. Mais gente se reúne a nós e somos agora um grande grupo de meninos e meninas, e eles parecem se divertir tanto quanto eu. O globo que gira deixa o lugar salpicado de cores, o gelo seco tem o cheiro da madrugada, o álcool me deixa tonta e dá a sensação de que estou sonhando.

Abro os olhos, encostado numa coluna alguém me observa. Um garoto de olhos redondos, camisa xadrez e cabelos castanhos que me faz olhar para ele mais de uma vez. Quando eu miro seu rosto, ele o desvia. Mas dessa vez nossos olhares se encontraram e sorrimos.

Ele vem na minha direção, junta-se ao grupo, e do meu lado, começa a dançar.

Qual seu nome?— Pergunta com voz suave bem perto do meu ouvido.

Bolhas de sabão soltas no ar, tem espuma caindo do alto, ele segura meus ombros e eu aproximo minha boca à dele, sinto seus lábios tocando os meus, fecho os olhos, língua, saliva, calor, os braços e a música que toca, tudo se mistura em minha mente. Não penso, sinto.

Esta noite flutuo em outra dimensão da realidade.

 

 

Para entrar no clima, ouça Lemon, do U2.


Escrito por Atena às 14h54
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A MULHER

Divina. Santa, mas humana.

 

Amando. Apaixonante, apaixonada.

 

Deixa a noite escura, rumo a um novo dia.

 

Aquecendo,  e sendo aquecida.


Escrito por Muta às 14h57
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Os Dias Mutantes

Segunda: Atena
Terça: BruCe & Rafaella
Quarta: Srta. Quaresma
Quinta: Avó Peluda
Sexta: Muta

E a qualquer momento: Agent Smith & BlackSpy


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