As Idéias

O IDÉIAS MUTANTES ESTÁ MUTANDO

É isso mesmo pessoal!

Cheio de novas idéias, este endereço e servidor já estava nos atendendo a contento, de forma que procuramos novas funcionalidades para conseguir publicar nossos textos da melhor maneira possível.

O endereço agora é www.ideiasmutantes.com.br e lá esperamos que vocês, nossos leitores, encontrem nossos textos de forma ainda mais interessante!

Ficamos no aguardo das visitas, pois as nossas portas estão sempre abertas!

Não se esqueçam de alterar nos seus favoritos e listas de recomendações: www.ideiasmutantes.com.br

Nos vemos lá!


Escrito por Muta às 22h19
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Analisando o clichê norte americano

“Hollywood faz História”. Esse é o título do capítulo 12 do livro “As mais famosas lendas, mitos e mentiras da História do mundo”. É claro que o título é uma ironia. Porque para o autor é “óbvio” que Hollywood não faz História. Richard Shenkman, o dito cujo, deixa sua opinião bem clara ao dizer “Foram os filmes que mais contribuíram para informar as pessoas sobre a História mundial. Também foram eles que mais contribuíram para desinformá-las, e passa para uma breve descrição dos mais curiosos erros históricos em filmes diversos, que vão de penteados impossíveis a figurinos não menos inviáveis.

 

Qualquer pessoa que assistiu “Gladiador” é capaz de concordar com isso. Mas o fato é que Shenkman está errado. Hollywood realmente faz História. Isso porque todo e qualquer filme não deixa de ser um documento histórico da sociedade que o produziu.

 

Existem duas formas de se analisar um filme historicamente. Você pode voltar sua atenção para os aspectos concernentes à época em que o filme foi produzido, ou para os referentes à época que o filme tenta retratar.

 

Sendo assim, mesmo que um filme seja o que comumente chamamos “filme de época”, ainda é possível identificar no mesmo características relativas ao período de sua produção. Da mesma forma, qualquer filme de sessão da tarde pode ser encarado como um documento histórico, analisando-se aspectos tais como: cotidiano, costumes, moda, decoração. Sim, é triste admitir que coisas como “American Pie – O Casamento” têm importância para a reconstituição histórica dos fatos. Mas é a verdade.

 

Eu já tentei adaptar o clichê norte-americano aqui. Eis algumas das conclusões que historiadores do futuro chegariam se tivessem que reconstituir a história americana unicamente a partir de seus clichês cinematográficos:

 

A juventude americana é muito sem noção

Todo mundo já conseguiu engolir a estranha dicotomia “loser x popular” mostrada em 99% dos filmes que retratam o ambiente escolar americano. Mas aposto como qualquer um acha difícil engolir a maneira como os jovens parecem lidar com isso. Quer dizer, eles não se limitam a desprezar os losers e espalhar boatos sobre os mesmos, como qualquer jovem normal no Brasil faz quando odeia alguém.

 

Em “Nunca fui beijada”, o bonitão da escola convida a estranha Josie para o baile. Em frente a sua casa, Josie espera ansiosa pelo rapaz que vem buscá-la. Infelizmente ele passa de limusine acompanhado de outra. Plausível? Sim, até o momento em que ele joga 3 ovos na garota que estava toda pronta. Cadê a noção? Comparando com outros filmes, você pode facilmente perceber uma tendência extremamente bizarra: Os losers são massacrados. Metade das coisas praticadas com eles deve ser no mínimo inconstitucional. Nos filmes eles são espancados, roubados, despidos, sacudidos em contêineres. E isso tudo no colégio na frente de todo mundo.

 

Talvez Hollywood tenha exagerado. Mas é sempre bom lembrar que foi nesse beautiful country que dois estudantes entraram armados num colégio e mataram 12 alunos.

 

Táxis são uma verdadeira raridade

A perigosa Helena de “Presença de Helena” nunca teria se aproximado de seu alvo se estivesse no Brasil. Isso porque ela conheceu o cara numa fila para táxis, e aqui no Brasil é muito mais fácil encontrar táxis em fila.

 

Se você parar para notar nos filmes, verá que: Ou há uma imensa fila esperando um táxi; ou o personagem está no meio da rua desesperado fazendo sinal para todos os táxis que passam, e nenhum pára; ou então há dois personagens brigando por um táxi, o que as vezes termina em um táxi compartilhado por pessoas que vão a locais próximos.

 

Conclusão plausível: esse ramo não deve ser muito atraente nos Estados Unidos.


Escrito por Srta. Quaresma às 00h42
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Na década de 80 não havia moda teen

De 50 a 70 você podia reconhecer um jovem na rua. Você podia até reconhecer um jovem num filme. Mas a década de 80, com sua estética do bizarro conseguiu destruir a moda para adolescentes. Assista aos filmes da década de 80. Sim, todos aqueles de sessão da tarde. Enquanto hoje as adolescentes fazem questão de usar roupas que uma mulher de 40 anos nunca ousaria vestir, na década de 80 os filmes dão a entender justamente o contrário. A partir dos 13 as garotas esperavam parecer exatamente com suas mães. Parecer mais velha devia ser sinônimo de amadurecimento e consequentemente trazia prestígio e popularidade nos colégios americanos.

 

Assim, vemos em “Namorada de aluguel”, a pobre Cindy, depois de ganhar mil dólares e fingir ser a namorada do cara mais loser do high school, chegar a uma festa com uma roupa extremamente ridícula. Automaticamente todas as garotas da festa caem em cima dela. “Que roupa linda!!!” Ao que é respondido “É da minha mãe, a gente tá assim agora, ó”. Olhares invejosos.

 

Mentira? Comprovação rápida e fácil pode ser feita simplesmente pegando o álbum de fotos da família e olhando suas fotos da década de 80 e início de 90. Sim, suas fotos. Já que a desgraçada moda oitentista deixou suas marcas até no Brasil. Malditos anos 80!!!

 

Os xerifes são um bando de pregos

Chester Desmond é o agente do FBI enviado à pacata cidade de Twin Peaks, a fim de investigar o assassinato de Teresa Banks. Alertado pelo chefe através de um código bizarro, já vai preparado para enfrentar algo muito mais complicado do que um caso cheio de mistérios e poucas evidências: O xerife da cidade, que fará de tudo para atrapalhar seu trabalho.

 

Assim, temos que agüentar em 60%¹ dos filmes policiais uma briga desnecessária entre os xerifes de pequenas cidades e os agentes do FBI, que estão lá, é claro, só para tomar o espaço dos neuróticos policiais locais. Se corresponde a realidade ou não, deixemos aos muito mais interessados o papel de descobrir. Mas uma coisa é certa: Pelo menos no cinema, foi-se o tempo em que os xerifes eram os mocinhos do velho Oeste.

 

Negros e brancos americanos vivem em pé de guerra até hoje

Tudo bem se você ignorar todos os filmes e seriados que tratam exatamente desse assunto. Você pode até ignorar todos os filmes que são compostos unicamente por atores negros. Ainda assim perceberá nas entrelinhas de diversos outros filmes da contemporaneidade a estranha “briga de raças”.

 

Tudo dá a entender que antes de aprender que são Homo sapiens, fruto de dezenas de milhares de anos de evolução, os americanos aprendem se são brancos ou negros. E isso dá pano pra manga de muito filme.

Em Pânico 2, a primeira vítima foi o caminho inteiro reclamando com o namorado porque teria que assistir um “filme de brancos” no cinema

 

___________

¹ Chute sem noção e provavelmente falso.


Escrito por Srta. Quaresma às 00h40
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Fale !!!!!

Ao longo da vida desenvolvemos vários tipos de relacionamentos: profissionais, familiares, afetivos, sociais etc.
Andei me perguntando esses dias se em cada um desses, existe alguém para quem eu gostaria muito de dizer algo verdadeiro, autêntico e sincero, mas que não digo por determinados motivos? Algo que viesse do fundo do coração, seja bom ou ruim, algo que gostaria de dizer, mas que me nego? Algo que minto ou escondo, por algum tipo de medo, seja do outro, de mim mesma, de causar dor. Ou até mesmo indiferença ou ódio?
Depois de muito pensar e conversar cheguei à conclusão que existem SIM essas pessoas na minha vida e certamente na de cada um de vocês.

Eu não sei de quem você está lembrando agora, quem primeiro veio à sua mente, mas provavelmente é alguém importante para você. Pode ser seu chefe, cônjuge, amigo, pai, professor. Não importa. O fato é que é alguém importante. Agora, o pior. O relacionamento com essa pessoa é, certamente, o mais desonesto entre todos os seus relacionamentos. E, conseqüentemente, é o relacionamento que mais tem lhe trazido conflito interior, desequilíbrio. Chega uma hora que tem que falar com você mesmo, com seus valores, com sua consciência. Geralmente, são momentos de angústia.

A atitude de negar ou omitir o que deveria ser dito ao outro, mas não é, não causa só grandes estragos no relacionamento com ele, mas no relacionamento que você desenvolve consigo mesmo. Porque é impossível estar em paz agindo contrariamente ao que sente, ou ao que pensa. Isso gera conflito, inquietude. E nos confunde, nos tira do rumo. Algumas vezes até paralisa, nos tirando de órbita.

Se quiser restabelecer a paz, há pelo menos duas saídas: tirar a tampa da sua boca e ficar em paz ou, caso não haja coragem de falar o que precisa, mude você, seus valores e sua atitude, e pare de cultivar as razões que lhe levam a sentir ou pensar aquilo que não quer. Mude o que pensa, o que sente, ou o que faz, mas sinta-se em paz. Essa desculpa de que dizer certas coisas pode estragar a relação não faz sentido. Será que vale à pena uma relação sem abertura, sem honestidade? Para mim isso não é relação. Pode ser contato, convivência, mas não relação. Relação requer honestidade e entrega.

Às vezes penso se a dor de ser honesta, verdadeira é menor do que a dor de ser incoerente. Vale lembrar que "mais importante do que o que se diz, é como se diz", portanto estou trabalhando minha cabeça pra tentar dizer o que está preso na garganta. Ou seja, primeiro beijar, pra depois bater. Mas antes de tudo preciso me reconciliar comigo mesma.

Se as pessoas a quem disser certas verdades perceber sinceridade em minhas palavras, se perceber que eu falo e sinto o que falo, mesmo que doa nele, não haverá espaço para mágoa ou ressentimentos, o que não significa que o outro não sinta dor. Mas é uma dor necessária para o crescimento de ambos e da relação. Nunca se negue a dizer o que sente, o que pensa, o que faz, por medo de causar dor em você, ou no outro. Evitar a dor nesses casos, atrofia os relacionamentos, não os faz crescer. Pense nisso.

Quando se gosta, não deve haver medo de causar dor. Sabe-se que isso faz parte da construção de relações humanas. Por isso, doa a quem doer, a você ou ao outro, diga a verdade que está entalada a atrapalhando o relacionamento e sinta-se mais leve.

Se nada mudar, pelo menos você estará em paz e vai ter dado um grande passo para seu crescimento como ser humano.


Escrito por Rafaella Stallone às 09h54
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Rita queria um harém

Ela não era nem bonita nem feia. Ou melhor, poderia ser considerada bonita num dia e feia no outro, o que dependia muito do ângulo pelo qual que fosse vista. Rita, porém, sabia olhar para os homens e ver somente o seu lado bonito.

No colégio, ainda no primário, aumentava a cada ano a lista dos meninos de que gostava: Marcelo, Dudu, Guilherme, Felipe, Henrique, Marcos, João Pedro, Vinícius, Tiago, Carlinhos, William, seus colegas de classe e outros dos quais sequer conhecia o nome mas sabia quais eram seus lanches preferidos, pedidos na lanchonete da escola, as matérias de que gostavam e também as que odiavam, quem eram seus melhores amigos, onde moravam, quando jogavam bola... informações que ela ia recolhendo habilmente aqui e ali todos os dias.

Eles sempre a encantaram. Achava-os engraçados, gostava de vê-los correndo pelo pátio, de ouvir a voz deles, de suas roupas e até mesmo de suas temperaturas. Quando se aproximavam dela, sentia que seus corpos eram quentinhos como um urso de pelúcia velho e querido.

Nada disso, porém, Rita demonstrava exteriormente. As lembranças dos meninos eram guardadas para serem vistas e revistas em casa, quando se deitava no sofá da sala e ali ficava com os olhos no teto por horas, contemplando as imagem deles que conseguira juntar num dia e com elas montando histórias de contos de fadas. Mas fora de seus sonhos ela era só uma menina comum que reclamava das brincadeiras estúpidas dos garotos e mantinha aquela pose de superioridade e indiferença tão comum entre suas amigas.

Como naquela idade elas poderiam compreender que, apesar de serem tão bagunceiros e mal educados, havia graça em seus movimentos, revelada na destreza com que se esquivavam dos colegas nos jogos de pega-pega do recreio, e que seus olhos muitas vezes inspiravam confiança, como quando recebiam um novo colega no time de futebol como se fosse um amigo de longa data? E que ela admirava um por sua inteligência e outro por sua beleza, um por sua simpatia e outro por sua timidez e outro ainda por não aparentar nenhuma qualidade em especial mas tê-la ajudado certa vez a resolver um problema de matemática?

Nem adulta Rita perdeu o hábito de apaixonar-se pelos homens e nunca deixar que eles soubessem disso. O rapaz da padaria jamais saberia que ela sonhara com ele a noite passada e que todos os dias andava duas quadras a mais somente para vê-lo; seu professor da faculdade não iria acreditar se lhe dissessem que aquela aluna havia feito uma monografia tão boa porque estava apaixonada por ele, e tampouco seu colega de trabalho imaginaria que ela tivesse recusado uma proposta de emprego melhor apenas para tê-lo por perto.

Por certo havia uma lógica em tudo isso. Como Rita iria explicar ao mundo o fato de amar várias pessoas ao mesmo tempo? Se este segredo viesse à tona poderiam ridicularizá-la, desrespeitá-la. Ou pior: sabendo de sua condição, talvez algum rapaz se aproximasse apenas com a intenção de divertir-se, o que iria feri-la profundamente...

Então Rita continuava apenas sonhando em sua casa, como fazia quando menina. É claro que, com o tempo, e principalmente na adolescência, seus pensamentos passaram a envolver um pouco mais do que beijos de contos de fadas, mas no fundo o que ela sentia era aquele mesmo amor infantil e platônico de quem era capaz de relembrar cada gesto, cada olhar e reproduzi-lo mentalmente centenas de vezes.

Rita pensava sobre sua condição, que no final das contas a fazia sofrer muito, e por vezes desejava ter nascido muito rica em um tempo remoto, tão remoto que nem sequer existiu na História da Humanidade, no qual uma mulher pudesse ser a feliz proprietária de um harém. Assim, ela levaria todos os seus amados para seu imenso palácio onde lhes daria uma vida de príncipes, conheceria profundamente o gênio e a personalidade de cada um deles e poderia tocá-los, dormir tendo-os ao lado, cuidar deles, ouvir sua respiração e tornar real cada noite de amor imaginada...

Mas ainda que o harém fosse um sonho possível, Rita sabia que era incapaz de tirar a liberdade de seus amados trancafiando-os em uma gaiola de cristal. Além disso, embora amasse a cada um deles tão intensamente quanto podia, seria muito difícil que alguém aceitasse dividi-la com tantos outros...

O que teria o destino reservado a esta pobre alma? Só na semana seguinte saberemos, afinal, nem a mente de onde surgiu esta jovem é capaz, ao menos por hora, de pensar em uma solução para este caso tão complexo...


Escrito por Atena às 09h39
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Mas você pode me ajudar, escolhendo o caminho que esta história deve seguir:

1) Rita envolver-se-á com um hippie muito louco da pesada que a levará para morar em uma paradisíaca aldeia naturista situada no Taiti e onde todo mundo é de todo mundo?

2) Rita finalmente encontrará em um único homem todas as qualidades que ela admirava nos demais e dará seu coração somente a ele?

3) Rita será raptada por um sheik que a levará para seu harém onde ela descobrirá que, na realidade, gosta mesmo é de mulher e assim viverá feliz para sempre ao lado das outras esposas do maquiavélico árabe?

4) Rita, atormentada por seus pensamentos, renegará a todos eles e irá enclausurar-se em um convento. Lá, um padre celebra a missa. O único homem existente num raio de 100 quilômetros. Certo dia, Rita flagra-o fazendo xixi no jardim. A partir daí, surgirá uma amizade, que logo se transformará em um romance proibido, porém delicioso?

5) E, para não dizerem que estou defendendo a protagonista, um final infeliz: Rita, já velhinha, em um sanatório para idosos, pensará com tristeza em tudo o que poderia ter vivido se tivesse mais coragem para expor seus sentimentos, e que talvez pudesse até mesmo ter aprendido a dominar seu coração, que agora está prestes a parar de bater.... (mas ninguém vai votar nessa, não é?).

Indique uma das cinco alternativas deixando um comentário logo abaixo, e o mais votado até quinta-feira estará aqui na semana seguinte.

Conto com a participação de todos os leitores e leitoras neste conto interativo!


Escrito por Atena às 09h38
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SCIENTIFIC, WHAT? – MATÉRIA DE CAPA: O INÉDITO REGISTRO DO ACASALAMENTO DE GARÇAS DE PAPEL NO TURCOMENISTÃO

A renomada revista “Scientific, What?” tem o orgulho de trazer ao seu seleto público mais uma matéria exclusiva, fruto de intenso trabalho de campo de nossos fotógrafos jornalísticos e da insaciável sede de conhecimento da comunidade científica turcomena.

 

Após meses de cuidadosa programação, uma equipe formada por cientistas da ULT (Universidade Livre do Turcomenistão) e por K.S. Euran, nosso mais conhecido fotógrafo jornalístico, saiu em campo buscando pelas raríssimas e nunca registradas Garças de Papel Turcomenas, espécie que no passado pululava nas planícies do país, mas hoje encontra-se ameaçada de extinção devido à expansão da indústria petroleira.

 

Depois de intensa busca pelo interior turcomeno, com a equipe já para desistir, todos acabaram sendo recompensados quando encontraram não apenas um, mas um casal das belas aves e em plena temporada de acasalamento.

 

“Os cientistas extasiados com a demonstração única, entraram numa espécie de transe e iniciaram um complexo ritual agradecimento por poderem presenciar tal evento. Eu simplesmente não sabia se fotografava as aves ou os cientistas...”

 

Esse simples relato do enviado da revista já ajuda a transmitir a emoção provocada neste momento histórico.

 

Na seguinte seqüência de fotos, temos o registro definitivo – e inédito – do maravilhoso ritual de acasalamento de tão graciosas aves:

 

 

Pode-se ver claramente a aproximação suave do macho, as preliminares cuidadosas, o ato em si e finalmente o carinho demonstrado pelo casal formado pelas exóticas e raras aves turcomenas.

 

Aproveitamos ainda, para lançar um apelo à comunidade mundial pela preservação das espécies animas, não interferindo – ainda mais – em seus ecossistemas, pois todos os seres vivos são importantes para o equilíbrio da vida em nosso pequeno planeta, inclusive as pequenas garças de papel.

 

Longa vida à fauna de papel turcomena!

 

– x – x – x –

 

Observações:

 

1- Após essa experiência no Turcomenistão, o fotógrafo K.S. Euran, alegando fortes traumas deixou a revista e atualmente trabalha como fotógrafo artístico para revistas de caráter homoerótico.

 

2- Infelizmente, mesmo com o esforço de organizações não governamentais, as garças de papel turcomenas acabaram extintas, logo após a saída da equipe do país. O governo local deixou de protegê-las, após tomar conhecimento do – escandaloso – ritual realizado pelos membros da expedição.

 

3- ONG’s como Greenpeace, APGP (Associação Protetora das Garças de Papel), GAPREO (Grupo de Apoio a Praticantes de Rituais Exóticos e Obscenos), Sociedade Protetora dos Animais e outras, entraram com uma representação na ONU, exigindo uma exemplar punição aos responsáveis pela omissão do governo turcomeno.

 

4- A Universidade Livre do Turcomenistão proibiu a Revista “Scientific, What?” de entrar em detalhes sobre o “ritual comemorativo” realizado por seus pesquisadores.


Escrito por Muta às 00h02
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Fumar causa impotência sexual

E o Ministério da Saúde continua tentando...

 

Eu acho que as campanhas anti-tabagistas são feitas por pessoas que nunca fumaram. Assim como as anti-drogas. As últimas são no mínimo risíveis. E os anti-tabaco devem estar enveredando pelo mesmo caminho, que podemos de forma simples e insuficiente taxar de atitude “não-pode-chocar-faça-rir”.

 

A primeira remessa de imagens nas carteiras de cigarro, que entrou em vigor em Fevereiro de 2002, causou um certo impacto, mas pela novidade da coisa. Um mês depois todos os fabricantes devem ter se dado conta de que não tinham com o que se preocupar. Frases como “Quem fuma não tem fôlego pra nada” seguida da imagem de um cara aparentando estar com calor não choca ninguém.

 

A mais divertida era a da impotência sexual. Um casal frustrado na cama. Você quase podia ver o cigarro na mão da garota. Sim, aquele era o momento perfeito para se fumar um cigarro. E assim eles conseguiram inverter a relação de causa e efeito de sua intenção inicial. “Cigarro, logo impotência sexual” foi um objetivo não alcançado, sendo substituído pela idéia de “impotência sexual, logo cigarro”.

 

A única que causava certa repulsa era a que trazia um bebê que havia nascido de uma mãe fumante. Mas depois de muitas carteiras você já nem nota a imagem. O que comprova toda a inutilidade desse tipo de campanha.

 

Mas mesmo assim o Ministério da Saúde continua tentando, “porque ele é brasileiro e não desiste nunca”. Apresento a vocês a nova remessa de imagens que ilustrarão nossas carteiras de cigarro pelos próximos meses. Em seu mais novo estilo “agora vai”, o Ministério da Saúde conseguiu começar com o pé esquerdo.

 

Apresentadas pela primeira vez em Outubro de 2003, só há pouco começaram a circular as novas determinações, que vão além das imagens impressas nas carteiras. Tive o desprazer de vê-las na internet. Se as outras eram cômicas, estas são bem mais impactantes, e vão de uma boca com câncer a um feto abortado.

 

Contudo, com uma gama de imagens terríveis para ilustrar nossas noites de álcool e sexo, a única ridícula de todas foi exclusivamente a escolhida para estrear essa nova remessa. “Fumar causa impotência sexual”. E é isso que é tão risível!

 

Há pelo menos um mês, a imagem de uma ponta de cigarro com a cinza torta nos persegue. Nenhuma das outras figuras estão sendo veiculadas. Ou seja, TODAS as carteiras de cigarro do Recife estão estampadas com um “Fumar causa impotência sexual”, seguido de uma imagem que associa um cigarro a um pênis e causa risos incontroláveis num primeiro momento.

 

Isso me faz pensar acerca dos objetivos da campanha anti-tabagista e dos procedimentos tomados para os mesmos. Se você ignora a hipótese de que “chimpanzés selvagens são o cérebro da coisa”, terá forçadamente que aceitar a segunda proposição, que defende a existência de uma ala exclusiva para promover a diversão e o bom humor do fumante brasileiro.

Essa eu fiz questão de cortar e guardar

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Veja aqui as novas imagens das carteiras de cigarro.


Escrito por Srta. Quaresma às 00h48
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Eu sei demais

Alguém já se pegou sabendo mais do que devia?

Sabe aquelas fofocas, coisas que as pessoas te contam e você não pode sair por aí espalhando, por mais que morra de vontade? Pois é, às vezes me sinto um para raio. Não sei se é meu lado meio psicóloga que faz com que as pessoas se sintam a vontade em contar detalhes de suas vidas, mas é impressionante como sacam que sou confiável e me fazem confissões, muitas vezes cabeludas.

E faço questão de não sair por aí contando pra todo mundo, pois não quero queimar meu filme e deixar de ser a detentora de informações tão preciosas. Sou do tipo que nem sob tortura é capaz de revelar confissões alheias.

Hoje mesmo vivi uma situação constrangedora. O gerente do meu escritório veio me fazer umas perguntas, se eu sabia de alguma coisa a respeito de uma fofoca que tinha rolado semanas atrás. Lógico que sabia, mas tive que fazer cara de desinformada, mesmo sob certa pressão e a visível vontade dele que eu dissesse nomes. Sem chance. Me mantive forte e não revelei nada.

E quando alguém te conta uma fofoca de outra pessoa? Terrível, pois a vontade é de arrancar dela o que você já sabe, mas tomando o cuidado dela não perceber que você já sabe. E a raiva que dá quando não consigo descobrir? Começo a me questionar como a outra pessoa conseguiu tal informação tão preciosa e porque o alvo da especulação não contou nada PRA MIM?
Sem falar que se a pessoa contou pra você o segredo de outra, será que também não vai contar o seu? É importante saber pra quem se pode ou não abrir a boca.

Só sei que até hoje não me arrependi das minhas escolhas e espero que as pessoas cada vez mais continuem me contando muita coisa, porque por mais que ouvir fofocas seja muito legal saber que tem amigos que confiam em você é infinitamente mais prazeroso.

Escrito por Rafaella Stallone às 10h39
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Textos inacabados

Tenho vários textos iniciados e inacabados. Tenho que postar alguma coisa no blog hoje e não consigo finalizar nada. A voz de meus colegas de trabalho está me irritando e os pensamentos estão embaralhados.

O que está havendo? O mundo conspira contra mim.

Nesses casos, o melhor a se fazer é utilizar alguma técnica de redação alternativa. Farei um poema concreto:



Micro

Telefone

Garrafa d’água

Calendário

Caderno

Folhas soltas

Tesoura

Caneta

Canetinha

Lápis e

Régua.

.

.

.

.

Minha mesa é uma zona.



Terrível. Isto está parecendo-se com algumas obras que vi na exposição visitada ontem em São Paulo com a minha amiga Rafa. Tinha uns trabalhos bem bolados, mas os que mais nos chamaram à atenção foram aqueles que não nos representavam absolutamente nada: uma massa disforme de argila, um abajur congelado, uma mesa bagunçada (foi de lá que tirei inspiração para o poema acima?), um painel feito com jogos americanos todos iguais e com alguns adesivos infantis colados sobre eles, desenhos que me lembraram a pasta de trabalhinhos de meu sobrinho, no Jardim da Infância.

Talvez uma associação de idéias pudesse me trazer alguma luz. Como estou sem criatividade, começarei com o meu próprio Nick:

Atena. O nome da minha deusa grega preferida. Nome. Telefonaram, perguntaram por meu nome e quando fui atender descobri que não era para mim, mas para uma homônima. Telefone. Meu namorado ainda não me ligou e já são 9 e meia. Meia: Preciso comprar meias pois as minhas estão gastas e uma delas está com um enorme buraco no calcanhar. Calcanhar me lembra o ponto fraco de Aquiles. Aquiles foi interpretado por aquela beldade do Brad Pitt e nem assim eu fui ao cinema assistir ao filme Tróia. Operação Cavalo de Tróia é um livro que alguém vivia me indicando mas eu nunca li. Li é um dos meus apelidos, assim como Lili, Lilica e Liloca, mas tinha um amigo que me chamava de Lilith, o que me traz novamente à mitologia grega de onde tirei meu nickname, Atena.

Pronto, estou andando em círculos. Hoje, definitivamente, não é o meu dia de escrever.

Deixe-me pensar em alguma outra coisa que aprendi num de meus cursos... Ah, sim, fazer uma lista com as possíveis soluções para o problema:


  • Dar uma de joão-sem-braço e não escrever nada.
  • Pegar todos os meus textos pela metade, juntar tudo e fazer um conto nonsense envolvendo uma garotinha apaixonada, castelo mal-assombrado, Michael Moore e estudantes do curso normal.
  • Dizer a meu chefe que estou passando mal, sair daqui, pegar um ônibus até o Paraguai e escrever um diário sobre a aventura mais estranha de minha vida.
  • Publicar isso que acabei de escrever e embromar todo mundo.


É, vou ficar com a última alternativa. Tomara que meus leitores julguem tratar-se de um texto minuciosamente planejado com a intenção de discutir questões complexas como o senso estético na arte, quando na realidade é somente uma tentativa desesperada de produzir alguma coisa num dia ruim.


Escrito por Atena às 10h37
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A Legião Urbana tudo vence*

Tudo começou quando o rapaz que sentava perto de mim no colegial começou a me trazer umas fitas para escutar em casa. Antes eu só ouvia de vez em quando no rádio, curtia uma música ou outra, mas nem sabia muito bem o que diziam as letras. Ele falava com tanto carinho daqueles caras que não pude deixar de dar-lhes um pouco mais de atenção, e logo também eu estava totalmente envolvida por aquela poesia urbana que eles tocavam.

Nem sei muito bem o que é ser, propriamente, uma fã, mas se isso significar conhecer todas as músicas e em que álbum elas estão, além de ter antenas ligadas para tudo o que se fala sobre o assunto, acho que até posso me considerar uma fã da Legião Urbana, ou do (grupo) Legião Urbana, como eu sempre falei.

Acho que o que mais fez com que eu gostasse tanto das letras e das músicas dessa banda foi justamente a sua vocação meio melancólica, porque assim eu era na adolescência. Apesar de explosões de alegria e de extroversão, na maior parte das vezes eu era uma garota triste e quieta que pensava demais na vida. E de repente encontrar alguém que representava musicalmente aquela mesma tristeza, inquietação e amor que eu sentia o tempo todo era como ter encontrado um bom amigo que me fizesse companhia, como disse certa vez o próprio Renato Russo, sobre o relacionamento entre suas músicas e os fãs.

O primeiro CD da Legião Urbana que eu ganhei foi, na realidade, o último gravado com ele,  poeta, vocalista e líder da banda, ainda vivo, chamado “A Tempestade”. Quando corri para a sala, rasguei o papel de presente e ouvi os primeiros versos, achei que algo estava errado. Tinha alguma coisa muito diferente na voz de trovão de Renato. Estava fraca. Fui passando as faixas e percebi que todo o CD estava daquele jeito. As músicas eram estranhamente depressivas, mais até do que estávamos acostumados a ouvir. Esforcei-me para gostar e só fui entender o motivo daquilo somente algum tempo depois. Hoje respeito muito esse trabalho, porque sei que foi a expressão de uma dor tão forte que eu nunca senti e por isso não consegui compreender.

Quando soube que Renato havia morrido de Aids, estava me preparando para ir a um acampamento de jovens da igreja. Minha irmã correu para me dar a notícia que ela tinha visto na tevê e eu fiquei sem entender nada, mas aos poucos as peças foram se encaixando na minha cabeça.

No caminho para o retiro, nós cantamos várias músicas em homenagem a ele, e à noite o padre lembrou-se de tocar em seu nome também. E como se fosse uma metáfora não planejada, a atividade naquela noite simulava um cortejo fúnebre. No final, ao nos aproximarmos do caixão para olharmos o rosto do morto, o que víamos era somente o nosso próprio reflexo em um espelho.

*Urbana Legio Omnia Vincit, em latim, uma frase que veio estampada nos encartes de todos os álbuns da Legião Urbana, com exceção do “A Tempestade”


Escrito por Atena às 10h13
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UM ENSAIO SOBRE O NADA

O engenheiro no último detalhe de seu projeto trava e não consegue terminá-lo.

O escritor no último capítulo do livro enrosca.

O estudante tem um branco e simplesmente não lembra da resposta final do exame.

Nas três situações citadas, apesar de distintas carregam algo em comum. Ok, carregam duas coisas em comum, mas me refiro à outra e não ao início igual... todas elas mostram resultados clássicos de ataques do NADA!

Por anos o Nada passou desapercebido graças a antigos dogmas transmitidos de geração para geração:

_ Ah, isso não é Nada.”

_ Nada não...”

_ Ei, não se preocupe que não tem Nada aí!”

_ Nossa, não consigo pensar em Nada.”

Nessas frases aparentemente simples, podemos ver claramente o Nada em ação. Ele dissimula, engana, disfarça e com isso não percebemos seus atos.

O Nada Rouba Pensamentos

Essa é uma das principais características do Nada: o roubo de pensamentos.

As boas idéias, as citações finais, a matéria mais importante. Nada escapa do Nada. O Nada se alimenta desses pensamentos decisivos e se nada for feito, a vítima pode ser dominada pelo Nada.

O Nada Está Entre Nós

Quando uma pessoa se vira para trás com a nítida sensação de estar sendo seguida ou observada, normalmente não encontra nada. Alguém sente um arrepio repentino e quando perguntado, normalmente diz que não é nada.

Por mais estranho que pareça, em todos os casos as pessoas estão certas, pois trata-se do Nada rondando mais uma possível vítima.

O Nada É o que Parece

Depois de descritas tantas características do Nada, podemos concluir que o Nada é sim alguma espécie de ser vivo. Ainda não podemos confirmar se trata-se de um espécime único ou de uma completa civilização paralela, mas um dia – com o desenvolvimento de equipamentos para enxergar o nada – poderemos descobrir mais detalhes.

Não Falei Sobre O Nada

Este ensaio sobre o Nada trata-se de um alerta para que todos tomem ciência da existência do Nada. Como não sabemos a real natureza do Nada, isso é uma medida de segurança de extrema importância.


Escrito por Muta às 16h09
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A metáfora do corpo em A paixão de Cristo


O teórico francês Henri Bergson dizia que o corpo é um “movente entre os tempos passado, presente e futuro”. Entender o corpo como metáfora talvez tenha sido o maior esforço de Mel Gibson em A paixão de Cristo. No filme polêmico estrelado por Jim Caviezel e Monica Belucci, há muito mais que uma pintura do desespero e da vida sob o fio fino do risco pelos flagelos e pancadas insistentes sob a pele do Cristo – há uma trajetória do corpo, seus movimentos, suas posições ante as diferentes platéias que contemplam o mesmo espetáculo, a mesma execução pública em seus ângulos múltiplos.



A primeira cena evidencia a ênfase fílmica sobre o status corpi: convulsionando-se por angustiado que estava, o Cristo está de pé, num breu penetrante, sob o silêncio pesado de um jardim que convida mais ao sono e à letargia que à angústia do momento – o Cristo é um corpo solitário, mantém movimentos totalmente desesperados enquanto sussurra: “Abba” – o que quer dizer, em aramaico: Pai. Aparece-lhe o Diabo, desafiador, aparecem-lhe mais metáforas: uma cobra, os discípulos dormindo. Para quem conhece a história ou leu o evangelho, o filme é uma confirmação de muito do que está escrito, mas recobra matizes diferentes a elementos como o que guia toda a narrativa: o corpo. Em um dos evangelhos, diz-se que: o Verbo se fez carne e habitou entre nós; o filme mostra como foi desgarrado o mesmo Verbo no meio de nós – numa interpretação cristã.



Os desgarres do Verbo seriam então: a prisão e o fragelo do Cristo – ele é arrancado do jardim e dos discípulos – os discípulos que metominizam todos os seguidores de três anos de ministério cristiano – depois é balido no sinédrio, onde, num aramaico rude e com idumentárias verdadeiramente imponentes, quiçá assustadoras, alguns judeus o julgam. O corpo recebe cusparadas; e é pressionado entre homens e mulheres que batem à revelia e a despeito de posição social, visa-se simplesmente atar-se ao senso comum. O Cristo assim passa a integrar-se ao senso comum quando satisfaz às exigências do prazer comum: um corpo deve entregar-se às exigências da sociedade. A metáfora da condenação é muito clara aqui. Sabe-se que para os gregos – influência do pensamento ocidental e cultura dominante da época a que se reporta a película –, a noção de unidade é muito visada. A escultura Laocoonte e seus filhos é um exemplo do que se cria como sendo a hamartia – pecado contra os deuses, isto é, o que configurasse um crime contra o divino, deveria ser punido no corpo; dessa forma, a escultura mostra a dor do sacerdote de Apolo e de seus filhos sendo mortos por cobras, a ênfase do helenismo sobre o corpo retorcido de Laooconte e seu grito eternizado na escultura. A primeira atitude do mundo grego no caso do sacerdote é balir o homem da sociedade, espurga-lo, entrega-lo às cobras, em face do crime cometido.



No caso do Cristo, e como se nos mostra na película de Gibson, o corpo nunca se entregou à sociedade – sua execução é prova disso. Os flagelos, que duram boa parte da narrativa, são detalhadamente mostrados, a antecipação do ferimento, o seu processo e produto também. Cada uma das chagas que os chicotes, pancadas, chutes e desintegração/integração do Cristo junto à sua condenação são mostrados quase que num esforço neonaturalista, digno dos cientificistas do século XIX – talvez esteja aí uma das chaves do filme: aproximar elementos do neonaturalismo pós-moderno à narrativa da morte de Jesus. Elegem-se arquétipos obviamente católicos como o status de Maria, os flash-backs que reiteram cenas como a última ceia – nisso o filme justifica sua base fundamentalista. Mas não deixa de ser um primor, apesar de claramente exagerado em alguns pontos e fraco em levar as cenas mais coadjuvantes ao nível de integração ao total e eleger uma trilha sonora muito fraca, a película é primorosa em fotografia que preza o jogo de claro e escuro acertadamente, pois aproxima-se da estética maniqueísta/ barroca – propósito da narrativa.



Os movimentos do corpo e sob o corpo são intensamente – bruscamente seria o termo – trabalhados; as cores também. Grosso modo, o corpo do Cristo muda de cor e de tamanho à medida que lhe vão sendo tiradas as forças e a estrutura. Um questionamento que se levanta ao decorrer da narrativa é: como ele ainda não morreu. A transcendência do corpo de Cristo – ou a ideologia da transcendência – se evidenciam no excesso de açoites a que é submetido o mártir. Outro ponto a se conferir é a ideologia da exposição do corpo – as idéias de unidade, integridade e moral são totalmente partidas, na medida em que o corpo santo e sagrado é exposto – mais uma confirmação da profecia que o Cristo encabeça na ceia (mostra em flash back): “Este corpo será partido” .



Partido, o corpo praticamente perde os braços na cruz, tem juntas e medulas desconjuntadas, falta-lhe a pele e muito sangue. Agoniza por minutos contados na narrativa da cruz e não responde a nada, senão a opinião alheia dos outros nos minutos contados da narrativa da morte. As respostas são: a retirada da cruz – ícone do cristianismo – e o jorrar sangue e água!



Renovado, o corpo nu – como de quem nasce de novo, isto é, ressuscita. Não teria mais sentido o filme senão mostrasse o próprio sentido do Cristianismo – a vitória sobre o senso comum e a superação do corpo, que partido, ressurge vivo. Viva à transcendência!



(o texto foi confeccionado meio que a quatro mãos com Lila Peixoto)
Escrito por Avó Peluda às 19h14
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Tudo bem... Tudo bem... Hoje nem é o "meu dia de escrever" por aqui, mas o fato é o seguinte:

"Os picos de solidão" voltaram a manifestarem-se... Para atrapalhar na solução dos "picos", eu reparei que quase não tenho mais contatos com o tipo de gente que mais me atrai e necessito no momento:

- Garotas, mulheres ou gente jovem e interessante (como eu acredito AINDA ser)... Em outras palavras, garotas "passiveis" de olhares providos de algum interesse/sentimento neste que vos escreve...

Tudo o que vejo e me relaciono são com gente velha e maquinal... Com interesses diferentes dos compatíveis com minha juventude e ansiedade de vida e realizações, sobretudo afetivas que um jovem sadio, consciente e com algum entendimento necessita...

Ok, foi então que resolvi colocar um perfil em um dos sites de relacionamentos que andei testando nas últimas semanas.

O "campeão" dos sites de relacionamento em termos técnicos, conteúdo e coerência foi o MATCH.COM (da Microsoft/MSN).

Meu amigo Matheus conheceu a "Teka" lá... Hoje eles namoram... Quase não saio mais com o Matheus, quase não saio mais nem mesmo com o referido casal, do mesmo modo que quase não saio ou vejo mais o Feu, que namora a Tati. Quase não vejo mais os olhos “azuis piscina” do Mauro, que namora com a Gisele. Não toco mais com o Will porque ele namora uma garota que eu nem sei o nome...

Bom... Entre ficar desejando ter o que fazer, entre ficar desejando ter alguém, em meio ao tédio e com alguma amargura, e fazer uma pesquisa/cadastro/contratação de um site de relacionamento... Preferi a idéia do site...

É melhor que tornar-se mero aceitador da rotina trabalho/casa... Uma rotina sem cor, sem perfume adocicado, sem voz suave, sem beijo, sem lágrima, sem prazer... SEM UMA "QUERIDA"...

"Investi R$30,00 (só este mês como teste) e fiz um perfil no match.com (e olha que até caprichei no preenchimento!).

Bom, como não tem nenhum dado confidencial, como eu pretendo mesmo que parte do "povo" que escreve aqui comigo me conheça/entenda melhor... E claro, para que acompanhem parte desta saga - que deve durar 01 mês - estou colocando aqui uma literal EXPOSIÇÃO deste que voz escreve...

Está aí, é só dar risada... Ou nem isso... 

- Em meio a tantos Hotmails, Messengers, ICQ’s, Orkuts, Multiply’s e BLOG’s... Esse é mais um serviço que quero/preciso experimentar agora...

(E estou “abrindo” este projeto com vocês... Vejamos no que dá... ;)

(Vide posts subsequentes abaixo)

 


Escrito por Bruce Werk às 12h44
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Perfil
  brucewerk Última visita: 08-Sep-04  

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Escrito por Bruce Werk às 12h30
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Geral
Meu nome é Bruno Cesar, os amigos me chamam de ''BruCe''.
Gosto muito de tocar bateria, produzir música, internet/computadores, praticar Judô, correr/caminhar, pedalar, ler, dirigir...
Sou completamente apaixonado por música, informática e por afetividade...
Costumo até dizer que meu lema de vida é o seguinte:
M I M - Música, Informática & Mulheres (''mulher'' - se você preferir)

Meu gênero musical predileto é música eletrônica de qualidade. (Nada de dance ou ''tuts-tuts''). Sou um fã inveterado da banda alemã que criou a música eletrônica, no caso, o KRAFTWERK.
Ao tocar bateria, tendo a tocar Clássicos do Rock (outra paixão).
Trabalho com Tecnologia da Informação, sou Coordenador de Projetos.
Sou Zen Budista (se quiser considerar como religião). Assim sendo, pratico muita meditação (ZaZen) porque acredito que seja esta uma poderosa ferramenta de auto-entendimento e compreensão das coisas, da vida...
Aprecio a espontaneidade, honestidade e alegria nas pessoas; bem mais que beleza, roupas ou outras características secundárias...
Sou romântico, atencioso e capaz de entender uma mulher que queira comigo estar...
Já me disseram certa vez assim: ''Bruno você é um CLÁSSICO''...
Eu gostei do sentido que isso continha, e desde então tenho me esforçado para de fato ser um...
 Sexo:  Homem
 Idade:  24
 Raça:  Branco
 Estado civil:  Solteiro
 Filhos:  0
 Religião:  Budista
 Bebe:  Bebo socialmente
 Fuma:  Fumo Cachimbo/Charuto
 Alimentação:  Não vegetariano
 Ocupação:  Computação / Telecomunicações
 Escolaridade:  Universitário
 Idiomas:  Português (Fluente), Inglês (Intermediário), Japonês (Mínimo)
 Interesses:   Academia / Ginástica, Acampamento / Excursões, Artes Marciais, Canto / Instrumentos Musicais, Comidas e Vinhos, Computadores / Internet, Dança, Danceterias / Bares / Nightclubs, Esportes Aquáticos, Literatura / História, Música – Dance / Eletrônica, Música – Rock, Religião, Viagens & Turismo, Yoga / Meditação

Escrito por Bruce Werk às 12h28
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Aparência
Sou sujeito como dizem: ''Esbelto''...
De aparência normal...
Uso meus cabelos geralmente curtos, variando sempre entre ''casual'', ''militar'', ou até raspado (depende da fase, da proposta, da ''namorada'')...
Meus olhos particularmente já fora elogiados (coisa rara!), são no caso castanhos claros, ocre, cor de mel...
Se há alguma beleza em mim, considerando todo o contexto visual, vai depender dos seus padrões, mas independente deles, sou feliz e honesto em afirmar que há sim belezas que se encontram por aqui: em minha forma de gostar de alguém, em minha forma de ver e viver a vida... Pode ser ainda que haja alguma beleza perdida ou escondida em meu rosto, mas esta, perde (ainda bem!) para a beleza do meu humor, e do meu ser verdadeiro (individualidade, âmago)...
Minha estatura é de 1,81 metros... Minha pesagem não ultrapassa os 70Kg (ainda bem!)
Geralmente não uso barba, mas é comum reconhecerem em minha face um meio cavanhaque ou costeletas (é como eu digo: ''depende da fase, da proposta, da ''namorada''...).
 Cor dos olhos:  Castanho Claro / Mel
 Cor dos cabelos:  Marrom
 Tipo físico:  Em boa forma
 Altura:  Entre 1.71m e 1.84m

Escrito por Bruce Werk às 11h41
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Procurando por
Há algum tempo eu namorei uma garota ''legal''... Até que deixamos de ser ''legais'' um para o outro e resolvemos seguir sozinhos nossos próprios rumos, sem dor, sem traumas...
Acho que isso já vai fazer uns 10 meses...
Tanta coisa mudou desde então...
Vejo que a única constante em meio às tantas variáveis foi que desde tal, não estive com mais ninguém, pelo menos não de uma forma apaixonada ou que fizesse sentido...
E assim, ''desfrutei'' de alguma ''liberdade de solteiro'', mas a liberdade virou solidão, virou vazio, talvez até tenha transformado-se em um desperdício de tempo, de vontade, de desejo, e o pior: desperdício de sentimento...
Foi então que resolvi que deveria encontrar alguém para eu conhecer e então apreciar, adorar o seu brilho e deixar que este mesmo alguém receba o brilho que acredito ter...
E percebi que gostaria de encontrar de forma natural, tranqüila e “arrojada” uma mulher inteligente, doce, romântica e carinhosa...
Ela não precisa ser bela como rezam os padrões que alguém inventou em algum tempo, basta combinar comigo no campo das paixões, carências e vontades; assim sendo, faria de tudo para chamá-la um dia de ''minha garota''...

Esse “sonho” atual me trouxe até aqui... Com um pouco de sorte me levará até você...
- Quem afinal pode saber?
- Resposta: SOMENTE NÓS!
 Sexo:  Mulher
 Idade a partir de:  19
 Idade até:  35
 Procurando por:  Parceiro de Atividades, Amizade, Relacionamento, Romance

Escrito por Bruce Werk às 11h36
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Dias de campo

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa extremamente urbana, que jura de pé junto que jamais iria morar numa cidade pequena ou de interior.

 

Mas é impressionante como dois dias fora da bagunça da capital podem fazer com que se repense essa ideologia, mesmo que por uma fração de segundos. Digo isso, pois passei um final de semana numa cidade nem tão longe de Sampa, mas que me fazia achar que estava a quilômetros de distância tamanha a diferença entre os dois lugares.

 

Um dos poucos barulhos que se ouve é o das galinhas e dos cachorros e da panela cozinhando o feijão. A televisão apesar de existir mal é ligada porque prefere-se juntar uma dezena de pessoas e simplesmente jogar conversa fora e ouvir pitorescas histórias do lugar contadas por um nativo. É muito mais divertido e enriquecedor do que qualquer programa, sem falar que é uma maneira muito gostosa de conhecer melhor as pessoas com quem não se tenha tanto convívio no dia-a-dia. Não somos importunados por telefonemas de pessoas querendo vender a mãe e não somos encontrados via celular porque nem há sinal por lá.

É literalmente paz na terra.

 

Arranquei mandioca da terra e me sujei toda tirando a casca pra uma hora depois comer a dita cuja amarelinha e macia. Peguei ovo recém saído da galinha, verduras e temperos fresquinhos, provei por livre e espontânea vontade alecrim com amora e criei uma receita.

 

Consegui ouvir música que só no campo se ouve e que uma roqueira como eu normalmente não ouviria sem se irritar. Além de ter cantado com todo mundo aquelas simpáticas letras recém aprendidas, deitada numa rede depois do almoço. Onde também tive o privilégio de poder ler um livro quase inteiro com cães, gatos e pássaros cantantes à minha volta.

 

Ir ao centrinho para comprar umas coisas no supermercado, único da cidade por sinal, é uma delícia. Não se pega trânsito, não se paga os olhos da cara num estacionamento por somente meia hora, não há flanelinhas te importunando. Todos parecem felizes e de bem com a vida e não precisam necessariamente conhecer alguém para ao cruzar na rua dar um “Oi”. São de uma simplicidade e principalmente educação muito maior que muita dondoca supostamente chique da cidade grande.

 

É um lugar para sair de alma lavada, totalmente zen e querendo voltar em breve para recompor as energias. Mas não para sempre, pois não conseguiria viver ser um cinema, restaurantes a rodo, serviços 24 horas e outras maravilhas que só a cidade oferece.


Escrito por Rafaella Stallone às 10h58
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Ditadura da falta de educação

Osmar Soares


O poeta Renato Russo, numa de suas mais expressivas canções, afirmava que “Depois de vinte anos na escola/Não é difícil aprender/Todas as manhas do jogo sujo” e se pergunta: “Não é assim que tem que ser?”. A História respondeu essa pergunta de duas formas bem distintas: os que estavam na Escola, durante 20 anos da ditadura militar aprenderam na carne e no espírito não só as manhas do jogo sujo, mas também a perda da liberdade de expressão; os que estariam nos 20 anos pós-ditadura teriam a escolha de morrer sem a ideologia reivindicada por toda uma geração na voz de Cazuza – os anos 80 foram o início de toda uma apatia que culminaria na anomia critica e ética dos anos 90.

A ditadura militar liquidara o conceito de democracia e liberdade individual do País. Como um movimento político retrógrado e autoritário, ela prendeu, torturou, executou, cassou parlamentares, juizes e professores, instalou aparelhos como a censura, e uma mídia tendenciosa e alienante, que veiculava as ideologias do regime face à degradação de ideais comunistas mostrados como ameaça para a saúde do Estado e da ordem pública. A proposta do golpe militar se baseava, principalmente, na palavra “ordem” presente na nossa bandeira acompanhada de “progresso”, como sendo os compromissos de um regime que apresentava uma falsa idéia de calma, tranqüilidade e seguridade social. O militarismo promoveu a degradação dos bens públicos e instituições do governo – a escola pública, por exemplo, que era o espaço em que conviviam classes média e pobre passou a figurar como lugar preterido pela sociedade; mantinha-se uma qualidade no ensino e no funcionamento do sistema público de educação, mas, com o descarado liberalismo do regime, a iniciativa privada ganhou espaço e a escola particular passou a ser sinônimo, inicialmente, de qualidade e fuga para as classes mais abastadas.

No sistema educacional, as conseqüências do regime se vêem até hoje: degradação do estudo de humanidades, face à ênfase exagerada sobre as competências e disciplinas que levariam o “Brasil, país do futuro” ao desenvolvimento tecnológico; aumento da oferta de cursos profissionalizantes que garantissem formação para as classes mais baixas e conseqüente alargamento do funil de entrada nas universidades públicas; sucateamento, já comentado aqui, do ensino público nos níveis médio e fundamental – antigos 2º e 1º graus; divulgação descaradas das ideologias governistas através do estudo de OSPB (Organização Social e Política do Brasil), Educação Moral e Cívica, que visavam a pôr o cidadão “a par” conhecimento dos símbolos nacionais e positivismos brasileiros, nesta instância o “ordem e progresso” era mais visado que nunca; limitação das publicações, que passavam pelo crivo dos órgãos de censura – livros considerados comunistas eram deliberadamente impedidos de serem publicados. A escola funcionaria mais do que nunca como “aparelho ideológico do Estado” (ver Paul Altusser) e aqueles 20 anos em que se geraria uma consciência crítica no cidadão, entendida como sendo um dos papéis principais da educação, passaram a figurar como sendo os anos do Ensino Tecnicista, em que a força de expressão e liberdade de pensamento eram reprimidos por uma máquina de fazer máquinas – o regime.

Na época, a UNE – União Nacional de Estudantes – foi queimada e proibida; ela representava uma força contra o governo. A militância política contra-ideológica levantava lemas em faixas como “Abaixo a ditadura!” e “Povo armado derruba a ditadura”, numa convocação muito clara dos estudantes ao corpo a corpo e à manifestação destemida contra o governo. Nos 80, tivemos a geração coca-cola, filhos dos que viveram os 20 anos do Regime. Nos anos 80, os estudantes conheceram pela primeira vez a calma. Uma questão se levanta, porém: essa calma perdurou? O cinema desses anos mostra, por exemplo, o ressurgimento (e quiçá o surgimento) das cidades, a tentativa de volta ao desenvolvimento tão prometido nos anos de chumbo. A juventude que vai a esse cinema já não veste roupas naturais, nem põe faixas na cabeça, nem medalhões metálicos com símbolos como “Paz e Amor” ou o corpo nu de Woodstock; pelo contrário, eles vestem calças LEVIS ou LEE, bebem Coca-cola, escutam U2, refletem quando vêem “Pixote”, podem chorar quando sabem de sua morte, mas volta-e-meia se esquecem disso. O que a anistia em 82 e o fim da ditadura três anos mais tarde trouxe para a educação e para a consciência política do País? A nação se confirmou como sendo diversa e desigual – os que pensavam, usavam all star, mas cantavam com Cazuza e Renato Russo “Que país é esse?” e “Ideologia”. Entre a revolta e a apatia, a geração dos 80 é herdeira de pais revoltados e vislumbra com depressão o futuro de um país que começa a ter uma democracia em 89, vê seu presidente eleito morrer; seu sucessor inflacionar a realidade e as contas do Estado e o primeiro de uma série de Fernandos tornar o Brasil uma terra estrangeira para todos.

Em 92, a UNE abre a década de 90 pedindo nas ruas o fim da corrupção – o movimento estudantil poderia agora ser movimento sem derramamento de sangue – mas, o gesto ainda foi tímido para uma década de jovens alienados e apáticos. Netos dos “desbundados” de 60 e 70, agem segundo o movimento dos “bunda mole” de 90 e 2000, deslumbrados com os games americanos, as vitrinas e com o computador, geração herdeira de Xuxa e condicionada à apatia até um novo “boom” ou “desbunde” internacional. Os estudantes de hoje não sabem responder a um questionário sobre o que foi a guerra do Vietnã, ou em que consistiu o Golpe de 64, os movimentos estudantis de 68, o porquê do impeachement de 92. Sua consciência crítica vai desde aceitar a letra de um funk que canta a mais-erotização como válida num tempo de violência e falta de projeção social a ouvir, nas camadas mais abastadas, o mesmo funk com curiosidade de quem vai ao morro pra comprar as drogas com que se vicia nas quadro paredes com grades e segurança dos condomínios.

As manhas do jogo sujo – todo esse jogo descrito aqui – eram para realmente terem sido vistas e exploradas nos nossos 20 anos de escola, mas o Jornal Nacional o mostra e os clichês se repetem: “Brasil, país do futuro, até quando?” ou “O país não vai pra frente”. O JN é seguido pela novela que mostra a cultura totalizante e “viável”, nossos valores que não “derrubam reis, nem fazem comédia com nossas leis”. Que geração poderá realmente gargalhar? Que a escola o responda.

 


Escrito por Avó Peluda às 20h01
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Vida Inteligente na Madrugada

Muito bem, depois de meses órfãos de Daltro Cavalheiro no comando do programa "Alegria, Alegria", estamos sendo presenteados pela RedeTV! mais uma vez; agora com o programa "Artistas & Companhia", comandado por Ravel (acho que é esse o nome dele).

Descrição: O programa (?) passa às 2 da manhã de sábado, concorrendo com todas as maravilhas repetidas pela MTV, com as maravilhas caras da TV a cabo e com "A vida inteligente na Madrugada", isto é, "Altas Horas". Perguntem-me o que prefiro? É claro que é muito mais divertido ver o filhote-de-cruz-credo Ravel, com óculos escuros, cabelos mais crespos que os de Reginaldo Rossi, cantando: "Obrigado ao homem do campo/ obrigado ao trigo, Senhor/ Obrigado à toda a lavoura". O hit não se limita só ao homem e às coisas do campo não, ele também canta o tema universal da poesia, o amor e as brigas entre homem e mulher na cama.

Diversão: Como Daltro Cavalheiro, Ravel divide o palco com uma moça, não tão gorda, não tão barriguda, não tão loura, não tão com uma lapa de nariz, não tão convencida quanto Kássia Franco - a que substituiu o Cavalheiro no fatídico desaparecimento dele. A moça que acompanha o nosso novo e futuro ídolo é mais magrinha e mais, digamos, órfã de inteligência e devota da Santa Ignorância: "Então, vamos ver qual será nossa próxima atração?" Nisso, o Ravel lhe aponta ou lhe dá uma deixa que até Avós Peludas Míopes vêem, e ela vai até a próxima atração e diz: "E aí?". Muito bom.

Atrações: Os números vão desde imitadores de Roberto Carlos com cara de doente até grupos de música baiana com meninas e menin(o)s dançando muito. Dançam muito.

Platéia: Destribuídos em mesas pelo estúdio - mesas com flores de festa de 15 anos - eles sofrem com a câmera que focaliza os poros da sua pele facial, o gel no cabelo. Ou não. Quando se dá um close em alguma porporinada, elas sorriem enquanto balançam a cabeça ou os braços. Ótimo.

Já não ficarei com tanta depressão nas noites de sábado. Viva o trabalho árduo dos nossos produtores da TV brasileira.

Avó Peluda


Escrito por Avó Peluda às 13h17
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Ele me irrita

Escrito por Avó Peluda às 17h10
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Charlton Heston versus Ben-Hur

Estamos no início do século I, em Jerusalém. O jovem e rico judeu de família nobre, Judah Ben-Hur, não aceita a exploração de seu povo pelo Império Romano, e por defender esta convicção é traído pelo amigo de infância Messala, agora chefe das legiões romanas na cidade, que o leva a ser condenado por um crime do qual é inocente. Inicia-se aí a saga do herói do filme de 1959, "Ben-Hur", baseado no livro de Lew Wallace e vencedor de 11 Oscars, meu longa-metragem preferido por dezenas de motivos, dentre eles a música, o Tecnicolor, as atuações, os cenários, as grandes tomadas, as lembranças que me traz.

Charlton Heston interpretou Judah Ben-Hur e por isso é também o meu ator favorito. Entretanto, assistindo a outro filme – Tiros em Columbine –, um documentário do diretor Michael Moore realizado em 2002, conheci uma faceta dele que até então não sabia existir.

O ator hoje tem cerca de 80 anos e sofre do Mal de Alzheimer. Não foi fácil ver o forte e belo Judah curvado, de cabelos brancos, vagaroso e trêmulo, os olhos outrora tão azuis e límpidos agora levemente turvos. Mas foi ainda mais difícil perceber que nem em suas palavras ele parecia-se com o justo, honesto e valoroso Ben-Hur.

Presidente da Associação Americana do Rifle, Charlton Heston fez afirmações que aparentaram estarem repletas de racismo durante a entrevista concedida a Moore sobre o uso de armas nos EUA, que jamais imaginei pudessem sair da boca de quem vivenciou com tanta maestria no cinema o sofrimento causado pela discriminação, não somente em Ben-Hur mas também no filme Planeta dos Macacos, como o protagonista Coronel George Taylor. Quando ouvi aquelas declarações, pensei: “Como alguém que me fez refletir tanto sobre a ignorância e a brutalidade humanas, que me comoveu e me levou às lágrimas pôde demonstrar a intolerância que ele demonstrou?”.

Evidentemente não sou passional a ponto de seguir o raciocínio inverso e odiar os atores que costumam interpretar malvados. Mas penso que, embora não tendo vivido efetivamente determinadas situações na vida real, a experiência de tê-las encenado na arte seja suficiente para o ator sentir-se no lugar dos indivíduos que vivem aquela realidade, passando a compreendê-los melhor, e aprendendo alguma coisa com as ações do personagem a que ele próprio deu vida.

Não sei em até que ponto a entrevista foi editada, afinal Michael Moore às vezes parece um desses repórteres sensacionalistas que manipulam pessoas e fatos para comprovar suas opiniões, embora elas sejam legítimas. De qualquer maneira, é possível que ele tivesse pressionado Heston, mas não que tivesse alterado os comentários que o próprio fez em alto e bom som.

Contudo, da mesma forma como não poderia ter julgado a índole do ator pelos papéis que ele representou, a verdade é que também não posso condená-lo por uma mera entrevista e nem pelo que a mídia mostra e afirma sobre ele. Por esta razão, não vou concluir dizendo que Charlton Heston é um vilão na vida real que interpreta mocinhos no cinema, nem um homem sensível que expressa seus sentimentos na arte e faz pose de durão na vida social, pois simplesmente não posso provar nenhuma das duas afirmações.

E para o leitor que não está interessado nem um pouco neste assunto tão específico mas acompanhou fielmente o texto até aqui, espero que a leitura tenha servido ao menos para deixá-lo curioso em assistir algum dos filmes citados, se é que ainda não os conhece: "Tiros em Columbine", "O Planeta dos Macacos" e o inesquecível "Ben-Hur”.

* Entre dezenas de sites que criticam Charlton Heston com base na imagem forjada pelo documentário "Tiros em Columbine", acabo de encontrar a página Bowling For Truth, que faz uma série de acusações à forma parcial como os fatos são mostrados nos filmes de Michael Moore, e onde existe um link específico para o caso da entrevista com Heston. Sem entrar no mérito de quem está certo e quem está errado, o fato é que cada vez mais chego à conclusão de que nossas opiniões sobre assuntos como estes serão sempre parciais, já que baseadas somente na parte da história que a mídia nos revelou.

Ben-Hur daria um ótimo vereador...


Escrito por Atena às 16h31
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Idéias Mutantes II

Então eu fui ao terapeuta pra confirmar o que o Muta tinha dito ao meu respeito “Você é hiperativa”, dissera o meu amigo paulista. Cheguei ao consultório com uns 10 minutos de atraso, e fiquei na sala de espera mexendo em todas as revistas que encontrara, rabisquei umas paredes com canetinha da Faber Castell, destruí a planta de plástico que enfeitava o minúsculo vestíbulo, toquei o sininho que indica que clientes novos chegam umas três vezes, sacudi a perna com inquietude típica de criança que quer fazer alguma maldade com a professora e então veio o terapeuta, com uma cara de chuva típica de pessoas muito, muito calmas. Mudei totalmente de comportamento para que ele não percebesse o que tinha feito na sala de espera, fiz cara de anjo.

- Oi, querida, quanto tempo!
- É!
- Como você está?
Olhei pra cara dele, esbugalhei os olhos, virei ligeiramente o rosto e disse, rápida e com uma voz bem alta:
- Estou bem! Hihihihihihi
- Que bom! - disse. E aí, como foi a semana?
- Foi ótima. Assinei contratos com uma emissora. Vou ter um programa infantil – levantei os braços e fiz um outdoor no ar - Vai se chamar “Avó Peluda e amiguinhos”. Não é o nome definitivo ainda; estou aguardando sugestões.
- E você acha que pode disfarçar sua tendência a assassinato num programa de TV, Peluda?
- Bom... Achar não acho não, seu Nestor, mas eu creio que vou ajudar muita criança carente da rua, vou ensinar as donas de casa a preparar verdura, fígado, para alimentar os pequerruchos...

continua?

Avó
Escrito por Avó Peluda às 16h15
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UMA NOITE NO METRO

Metrô de São Paulo a noite: pleno horário de pico.

 

Linha 1, quase na estação central:

 

_ Olha só aquilo. Coisa mais feia.

_ Nossa, para homem já acho feio, em mulher então...

_ Estranho não é?

 

Eles param a conversa e percebem que estou acompanhando o diálogo. Eles sabem que sei sobre o que estão falando e após breve silêncio de ponderação continuam a conversa cautelosamente:

 

_ Sabem, eu não tenho nada contra, mas não faria em mim... Sem chance.

_ Concordo.

_ Eu também. E digo mais: se uma filha minha aparecesse assim em casa ia ver só...

_ Cara, um conhecido meu fez uma dessa na batata da perna e quando chegou em casa, o pai dele arrancou na lixadeira! Haahaahaa.

_ Heeheehee.

_ Haahaahaa.

 

Subitamente se lembram de mim e os olhares ressabiados me acompanham até a hora de descer do vagão e podiam perceber a minha indignação

 

Linha 2, a caminho de casa:

 

Perdido em devaneios algo, ou melhor, alguém me chama a atenção. Alta, cabelos negros e lisos na altura dos ombros e olhos castanhos – firmes e fortes. Sim, ela definitivamente era muito bonita.

 

Além disso, pude notar um belo desenho em suas formas e cores tatuado em seu braço direito e tive certeza que era dela que falavam momentos antes e nesta mesma hora fui tomado pelo impulso de ir até ela para puxar conversa.

 

Em instantes já sabia até o que iria falar e ficava me repetindo para não esquecer de perguntar qual era o significado daquela tatuagem. Creio que isso é muito mais relevante – além de criativo – do que perguntar se doeu muito para fazer.

 

Apesar de toda a preparação, no momento decisivo o medo e a insegurança foram mais fortes e ela desceu na sua estação... E eu não disse nada!

 

Não disse que ela era bonita. Não perguntei o significado da tatuagem. Não fiquei sabendo seu nome.

 

Ela não soube que alguém a achava bonita. Não teve a oportunidade de explicar algo sobre a sua vida. E não revelou o seu nome para ninguém.
Escrito por Muta às 00h00
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ESPERAR ATÉ QUANDO?

Passando pelo blog do Inakagi, o Pensar Enlouquece, acabei conhecendo a história da jovem Gabriela que teve sua vida abreviada precocemente. Mas mesmo ante tal tragédia, os pais da garota conseguiram reunir forças para criar uma página – Gabriela Sou Da Paz –com o objetivo de coletar assinaturas e as enviar ao congresso, junto de uma proposta de mudança na legislação penal em vigor.

A tarefa não é das mais simples, pois para fazer isso eles terão que juntar Um Milhão de assinaturas de brasileiros de pelo menos cinco estados diferentes.

Pensado a respeito tenho cada vez mais certeza que não podemos esperar mais nenhum minuto para começarmos a fazer algo. Não quero ver ninguém próximo a mim sendo vítima de qualquer tipo de violência. Pode não parecer muito, mas além de já ter votado estou colocando e selo abaixo aqui no Idéias, com um link para o projeto e o código para inserir esse mesmo selo em suas páginas para que qualquer um que nos visite posso ajudar a divulgar essa campanha também.

Bom, aproveito para agradecer à Raquel pela idéia de fazermos algo para ajudar nessa campanha.

E vocês? Vão ESPERAR ATÉ QUANDO para começar a fazer algo?

Gabriela Sou Da Paz

Diga não à impunidade!

Saiba mais e Participe!


Escrito por Muta às 23h00
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Da série: Onde o Silvio Santos estava com a cabeça

Alguém disse “bom” dia?

 

No dia 2 de Agosto de 1993 surge nas telinhas mais um programa infantil. E era um programa normal, com Eliana como apresentadora, desenhos animados, e um tal Melocoton.

 

Em 1999, quando Eliana saiu e o Bom dia & Cia passou a ser apresentado por Jackeline Petkovic (a Jacky), ele ainda era um programa normal.

 

Mas alguém pode me explicar como definir psico e antropologicamente o Bom dia & Cia hoje? Não entendeu? Vamos ver se isso ativa sua memória: “Um beijãozão”.

 

Definitivamente Jéssica Esteves e Kauê Santin não deveriam estar na frente de uma câmera. Eis o porquê:

 

Eles são de outro planeta

Eu já desconfiava que “Kauê” não é nome de gente. Pra mim “Kauê” é um nome tanto quanto “Tinky Winky”.

 

Afora isso, aposto que o Exterminador do Futuro apresentaria o programa com muito mais espontaneidade. Por que eles têm que falar daquele jeito, como se estivessem apresentando uma peça? Como vi num blog dia desses, “eles falam tão bem como um andróide”. E por que alternar uma frase de cada um?

 

A historinha do dia

Eu queria saber quem teve a idéia absurda de botar esse quadro no programa.

 

“Então, a Rapunzel jogou suas tranças...”

“Pois é Jéssica! E o príncipe subiu pelas tranças...”

“Aí, a madrasta apareceu...”

 

Que tortura para os telespectadores mirins. Qualquer historinha legal se transforma num filme de terror com esses intérpretes.

 

Sorriso bizarro e expressões estranhas

Kauê deveria entrar para o livro dos recordes como o cara que conseguiu passar mais tempo com um mesmo sorriso estampado no rosto. Não importa o que ele esteja falando, pode até ser “Que pena que o programa acabou” ou até “Aí, a madrasta cegou o príncipe e o jogou no meio de um deserto”. Não importa, o sorriso tá lá, intacto.

 

Jéssica também não fica atrás nesse ponto. Contudo o riso dela parece muito menos forçado.

 

Além disso, há toda uma expressão facial quando eles falam que não muda nunca. Vocês já repararam como Kauê arregala os olhos no meio das falas? Como diz o Muta, “medo, muito medo”.

 


Escrito por Srta. Quaresma às 01h11
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O sapo pula pula

Ainda não me decidi pelo que sentir quando vejo aqueles dois dançando. Pena? Raiva? Incontrolável vontade de rir? E coitado de Kauê. Ele não quer dançar. Será que a produção do programa não percebe? Isso é notável pela maneira como ele joga as pernas e os braços desajeitadamente como se estivesse pensando “Ah, foda-se...!” E por que tem que ser sempre a música do sapo? Não, botar aqueles dois pra dançar é realmente uma perversidade.

 

“Que pena que o programa acabou”

O diálogo final da despedida é exatamente igual em todos os episódios. Eles têm a capacidade de se lamentar pelo fim do programa com a mesma expressão com que iniciam o mesmo. A bizarrice culmina no forçado jargão dos dois. Jéssica treina seu agudo com um “tchau-tchau” que dá nos nervos, enquanto Kauê fica com seu risível “um beijãozão!” Um beijãozão? Quem será que manda ele dizer isso?

 

 

Eu, hein! E ainda tem gente que fala mal dos Teletubbies...

 

Mas não sejamos tão injustos com os pobrezinhos. É claro que toda a culpa é da produção do programa. E acho que é de propósito. Faça o teste, vá passando pelos canais e quando parar no SBT, bem no meio do Bom dia & Cia, tente, mas tente com muita concentração mudar de canal. Exato! Você não consegue! Nem eu, nem ninguém. É muito engraçado! Das duas uma: ou eles são E.T.’s hipnóticos, ou então são obrigados a fazer aquilo. Acho que quando eles começam a falar espontaneamente é isso o que acontece:

 

“Corta! Jéssica, você perdeu o sorriso. Kauê, concentração! Você pode até ser uma pessoal normal lá fora, mas aqui dentro você é um andróide. Não quero mais ver essa expressão lugar-comum. Faça aquela cara que a gente combinou, ok?”

 

E no fim das contas isso te faz pensar que o Silvio Santos sabia exatamente onde estava a cabeça dele. Quem precisa de super produção, afinal de contas? O tosco já dá audiência suficiente.

Um BEIJÃOZÃO!


Escrito por Srta. Quaresma às 01h09
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Os Dias Mutantes

Segunda: Atena
Terça: BruCe & Rafaella
Quarta: Srta. Quaresma
Quinta: Avó Peluda
Sexta: Muta

E a qualquer momento: Agent Smith & BlackSpy


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